Terça-feira, 2 de Julho de 2013

Stôra

- Stôra?
- Sim, Pedro?
- Já lhe disse que trouxe uma maçã verde para si hoje?
- Oh, Pedro... Que amoroso... Obrigada.
- Stôra?
- Sim, Pedro?
- Posso ir ao quadro?
- Para quê, Pedro?
- Tenho aqui uma equação que gostava que me ajudasse a resolver.
- Ai, sim?
- Sim. Pedi ajuda ao Vitor mas ele não conseguiu. Acha que pode?
- Vamos ver.
- Stôra?
- Sim, Pedro?
- Obrigado, Stôra.
- Obrigado por quê?
- Por me desenrascar mais uma vez.
- Ó Pedro, deixe-se de coisas. Estamos cá para isso.
- Stôra?
- Sim, Pedro?
- Não se esqueça de levar a maçã.
- Não é envenenada, pois não? (risos)
- Ó Stôra... (risos) Acha?!

 

 

 

 

 

publicado por Ana Catarina Santos às 08:01
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Quinta-feira, 16 de Maio de 2013

O fim da coligação, segundo Sun Tzu

Paulo Portas é o mais experiente político do Governo. Passos Coelho, que também anda pela política desde muito novo, não tem a experiência política de Portas. Nem a matreirice. Nem a estratégia. Nem nunca deve ter lido um único livro sobre estratégia política. Ou sequer pensado que há características em tempos de “guerra”, como a dissimulação, o segredo, a surpresa, o silêncio, o pensar a dois tempos, a paciência, como nos ensina Sun Tzu em "A Arte da Guerra", que são determinantes não apenas para a sobrevivência [política] mas para alcançar a vitória.

 

Viver em coligação, diz-nos qualquer manual básico de ciência política e diz-nos sobretudo a realidade, é viver em permanente estado de tensão, com forças centrífugas e centrípetas constantes. É uma acção de gerir conflitos, um estado de alerta, um estado de guerra. É estarem vários homens numa trincheira com apenas uma lata de sardinha por dia e em que todos têm de vigiar simultaneamente o inimigo lá fora e o precioso enlatado até à próxima refeição.

 

Quando a desconfiança entre os homens no interior da trincheira aumenta à medida que vão passando os dias, e perante a falta de ataques violentos do exterior, o ambiente no interior da caverna pode tornar-se aterrador. O instinto de sobrevivência agudiza-se. As lutas na caverna assumem uma dimensão sanguinária, por vezes fratricida, porque enquanto ao inimigo só o vêem esporadicamente, os entrincheirados convivem 24 horas por dia. A convivência pode tornar-se verdadeiramente insuportável.

 

As desconfianças são permanentes. O que fica de vigia, à noite, distrai-se a olhar para a lata de sardinhas e imagina o que faria com ela sem ter de a partilhar com os outros. Os outros, que supostamente deviam estar a dormir, ficam despertos por desconfiarem que o vigilante possa atacar o gourmet sozinho. Afinal, ninguém descansa pelo estado de alerta permanente e a percepção do risco interno assume dimensões gigantescas. O inimigo externo - que devia ser, afinal, o único e verdadeiro inimigo - circula à vontade no terreno e reorganiza-se sem que dentro da caverna essa mudança seja nítida. 

 

A coligação deste Governo não vai cair por causa das taxas sobre as pensões, a chamada TSU dos pensionistas. Vai cair porque todos desconfiam que Paulo Portas vai comer a lata de sardinhas sozinho.

publicado por Ana Catarina Santos às 12:51
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Quarta-feira, 20 de Março de 2013

Amigos Chineses, Portugal ama-vos!



Lisboa, 18 de Março de 2013



Sua Excelência

Li Keqiang

Primeiro-Ministro do Conselho de Estado

da República Popular da China



Excelência,



Quero em nome do Governo de Portugal no meu próprio apresentar a Vossa Excelência sinceras felicitações pela sua eleição para o cargo de Primeiro-Ministro da República Popular da China formulando os votos de maiores êxitos para o mandato que agora vai iniciar.


