Quinta-feira, 8 de Novembro de 2012

Olheiro do FMI - Exclusivo Elevador da Bica

É mais um exclusivo do Elevador da Bica: o homem da Troika, o etíope Abebe Selassie, já está em Portugal. O senhor chegou a Lisboa ontem, quarta-feira, ao final da tarde, uma semana antes da restante equipa do FMI. 

O repórter do Elevador da Bica tentou captar o momento da chegada de Selassie ao Hotel de luxo onde ficará instalado nas próximas duas semanas, mas o aparato de segurança inviabilizou esse acto. 

Abebe Selassie vem ver como páram as modas e aferir discretamente a aplicação das medidas. Oficialmente não tem agenda, mas o Elevador da Bica sabe que o homem forte do FMI que é o responsável pelo acompanhamento do programa de ajustamento da economia portuguesa, tem encontros não oficiais já agendados.

O "olheiro do FMI" vinha com uma mochila vermelha às costas, ténis e calças desportivas. Disse boa noite e sorriu (sim, ele sorriu. Os robôts do FMI às vezes sorriem). Pena que a indumentária e atitude descontraídas não estejam a fazer pandan com o chicote que traz na mochila vermelha. 

 

 

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publicado por Ana Catarina Santos às 13:23
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Quinta-feira, 17 de Maio de 2012

Memória: Quando Soares era um Passos Coelho

 

Camaleão experiente, Mário Soares acha que o PS deve desvincular-se do plano da troika. Argumenta que a austeridade é excessiva. Considera os líderes europeus uns irresponsáveis. Se calhar, tem razão. Mas o interessante é ver o que Mário Soares dizia sobre a austeridade e o programa do FMI entre 1983 e 1985, quando chefiava o Bloco Central e tinha de aplicar o chamado "grande ajustamento". Dei-me ao trabalho de passar uma tarde na hemeroteca à procura das frases de Soares para a "Sábado" e, por estranho que pareça, encontrei palavras de Passos Coelho em jornais amarelos, na boca do velho primeiro-ministro. Moral da história: no poder tudo muda. Aqui fica, para quem quiser recordar.

 

Os problemas económicos em Portugal são fáceis de explicar e a única coisa a fazer é apertar o cinto”. DN, 27 de Maio de 1984

 

“Não se fazem omoletas sem ovos. Evidentemente teremos de partir alguns”. DN, 01 de Maio de 1984

 

“Quem vê, do estrangeiro, este esforço e a coragem com que estamos a aplicar as medidas impopulares aprecia e louva o esforço feito por este governo.” JN, 28 de Abril de 1984

 

“Quando nos reunimos com os macroeconomistas, todos reconhecem com gradações subtis ou simples nuances que a política que está a ser seguida é a necessária para Portugal”. Idem

 

“Fomos obrigados a fazer, sem contemplações, o diagnóstico dos nossos males colectivos e a indicar a terapêutica possível” RTP, 1 de Junho de 1984. Idem, ibidem

 

“A terapêutica de choque não é diferente, aliás, da que estão a aplicar outros países da Europa bem mais ricos do que nós” RTP, 1 de Junho de 1984

 

“Portugal habituara-se a viver, demasiado tempo, acima dos seus meios e recursos”. Idem

 

“O importante é saber se invertemos ou não a corrida para o abismo em que nos instalámos irresponsavelmente”. Idem, ibidem

 

“[O desemprego e os salário em atraso], isso é uma questão das empresas e não do Estado. Isso é uma questão que faz parte do livre jogo das empresas e dos trabalhadores (...). O Estado só deve garantir o subsídio de desemprego”. JN, 28 de Abril de 1984

 

“O que sucede é que uma empresa quando entra em falência... deve pura e simplesmente falir. (...) Só uma concepção estatal e colectivista da sociedade é que atribui ao Estado essa responsabilidade. Idem

 

“Anunciámos medidas de rigor e dissemos em que consistia a política de austeridade, dura mas necessária, para readquirirmos o controlo da situação financeira, reduzirmos os défices e nos pormos ao abrigo de humilhantes dependências exteriores, sem que o pais caminharia, necessariamente para a bancarrota e o desastre”. RTP, 1 de Junho de 1984

 

“Pedi que com imaginação e capacidade criadora o Ministério das Finanças criasse um novo tipo de receitas, daí surgiram estes novos impostos”. 1ª Página, 6 de Dezembro de 1983

 

