Domingo, 19 de Fevereiro de 2012

Gouvaia

Palavra do dia: vaia. Ou antes, palavra do dia: Gouvaia.

 

 

publicado por Ana Catarina Santos às 14:10
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012

Mas porquê tanto empenho em impedir que o PM vá a uma comissão?

O que é estranho na escandalosa decisão de Assunção Esteves, alegremente ratiticada pela maioria PSD-CDS, de bloquear o requerimento potestativo do PCP para ouvir Passos Coelho na 1ª Comissão, não é o grau de prostituição moral a que chegou uma maioria parlamentar amestrada e anestesiada.

Nem é, tão pouco, que uma presidente da Assembleia da República tenha feito a triste figura que fez (que a Ana Catarina aqui tão bem analisa), com os risíveis argumentos que inventou, quando - pelo menos por respeito pelo cargo e pela instituição - devia manter mínimos de decência intelectual.

Mas enfim... não há almoços grátis e a conta pode chegar a qualquer momento.

 

O que é verdadeiramente estranho nesta decisão é que ela tenha sido necessária.

Por muitos defeitos que tenha Pedro Passos Coelho (e abstenho-me de ir por aí, pois ainda a procissão vai no adro), foi capaz de descrispar o relacionamento do chefe do Governo com o Parlamento. Nas idas quinzenais à AR, mostra-se sempre cordato com os deputados de todas as bancadas e tem resistido à tentação de fazer do Plenário uma arena para shows histriónicos, no que parecia uma atitude de respeito pela instituição.

Por outro lado, não sendo um às da retórica nem um artista do debate, o seu desempenho parlamentar tem dado para o gasto, nunca tendo passado, que me lembre, por qualquer momento de particular aflição no hemiciclo.

 

Surpreende, por isso, que a maioria - nas pessoas de Miguel Relvas, Assunção Esteves e de 132 deputados, que aprovaram um entorse ao Regimento da AR sem um suspiro - se tenham dado a tantos esforços para garantir que o primeiro-ministro não teria de ir a uma comissão parlamentar. À porta fechada, note-se. Para falar de assuntos de que só ele é responsável politicamente, insista-se.

 

A não ser que...

... o assunto que levou o PCP a convocar Passos Coelho seja ainda mais cabeludo do que aquilo que podemos imaginar.

Que tantos tenham feito figuras tão tristes e aberto um precendente tão grave em matéria de funcionamento da AR dá que pensar. Dá que pensar, sobretudo, no que Passos Coelho sabe sobre o que se passou nas secretas e no que não sabe sobre o que fazer com elas.

publicado por Filipe Santos Costa às 15:58
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011

A playlist de Pedro Passos Coelho

 

O Elevador da Bica teve acesso exclusivo ao i-Pad de Pedro Passos Coelho desaparecido no voo da TAAG para Luanda.

Aqui ficam as 20 canções que estavam na playlist do primeiro-ministro.

(Disclaimer: A imagem serve para fins meramente ilustrativos e não tem qualquer relação com o escândalo Strauss-Kahn)

 

Linda de Suza - Mala de Cartão

Paulo Alexandre - Verde Vinho

Dino Meira - Voltei, voltei

Roberto Leal - Português sem Passaporte

Conjunto Maria Albertina - O Emigrante

Marco Paulo - O Comboio da Meia Noite

Mário Gil - Pelos Caminhos de Portugal

Marante & Diapasão - A Bela Portuguesa

Linda de Suza - Uma Moça Chorava

José Cid - Cai Neve em Nova Iorque

Alexandra - Zé Brasileiro, Português de Braga

Dino Meira - Meu Querido Mês de Agosto

Graciano Saga - Vem Devagar Emigrante

Jorge Ferreira - Portuguesa, és a Mais Linda

Telmo Miranda - Ela é Made in Portugal

Mike da Gaita - Emigrante Português

Tony Carreira - A Terra Onde eu Nasci 

Zeca Afonso - Canção do Desterro

Adriano Correia de Oliveira - Cantar da Emigração

Manuel Freire - Ei-los que Partem

 

Adenda: Ena Pá 2000 - Emigrante

publicado por Filipe Santos Costa às 12:19
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011

A ver se percebi...

Quando o Governo decide cortar dois subsídios aos funcionários públicos, Pedro Passos Coelho explica que tem de ser assim porque os trabalhadores dos privados já ganham menos do que os do Estado.

Quando a troika sugere que se cortem também os salários dos privados, Passos Coelho diz que sim, porque isso vai tornar o país mais competitivo.