Em poucas décadas a China tem operado transformações de enorme alcance a uma velocidade inédita. Os resultados positivos desta transformação são o maior testemunho da capacidade do Povo chinês e dos seus líderes que, num breve espaço de tempo, quiseram e souberam modernizar seu país e promover sua prosperidade coletiva.


Os trabalhos do Congresso Nacional Popular, que agora terminaram, indicaram de forma clara e consensual as grandes orientações programáticas colectivas os seus objetivos fundamentais. Entre elas contam-se importantes medidas socializantes visando o bem-estar dos cidadãos, a criação de emprego, o robustecimento das redes de segurança social e ainda o fortalecimento da economia.


O processo de modernização em curso na China tem tido um efeito muito positivo nas nossas relações bilaterais abrindo novas vias de diversificação e de aprofundamento numa interação mutuamente benéfica e equilibrada.

 

Nos últimos anos, assistiu-se efetivamente ao reforço da colaboração entre Portugal e a China, à crescente penetração comercial das nossas respectivas empresas e a um diálogo cada vez mais frutífero. Acresce que os investimentos chineses têm singularizado Portugal como parceiro privilegiado de Pequim, potenciado novas oportunidades, quer nos nossos respetivos países, quer através de parcerias, em países terceiros.


Logrou-se, acima de tudo, um grande despertar, tanto em Portugal como na China, para o potencial das nossas relações que hoje progridem por novos domínios como a colaboração científica e a inovação tecnológica, atestando sua modernidade dinamismo.


Tenho a convicção de que os contactos de alto nível continuarão desempenhar um papel importante no desenvolvimento da nossa amizade cooperação. Nesse sentido, aproveitaria esta ocasião para renovar o convite efectuado por carta de 27 Junho passado colocando-me à disposição de Vossa Excelência para o receber em Portugal e reiterar minha disponibilidade para efetuar uma deslocação a Pequim num momento que seja considerado oportuno.


Aproveito a oportunidade para renovar a Vossa Excelência a expressão da minha elevada estima e consideração.



Pedro Passos Coelho




publicado por Ana Catarina Santos às 13:56
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Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2013

Serviço público do Elevador da Bica: Clipping de notícias do dia

Serviço público do Elevador da Bica: Clipping de notícias do dia. 

Pensei que estava a ler um guião de um filme de terror. Mas não. São apenas as principais notícias do dia (Lusa). 




“Governo admite rectificativo para incluir novas medidas de austeridade”


“Recessão mais grave deve-se a crise em todo o espaço europeu - Passos Coelho”


“Governo justifica agravamento das projecções com conjuntura europeia - Sec Estado Finanças Manuel Rodrigues”


“Troika poderá vir a actualizar as projecções para Portugal - Oli Rehn”


“Com este resultado a recessão foi de 3,2% do PIB, mais grave que os 3% estimados na altura da sexta revisão do programa. – Oli Rehn”


“Oli Rehn diz que é prematuro falar de mais um ano para Portugal corrigir o défice”


“UE/Previsões: Bruxelas volta a adiar retoma da economia da zona euro”


“A Comissão também reviu em baixa as previsões para a taxa de desemprego, que prosseguirá este ano a sua escalada, atingindo os 12,2% na zona euro (em novembro Bruxelas estimara uma taxa de 11,8)”


“UE/Previsões: Taxa de Desemprego em Portugal deve chegar aos 17,3% em 2013”


“UE/Previsões: Bruxelas prevê recessão em Portugal de 1,9% em 2013 e ameaça com nova revisão já em Março”



Mas o Governo diz que "começamos a ter resultados" e "os objectivos definidos para 2013 foram alcançados" - sic Miguel Relvas (ouvir aqui a peça com as declarações de Miguel Relvas). 



publicado por Ana Catarina Santos às 12:44
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Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2013

As passas estavam maradas

O Governo mandou abrir um inquérito para tentar apurar em que mercearia Maria e Aníbal compraram as passas deste ano. A mensagem presidencial de dia 1 de Janeiro só pode ter uma explicação: "as passas que ele comeu à meia-noite estavam maradas. Só pode!", disse fonte do Governo, que preferiu o anonimato, ao Elevador da Bica. 