 “Posso garantir que não irá faltar aos portugueses nem trabalho nem salários”. DN, 19 de Fevereiro de 1984

 

“A CGTP concentra-se em reivindicações políticas com menosprezo dos interesses dos trabalhadores que pretende representar” RTP, 1 de Junho de1984

 

“A imprensa portuguesa ainda não se habituou suficientemente à democracia e é completamente irresponsável. Ela dá uma imagem completamente falsa.” Der Spiegel, 21 de Abril de 1984

 

“Basta circular pelo País e atentar nas inscrições nas paredes. Uma verdadeira agressão quotidiana que é intolerável que não seja punida na lei. Sê-lo-á”. RTP, 31 de Maio de 1984

 

 “A Associação 25 de Abril é qualquer coisa que não devia ser permitida a militares em serviço” La Republica, 28 de Abril de 1984

 

“As finanças públicas são como uma manta que, puxada para a cabeça deixa os pés de fora e, puxada para os pés deixa a cabeça descoberta”. Correio da Manhã, 29 de Outubro de 1984

 

“Não foi, de facto, com alegria no coração que aceitei ser primeiro-ministro. Não é agradável para a imagem de um politico sê-lo nas condições actuais” JN, 28 de Abril de 1984

 

“Temos pronta a Lei das Rendas, já depois de submetida a discussão pública, devidamente corrigida”. RTP, 1 de Junho de 1984

 

“Dentro de seis meses o país vai considerar-me um herói”. 6 de Junho de 1984

publicado por Vítor Matos às 13:50
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Sexta-feira, 6 de Maio de 2011

A peça de teatro de José Sócrates

 

 

 

 

 

 

 

No dia 16 e Março 2011, mais ou menos há mês e meio, perante a hipótese de chumbo do PEC IV, o primeiro-ministro disse isto numa entrevista à Ana Lourenço, na SIC-N:

  

"A alternativa é lutar pela confiança. Se os partidos aqui não nos dão condições para lutarmos por essa confiança, isso significa abrir uma crise política e à necessidade de uma intervenção externa: vou dar alguns exempos, acabar com o 13º mês, reduzir o salário mínimo, despedir funcionários públicos, cortar muito mais do que nós cortamos os salários, reduzimos em 5% e a Roménia reduziu em 25%.

 

Estive no ultimo conselho, não quero passar pelo que passaram os gregos, os irlandeses. É por isso que estou a dar o meu melhor todos os dias. O líder do PSD, disse que esta peça de teatro tem de acabar. Peça de teatro? É assim que ele classifica os esforços do governo para defender a confiança?"

 

O leitor que tire as suas conclusões.

publicado por Vítor Matos às 11:48
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Quinta-feira, 5 de Maio de 2011

Twilight zone: Paulo Campos vai amanhã à Bolívia assinar convénio com Morales

 

 

 

 

 

Ele há coisas que não lembra:

 

O Governo está em gestão. O trio do FMI/UE/BCE já governa esta choldra ao milímetro. Os credores pedem sacrifícios, suor e lágrimas ao País. Não há dinheiro para nada, como dizia a Manuela Ferreira Leite.

 

Entretanto... há quem viva noutra dimensão:

 

Amanhã, Paulo Campos, secretário de Estado Adjunto, das Obras Públicas e das Comunicações, Paulo Campos, vai à Bolívia encontrar-se com Evo Morales para assinar um convénio de cooperação cientifica e tecnológica entre o Governo português e o Governo da Bolívia. Quem bebe chá de coca é o Morales, mas por cá é que não há bom senso.

 

publicado por Vítor Matos às 18:10
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Balanço da check-list do enviado do FMI

No dia 7 de Abril escrevi aqui a check-list da troika: foi menos mau do que tinha previsto, mas acertei em muitas. Vou mandar o currículo para Washington.

Aquelas em que acertei estão a bold.

 

 

 

RECEITA PORTUGUESA SEM BACALHAU: 

 

- Corte da massa salarial da função pública em 15% a 20%

- Pressão para uma revisão constitucional que permita despedimentos colectivos no Estado

- Corte no próximo subsídio de Natal e ou de Férias no Estado (taxa especial sobre privados)

- Corte de 10% a 15% nas pensões acima de 1500 euros (foi um pouco menos)

- Congelamento de todas as pensões

- Criação de um tecto máximo para as pensões mais altas

- Aumento na idade de reforma

- Aumento das taxas de IVA

- Revisão das [tabelas] deduções do IRS

- Oferecer um dia de salário à Nação [Força companheiro Vasco!]

