Quinta-feira, 16 de Maio de 2013

O fim da coligação, segundo Sun Tzu

Paulo Portas é o mais experiente político do Governo. Passos Coelho, que também anda pela política desde muito novo, não tem a experiência política de Portas. Nem a matreirice. Nem a estratégia. Nem nunca deve ter lido um único livro sobre estratégia política. Ou sequer pensado que há características em tempos de “guerra”, como a dissimulação, o segredo, a surpresa, o silêncio, o pensar a dois tempos, a paciência, como nos ensina Sun Tzu em "A Arte da Guerra", que são determinantes não apenas para a sobrevivência [política] mas para alcançar a vitória.

 

Viver em coligação, diz-nos qualquer manual básico de ciência política e diz-nos sobretudo a realidade, é viver em permanente estado de tensão, com forças centrífugas e centrípetas constantes. É uma acção de gerir conflitos, um estado de alerta, um estado de guerra. É estarem vários homens numa trincheira com apenas uma lata de sardinha por dia e em que todos têm de vigiar simultaneamente o inimigo lá fora e o precioso enlatado até à próxima refeição.

 

Quando a desconfiança entre os homens no interior da trincheira aumenta à medida que vão passando os dias, e perante a falta de ataques violentos do exterior, o ambiente no interior da caverna pode tornar-se aterrador. O instinto de sobrevivência agudiza-se. As lutas na caverna assumem uma dimensão sanguinária, por vezes fratricida, porque enquanto ao inimigo só o vêem esporadicamente, os entrincheirados convivem 24 horas por dia. A convivência pode tornar-se verdadeiramente insuportável.

 

As desconfianças são permanentes. O que fica de vigia, à noite, distrai-se a olhar para a lata de sardinhas e imagina o que faria com ela sem ter de a partilhar com os outros. Os outros, que supostamente deviam estar a dormir, ficam despertos por desconfiarem que o vigilante possa atacar o gourmet sozinho. Afinal, ninguém descansa pelo estado de alerta permanente e a percepção do risco interno assume dimensões gigantescas. O inimigo externo - que devia ser, afinal, o único e verdadeiro inimigo - circula à vontade no terreno e reorganiza-se sem que dentro da caverna essa mudança seja nítida. 

 

A coligação deste Governo não vai cair por causa das taxas sobre as pensões, a chamada TSU dos pensionistas. Vai cair porque todos desconfiam que Paulo Portas vai comer a lata de sardinhas sozinho.

publicado por Ana Catarina Santos às 12:51
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quinta-feira, 13 de Setembro de 2012

Almocinho de Aniversário

No dia em que fazia 50 anos, Paulo Portas foi almoçar a São Bento, a sós, com Passos Coelho. Não se pode dizer que foi um almoço festivo, de celebração entre amigos. Nada disso. Consta que Portas soprou muito, mas não para as velas de aniversário. Também consta que Pedro não ofereceu presentinho a Paulo. Só porque não teve tempo de passar por uma farmácia.

 

publicado por Ana Catarina Santos às 18:13
link do post | comentar | favorito

apresentação

Tudo o que sobe também desce

Conheça a história do ascensor aqui.

autores

pesquisar

posts recentes

O fim da coligação, segun...

Almocinho de Aniversário

arquivos

links

subscrever feeds