O inquérito para apurar quem foi o vendedor das passas que deram a volta à cabeça de Cavaco está a decorrer com urgência. O Elevador da Bica sabe que já há equipas especiais da ASAE preparadas para intervir assim que for identificado o autor moral deste episódio e admitem "selar e mandar fechar a mercearia em causa". 

Nos corredores de São Bento a estupefacção é geral. Fontes próximas de Passos Coelho confessaram ao EdB que está também a ser feito "um rastreio a todas as smart-shops das redondezas da Travessa do Possolo". A hipótese de as passas terem sido adquiridas numa smart-shop não está, assim, excluída. Fontes do PSD adiantam que este discurso presidencial contribuiu bastante para que a bancada laranja apressasse as propostas legislativas para apertar a fiscalização ao que se vende (e a quem) nas  smart-shops. 

Um especialista em consumo de cogumelos mágicos ouvido pelo EdB afirma que "se o mano consumiu passas da smart-shop, nem precisou de ter engolido as doze, bastaram umas quatro ou cinco para ter ficado a alucinar!" 

 

 

publicado por Ana Catarina Santos às 11:48
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Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2012

A política de comunicação: credo

O Senhor Primeiro-Ministro deu uma entrevista ao Porto Canal. Fontes próximas do Senhor Chefe do Governo garantem que está a ser equacionada a hipótese de fazer o balanço de actividade governativa do ano 2012 ao Canal CREDO (*).

 

 



* Este vídeo pode ter cenas eventualmente chocantes.

publicado por Ana Catarina Santos às 11:53
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Sábado, 17 de Novembro de 2012

Importa-se de ser mais claro?

O primeiro a ir ao Algarve na sequência do tornado foi (pasmem-se!) Marco António Costa. Não foi o Ministro da Solidariedade, mas o Secretário de Estado, garantindo prontidão nas ajudas. Mas eis que um Ministro iria entrar em cena. 

O segundo a ir ao Algarve foi, assim, Miguel Macedo. Foi lá ver, foi lá falar, foi lá ouvir, foi lá espreitar. E que mais? Ofereceu uma mão cheia de nada: "Ninguém sabe falar neste momento de dinheiro, não vale a pena estar a atirar valores para o ar um pouco ao calhas. Não faz sentido que seja assim". 

Poucas horas depois, a partir de Cádis, entra o terceiro protagonista em cena, Pedro Passos Coelho, para dizer: esqueçam tudo! O que o Macedo disse foi mal dito, não era nada daquilo. O Governo vai ajudar sim senhor. E até admite declaração de estado de emergência. 

O Primeiro-Ministro passa publicamente um atestado de inabilidade política ao seu Ministro da Administração Interna: "lamento que o Sr. Ministro não tenha sido mais esclarecedor". Diz Passos de Macedo. 

O temporal não se fez sentir apenas no Algarve. Há mau tempo, sim senhor. Na Rua Professor Gomes Teixeira. Mesmo.

publicado por Ana Catarina Santos às 20:29
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Quinta-feira, 13 de Setembro de 2012

Almocinho de Aniversário

No dia em que fazia 50 anos, Paulo Portas foi almoçar a São Bento, a sós, com Passos Coelho. Não se pode dizer que foi um almoço festivo, de celebração entre amigos. Nada disso. Consta que Portas soprou muito, mas não para as velas de aniversário. Também consta que Pedro não ofereceu presentinho a Paulo. Só porque não teve tempo de passar por uma farmácia.

 

publicado por Ana Catarina Santos às 18:13
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Quinta-feira, 17 de Maio de 2012

Memória: Quando Soares era um Passos Coelho

 

Camaleão experiente, Mário Soares acha que o PS deve desvincular-se do plano da troika. Argumenta que a austeridade é excessiva. Considera os líderes europeus uns irresponsáveis. Se calhar, tem razão. Mas o interessante é ver o que Mário Soares dizia sobre a austeridade e o programa do FMI entre 1983 e 1985, quando chefiava o Bloco Central e tinha de aplicar o chamado "grande ajustamento". Dei-me ao trabalho de passar uma tarde na hemeroteca à procura das frases de Soares para a "Sábado" e, por estranho que pareça, encontrei palavras de Passos Coelho em jornais amarelos, na boca do velho primeiro-ministro. Moral da história: no poder tudo muda. Aqui fica, para quem quiser recordar.