- Aumento dos impostos sobre o tabaco e o álcool

- Privatizar o máximo possível de empresas públicas

- Alienar participações minoritárias do Estado e fim de golden-shares

- Vender património imobiliário

- Fechar e fundir mais escolas

- Flexibilizar o mercado de trabalho e facilitar despedimentos

- Reduzir a comparticipação em medicamentos

- Eliminação de benefícios fiscais

- Aumento do preço dos transportes públicos

- Aumento do preço das portagens

- Cortes de 20% nos consumos do Estado

- Fim da atribuição de viaturas no Estado a torto e a direito

- Redução do número de efectivos no Exército e reorganização territorial das tropas terrestres

- Redução do tempo no subsídio de desemprego e dos valores atribuídos

- Cortes nas obras públicas e cancelamento de contratos como o do TGV

- Reorganização do mapa do poder local, com o fim de muitos concelhos e freguesias e criação de outros

- Eliminação de centenas de empresas municipais

- Fim de múltiplos institutos públicos e fundações

- Cantar o Grândola Vila Morena antes dos jogos da selecção nacional

publicado por Vítor Matos às 11:35
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Quinta-feira, 14 de Abril de 2011

Retratos da Grécia - os suicídios

 

Foto: VM

 

Estas gregas não são viúvas da crise mas podiam ser. São apenas religiosas ortodoxas. A Grécia é uma sociedade em decomposição. Basta arranhar um bocadinho a supefície numa conversa de café para perceber o âmago da alma grega pós-crise: gente normal por fora, profundamente deprimida por dentro Quase todos os gregos com quem falei estão mais pobres ou tornaram-se pobres. Alguns viviam como ricos ou viviam bem. O efeito do choque externo levou gente a depressões profundas, sem dinheiro para o psiquiatra. Quase todos com quem falei tinham a percepção de que os suicídios estavam a aumentar. Era verdade.

 

Os suicídios duplicaram na Grécia desde 2009. A média era de um por dia, mas em 2010 a média passou a dois, segundo um estudo de Kostas Lolis muito citado na imprensa, director da Clínica Psiquiátrica Sismanoglion. Os jornais populares dão o devido destaque a suicídios de pequenos empresários endividados presos em becos sem saída, que dizem adeus ao mundo cruel com cartas pungentes às famílias. A situação é especialmente aguda na Ilha de Creta. O Minotauro tem labirintos mais sofisticados no mundo moderno.

 

As chamadas para a linha de emergência 1018 contra o suicídio também duplicaram em 2010. Os países europeus que nos vão emprestar dinheiro estão divididos entre aplicar-nos um garrote insuportável ou uma sangria purificadora. Tudo mau. Tudo para doer, sofrer e expiar o pecado de querer ter sido alemão. Se a sociedade portuguesa se desestruturar como está a acontecer na Grécia, o nosso fatalismo será mais um nó do labirinto a favor do Minotauro.

 

 

 

Foto: VM

 

 

publicado por Vítor Matos às 15:44
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Terça-feira, 12 de Abril de 2011

Retratos da crise na Grécia

 

Foto: VM

 

A Grécia ficou assim nua, despida, com aquela pose ensaiada como se ainda estivesse bem vestida, patética como um novo-rico ou mais patética ainda como um novo-pobre.

 

Os manequins abandonados nesta rua de Atenas, frente a uma loja de velharias, são restos das lojas de roupa fechadas e falidas: muitas na capital grega, ruas inteiras em cidades de província.

 

Veremos em Portugal sinais desta decadência daqui a um ano? Nós abusámos, mas os gregos abusaram exageradamente: duplicaram salário dos funcionários públicos em apenas 10 anos, tinham uma função pública com uma média salarial de €1900 (o dobro do sector privado), os políticos contrataram eleitores em vez de boys, porque lá os deputados são eleitos em listas preferenciais (e cultivam sindicatos de voto), têm uma corrupção aberta e ainda pior do que a nossa, tudo pior.

 

Mas há coisas gregas em Portugal, como certas filosofias populares com sabedoria erudita: dizia um amigo grego de um amigo meu, que "os gregos são ricos, o país é que é pobre"...