É isto?

publicado por Filipe Santos Costa às 17:16
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 21 de Junho de 2011

Notícias da inauguração

Então, a tomada de posse foi assim: o Presidente da República fez o discurso do primeiro-ministro; o primeiro-ministro fez o discurso de quem precisa urgentemente de um speechwriter.

publicado por Filipe Santos Costa às 14:29
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 20 de Maio de 2011

Debate, debite, debote, debute...

O debate

Passos ganhou o debate (aos pontos, não por KO) porque não se deixou enredar nas armadilhas retóricas de Sócrates de se esquivar às suas responsabilidades. Conseguiu fazer passar a ideia de que a responsabilidade pelo estado a que as coisas chegaram é, naturalmente, de quem governou como Sócrates governou e não da oposição; ganhou porque não se deixou esmagar tendo em conta que expectativas não eram altas. Dito isto, não creio que o debate seja decisivo para a distribuição dos indecisos. Passos sai um pouco mais favorecido na tendência geral. Não sai dali com as eleições ganhas. Para o debate ser decisivo era necessário  que o adversário cometesse uma gaffe desastrosa.

 

O debite

Não é que Passos tenha ganho neste domínio: foi  Sócrates a perder eficácia. O ponto mais fraco do PM foi o golpe em que ele costuma ser forte: o repisar do mesmo discurso, dos mesmos soundbytes, e das mesmas ideias feitas, construídas e estudadas ao milímetro, que Passos não deixou passar e rebateu com bastante eficácia. Nos "bytes", Passos perdeu pontos quando não explicou a questão dos co-pagamentos na saúde. Depois disso, Sócrates raramente pontuou.

Um dos momentos mais altos foi sobre a taxa social única quando Passos disse a Sócrates para deixar falar quem estudou. O debyte devia ter sido este: "Se o senhor não estudou é um problema seu, mas agora deixe falar quem ainda estudou alguma coisa na vida..."

 

O debote 

Quem quer ser José Sócrates hoje? Ninguém. A posição dele é a mais difícil de todos os candidatos. Nunca um primeiro-ministro se recandidatou numa posição tão difícil (Santana não conta porque nunca tinha sido eleito), ao fim de anos de governação e polémica. Conseguir manter o bote à superfície e não estar já completamente esmagado pelas sondagens e pelos adversários é de uma capacidade política invejável. Sócrates ganhou o debote, nem que seja por não ter ido ao fundo como uma pedra.

 

O debute 

No primeiro debate do resto da vida dele, Passos passou no teste. Passos Coelho ganhou o debute. Com mais ou menos nervosismo, visível nas mãos e nas expressões faciais e corporal, ele passou na prova mais difícil desde que é líder do PSD. Ganhou o debute. Meia vitória num combate destes é conseguir desviar-se dos golpes de um lutador temível como Sócrates e usar a força do adversário para o deitar ao chão.

 

Agora, isto foi só um debate. Governar é outra conversa...

 

ADENDA1: nas primeiras conversas com eleitores indecisos após o debate, ainda não tinham decisão formada. Vale o que vale, mas os olhos da maioria das pessoas não são como os dos jornalistas e comentadores. E lá por alguém achar que este ou aquele esteve melhor num debate não quer dizer que vão a correr votar nele e é preciso não esquecer isto.

 

ADENDA2: parece que uma sondagem da Católica dá 23% a dizerem que o debate contribuiu para decidirem o sentido de voto, sendo que a maioria acha que ganhou o Passos. Veremos amanhã esses resultados.

publicado por Vítor Matos às 22:38
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 30 de Março de 2011

O triunfo da vulgaridade

Era uma vez um homem vulgar, sem nada (mas mesmo nada, nadinha), que o distinguisse. Até que um dia escreveram um livro (um livro!, senhores, um livro inteiro, 190 páginas inteiras, quase 200 páginas!...) sobre ele.