 

Os problemas económicos em Portugal são fáceis de explicar e a única coisa a fazer é apertar o cinto”. DN, 27 de Maio de 1984

 

“Não se fazem omoletas sem ovos. Evidentemente teremos de partir alguns”. DN, 01 de Maio de 1984

 

“Quem vê, do estrangeiro, este esforço e a coragem com que estamos a aplicar as medidas impopulares aprecia e louva o esforço feito por este governo.” JN, 28 de Abril de 1984

 

“Quando nos reunimos com os macroeconomistas, todos reconhecem com gradações subtis ou simples nuances que a política que está a ser seguida é a necessária para Portugal”. Idem

 

“Fomos obrigados a fazer, sem contemplações, o diagnóstico dos nossos males colectivos e a indicar a terapêutica possível” RTP, 1 de Junho de 1984. Idem, ibidem

 

“A terapêutica de choque não é diferente, aliás, da que estão a aplicar outros países da Europa bem mais ricos do que nós” RTP, 1 de Junho de 1984

 

“Portugal habituara-se a viver, demasiado tempo, acima dos seus meios e recursos”. Idem

 

“O importante é saber se invertemos ou não a corrida para o abismo em que nos instalámos irresponsavelmente”. Idem, ibidem

 

“[O desemprego e os salário em atraso], isso é uma questão das empresas e não do Estado. Isso é uma questão que faz parte do livre jogo das empresas e dos trabalhadores (...). O Estado só deve garantir o subsídio de desemprego”. JN, 28 de Abril de 1984

 

“O que sucede é que uma empresa quando entra em falência... deve pura e simplesmente falir. (...) Só uma concepção estatal e colectivista da sociedade é que atribui ao Estado essa responsabilidade. Idem

 

“Anunciámos medidas de rigor e dissemos em que consistia a política de austeridade, dura mas necessária, para readquirirmos o controlo da situação financeira, reduzirmos os défices e nos pormos ao abrigo de humilhantes dependências exteriores, sem que o pais caminharia, necessariamente para a bancarrota e o desastre”. RTP, 1 de Junho de 1984

 

“Pedi que com imaginação e capacidade criadora o Ministério das Finanças criasse um novo tipo de receitas, daí surgiram estes novos impostos”. 1ª Página, 6 de Dezembro de 1983

 

 “Posso garantir que não irá faltar aos portugueses nem trabalho nem salários”. DN, 19 de Fevereiro de 1984

 

“A CGTP concentra-se em reivindicações políticas com menosprezo dos interesses dos trabalhadores que pretende representar” RTP, 1 de Junho de1984

 

“A imprensa portuguesa ainda não se habituou suficientemente à democracia e é completamente irresponsável. Ela dá uma imagem completamente falsa.” Der Spiegel, 21 de Abril de 1984

 

“Basta circular pelo País e atentar nas inscrições nas paredes. Uma verdadeira agressão quotidiana que é intolerável que não seja punida na lei. Sê-lo-á”. RTP, 31 de Maio de 1984

 

 “A Associação 25 de Abril é qualquer coisa que não devia ser permitida a militares em serviço” La Republica, 28 de Abril de 1984

 

“As finanças públicas são como uma manta que, puxada para a cabeça deixa os pés de fora e, puxada para os pés deixa a cabeça descoberta”. Correio da Manhã, 29 de Outubro de 1984

 

“Não foi, de facto, com alegria no coração que aceitei ser primeiro-ministro. Não é agradável para a imagem de um politico sê-lo nas condições actuais” JN, 28 de Abril de 1984

 

“Temos pronta a Lei das Rendas, já depois de submetida a discussão pública, devidamente corrigida”. RTP, 1 de Junho de 1984

 

“Dentro de seis meses o país vai considerar-me um herói”. 6 de Junho de 1984

publicado por Vítor Matos às 13:50
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Sexta-feira, 23 de Março de 2012

Ele há coincidências tramadas

No mesmo dia em que a polícia decidiu agredir jornalistas que acompanhavam uma manifestação, o primeiro-ministro decidiu fugir a um grupo de manifestantes e sair pela porta dos fundos.

publicado por Filipe Santos Costa às 10:27
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