Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2007

O prémio

Na edição do passado fim-de-semana, o Expresso citava uma fonte anómima do BCP que se queixava, amargamente, de o Banco de Portugal ter comprometido o sucesso da oferta pública de aquisição sobre o BPI. Pelo meio, ficavam insinuações de que o banco central, liderado por um antigo quadro do BPI, não estaria a ser imparcial, ao autorizar o La Caixa a aumentar a sua participação na instituição liderada por Fernando Ulrich.

Em circunstâncias normais, Vítor Constâncio podia, e devia, ter-se limitado a ignorar as acusações que lhe foram dirigidas por um (potencial) mau perdedor. E em circunstâncias anormais, como são as actuais, também. Mas o governador acusou o toque que, entre outros efeitos, era precisamente o que a tal fonte anónima e cirúrgica, na tradição do fundador do BCP, Jorge Jardim Gonçalves, pretendia.

O que surpreende é que o Banco de Portugal e, sobretudo, o seu líder, imperturbável em relação a muitos outros acontecimentos de relevo, alguns envolvendo investigações judiciais a instituições financeiras sobre as quais detém a tutela de supervisão, tenha emitido um comunicado e realizado uma conferência de imprensa sobre a matéria. Tudo isto para garantir que o banco central tem actuado com imparcialidade. A esta hora, a sibilina fonte anónima deve estar a divertir-se com o incómodo de Constâncio. Merece o prémio.
publicado por João Cândido da Silva às 19:00
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