Não é essa a questão: foi uma manifestação colossal, transversal como poucas que aconteceram neste país. Não, não foi coisa dos "privilegiados do sistema" ou de "quem nunca apoiou este governo", e quem julgue que sim não está a perceber nada, mas mesmo nada, do que se está a passar.
(Felizmente, na área de apoio ao Governo, há uma ou outra excepção a esta tendência para a negação ou o escapismo)
Foi exatamente o contrário disso, e esta manifestação vale pela sua dimensão, como pela sua transversalidade: juntou novos e velhos, radicais e moderados, privilegiados e remediados - todos com a certeza de que estão a caminho de serem mais pobres do que alguma vez foram - , como juntou gente que nunca votaria neste governo e vê reforçadas as suas razões, com gente que votou neste governo e gostaria de ter outra vez boas razões para o voltar a fazer.
Por todas estas razões, e outras que têm sido repetidas até à exaustão, a manifestação de sábado foi um dos acontecimentos mais importantes desde que este Governo tomou posse. Curiosamente, com uma única excepção, ninguém no Governo achou que o assunto merecesse um comentário, por breve ou lacónico que fosse.
Estavam tão distraídos com o que se passava na assoalhada ao lado que não se deram conta do que se passava na rua?
Tudo o que sobe também desce