E assim se tornou um homem invulgar.

publicado por Filipe Santos Costa às 16:45
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2011

Quem tramou Peter Rabbit?

a) Se Passos vota a favor da moção de censura do Bloco de Esquerda:

- Provavelmente durante a crise política que se segue Portugal terá de pedir ajuda financeira externa e Sócrates acusará o PSD de estar a afundar o País quando o Governo estava a conseguir mantê-lo à tona;

- Certamente Sócrates dirá do PSD e do CDS que queriam o poder a todo o custo;

- Potencialmente, no caso de ser Governo, Passos teria de governar sob a tutela do FMI e de Bruxelas, tomando medidas muito drásticas e impopulares; bebia assim no poder o cálice de veneno que estava guardado para Sócrates, enquanto o PS voltava a esperar na oposição que passasse um cliclo governativo muito curto da direita;

- Teria de ir para o Governo antes de estar preparado e antes de ter realizado os seus "Estados Gerais";

 

b) Se Passos chumba a moção do Bloco:

- É bom que o anuncie depressa porque não faz bem ao País esta espera;

- Fica mais uma vez colado ao Governo;

- É a bóia de salvação de José Sócrates que será homem para lhe elogiar ironicamente o sentido de responsabilidade;

- Tem mais dificuldade em apresentar outra moção de censura nos meses seguintes, a não ser que a execução orçamental seja muito má ou haja por aí mais um escândalo sem nome;

 

Resumindo, como nota o João Cândido no Negócios, foi Francisco Louçã quem tão bem tramou Passos Coelho

publicado por Vítor Matos às 15:47
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010

Os dias da crise

Quem quer fazer uma vaquinha para ajudar mais uma vítima da crise?
O liberal Pedro Passos Coelho está a passar um mau bocado e a crise vai sentar-se à mesa do líder do PSD na ceia de Natal. Diz que não tem dinheiro para comprar presentes às filhas e vai comprar uma única prenda para a mais nova.
Passos Coelho podia juntar-se a Ricardo Gonçalves, o deputado do PS que lamenta que a cantina da AR não esteja aberta para o jantar, pois o dinheiro que recebe não lhe dá para tudo.
Pedro e Ricardo sofrem, juntos, esta crise.
Ambos são vítimas da insaciável apetência dos mercados globais pelo lucro e da brutal ofensiva contra os direitos dos trabalhadores e os princípios do Estado Social.
Mas haja esperança. Pelo que conheço da população portuguesa e seu espírito solidário, acredito que milhares de desempregados, precários, contratados a prazo, jovens a recibos verdes, trabalhadores com salário mínimo, etc. ficarão sensibilizados com estes desabafos e serão generosos. Enviarão ajuda para que o Natal para Pedro e Ricardo não seja tão dramático.
publicado por Ana Catarina Santos às 20:56
link do post | comentar | favorito
Domingo, 7 de Novembro de 2010

Crime, disse ele

Depois de ter visto e ouvido tanta coisa, já nada me devia espantar, mas uma tendência inata para a ingenuidade leva-me a ainda ficar surpreendido com coisas como esta: não entendo o que passa pela cabeça de um líder político para ter ideias assim e dizê-las em público, sem a seguir cair para o lado morto de vergonha. A sorte, é que como nós já não acreditamos quando eles falam a sério (na melhor das hipóteses fingimos acreditar, supremo cinismo), também não acreditamos quando dizem coisas a gozar. É um discurso sem sentido, popularucho, que alguns taxistas achariam óptimo, mas que não se pode levar a sério, porque se não for brincadeira é grave.

Vejamos então quem ia preso, porque é isso que acontece a quem comete crimes: António Guterres ia preso pelo descontrolo das contas públicas, por ter conduzido o país ao pântano, e por não ter feito políticas anti-cíclicas em tempo de vacas gordas; Durão Barroso por ter deixado o Governo a Santana e por ter apoiado a invasão do Iraque com base em premissas falsas; Manuela Ferreira Leite por ter desbaratado a rede fixa da PT; Santana por ter deixado que um Governo tivesse chegado a um descrédito nunca visto; José Sócrates por ter mentido sobre o défice ao longo de 2009 e pela situação de 2010/11; Cavaco ia preso por não ter feito nada contra as políticas de Sócrates (cumplicidade) e por tudo o que correu mal nos 10 anos da sua governação; para Pedro Passos Coelho havia arranjaria facilmente um motivo para ele também ir preso, razão pela qual aquele discurso é grave, perigoso, e por agora para rir.

Bom, mas há onde esta ideia já esteja a fazer caminho.
publicado por Vítor Matos às 16:00
link do post | comentar | favorito

apresentação

Tudo o que sobe também desce

Conheça a história do ascensor aqui.

autores

pesquisar

posts recentes

Stôra

O fim da coligação, segun...

Amigos Chineses, Portugal...

Serviço público do Elevad...

As passas estavam maradas

A política de comunicação...

Importa-se de ser mais cl...

Almocinho de Aniversário

Memória: Quando Soares er...

Ele há coincidências tram...

arquivos

links

subscrever feeds