 

publicado por Vítor Matos às 19:35
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Quinta-feira, 7 de Abril de 2011

Check-list do enviado do FEEF/FMI

 

 

 

RECEITA PORTUGUESA SEM BACALHAU: 

 

- Corte da massa salarial da função pública em 15% a 20%

- Pressão para uma revisão constitucional que permita despedimentos colectivos no Estado

- Corte no próximo subsídio de Natal e ou de Férias no Estado (taxa especial sobre privados)

- Corte de 10% a 15% nas pensões acima de 1500 euros

- Congelamento de todas as pensões

- Criação de um tecto máximo para as pensões mais altas

- Aumento na idade de reforma

- Aumento das taxas de IVA

- Revisão das tabelas do IRS

- Oferecer um dia de salário à Nação [Força companheiro Vasco!]

- Aumento dos impostos sobre o tabaco e o álcool

- Privatizar o máximo possível de empresas públicas

- Alienar participações minoritárias do Estado e fim de golden-shares

- Vender património imobiliário

- Fechar e fundir mais escolas

- Flexibilizar o mercado de trabalho e facilitar despedimentos

- Reduzir a comparticipação em medicamentos

- Eliminação de benefícios fiscais

- Aumento do preço dos transportes públicos

- Aumento do preço das portagens

- Cortes de 20% nos consumos do Estado

- Fim da atribuição de viaturas no Estado a torto e a direito

- Redução do número de efectivos no Exército e reorganização territorial das tropas terrestres

- Redução do tempo no subsídio de desemprego e dos valores atribuídos

- Cortes nas obras públicas e cancelamento de contratos como o do TGV

- Reorganização do mapa do poder local, com o fim de muitos concelhos e freguesias e criação de outros

- Eliminação de centenas de empresas municipais

- Fim de múltiplos institutos públicos e fundações

- Cantar o Grândola Vila Morena antes dos jogos da selecção nacional

 

Daqui a uns três meses vamos ver se acertámos neste totobola que ainda assim não é muito criativo.

 

publicado por Vítor Matos às 10:57
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Quarta-feira, 6 de Abril de 2011

Mais uma vez, tarde e a más horas

O ministro das Finanças admite que Portugal deve recorrer a ajuda externa. São agora 18h30. O guião do último ano repete-se: o Governo, mesmo caído e derrubado, chega tarde à realidade, apenas quando esta lhe cai sobre a cabeça. Neste momento, apenas uma dúvida: José Sócrates concorda com o ministro, ou é mais um equívoco de Teixeira dos Santos?

 

A campanha eleitoral vai ser bonita e esquizofrénica: o PS e o PSD serão obrigados a entender-se sobre mais um pacote de austeridade, enquanto se atacam mutuamente em passa culpas sobre o estado a que isto chegou.

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publicado por Vítor Matos às 18:28
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Quarta-feira, 30 de Março de 2011

Tenham muito medo: acabei de chegar da Grécia

 

 

Eu vi. Dois dias em Atenas bastaram. Não foi preciso mais do que falar com gente ao acaso na rua. Em Portugal, as pessoas ainda não estão a ver o filme. Quando a UE/FMI aterrar na Portela, meus amigos, a vossa vida vai mudar e vocês nem sabem como. Habitem-se. Comecem a fazer contas à vida. Isto vai doer muito mais do que imaginam. A verdadeira austeridade ainda não começou.

 

Na Grécia, os funcionários públicos deixaram de ter subsídio de férias e de Natal. Não foi só uma suspensão. Acabou. Não se sabe quando voltarão a ter essa "regalia". Tiveram cortes salarias mensais na ordem dos 15% (os mais simpáticos). Outros funcionários tiveram cortes cumulativos superiores. Aqui em Portugal, se o Estado nos tirar só o subsídio de Natal por inteiro não será péssimo, vai ser só um aborrecido. Vi famílias de classe média alta que não sabem como vão viver nos próximos meses. Famílias de classe média baixa que passaram a pobres. Pobres que deram em miseráveis. A única alternativa para os jovens é emigrar. Muitos que compraram casas tiveram de as vender. Quem não vendeu a tempo, agora não vende porque ninguém compra a preços razoáveis.  Quem arrenda (sim, porque lá existe arrendamento) tem a simpatia dos senhorios que baixam a renda porque não querem perder os inquilinos. E em Portugal não só não há arrendamento, como os juros vão subir...

 

Vem aí uma catástrofe social. A Maria Henrique Espada foi para Dublin e conta o mesmo. Amanhã na SÁBADO vejam o que nos espera e encomendem já os antidepressivos...

  

A Grécia viveu tempo demais sob a égide de Dionísio. Portugal também. Agora não há Guronzan que nos alivie a ressaca

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publicado por Vítor Matos às 15:30
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