Quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2007
Ontem, Cavaco Silva disse isto à
Lusa sobre a futura legislação do aborto:
- «"Sem que isso possa significar uma intromissão nas competências de outros órgãos de soberania, espero que se procurem soluções de bom senso, equilibradas e ponderadas
que possam ajudar a unir os portugueses"».
- «Para Cavaco Silva, não se pode "rejeitar a possibilidade de estabelecer consensos alargados" numa matéria que "pode ter causado
rupturas na sociedade portuguesa", durante a campanha para o referendo da despenalização do aborto até às 10 semanas».
Há oito anos, no dia 26 de Junho de 1998, tinha dito à Lusa o seguinte:
- «"Sou contra a alteração da lei que está em vigor. Penso que foi um grande erro abrir este debate porque
é uma matéria que divide os portugueses. Era bom que os esforços fossem orientados para outras preocupações"».
- «Na hipótese de de o referendo não ter carácter vinculativo, o ex-primeiro-ministro afirmou que,
mesmo que o "Sim" ganhe, "a lei não devia ser alterada", remetendo, no entanto, essa matéria para os juristas»
Ora, e quem é o melhor sogro de sempre? Quem é?
Carmona Rodrigues, porque deixou tudo à nora.
Se a câmara de Lisboa já estava à nora, agora a nora deve estar felicíssima, ao ouvir Carmona anunciar que quer pagar um seguro de saúde para as crianças que nasçam em Lisboa (
aqui). Até parece que já está em campanha eleitoral.
Quarta-feira, 14 de Fevereiro de 2007

Esta gente que ao fim-de-semana faz a linha do Douro, para almoçar no Tua, e depois se passeia nas carruagens como a que está no leito do rio, teve a sua sorte. O momento em que os carris cederam - sempre esse cruel acaso, o do "momento errado" -, apanhou uma carruagem quase vazia. Ou então teríamos outro drama como o de Entre-os-Rios. Os acidentes acontecem, claro. E raramente se dão nos caminhos-de-ferro. Mas esta linha, das mais belas do país, merece cuidados: há populações esquecidas que dependem dela e pode ser melhor aproveitada para o turismo.
Foto: VM
Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007
A minha mãe telefonou-me do Alentejo, dois minutos depois do terramoto, a saber se aqui por Lisboa estava tudo bem. Os copos tilintaram nos armários, a jarra andou por sobre a mesa, a cadela uivou... foi só um susto. Em Grândola, o "Sim" teve 89,35% e em 1998 tinha sido o concelho com maior percentagem de "Sim". Só quando olho para números destes é que percebo o caldo de cultura em que cresci (nota: mas nunca fui comunista). Olhando para o mapa do Sim e do Não, percebemos como em Portugal há dois países tão diferentes. Não me admirava nada que já houvesse vozes populares por aí a falar em aviso divino...
A minha cara amiga ITM defende coisas aqui no
Corta-Fitas que fariam de Portugal uma Irlanda: nessa linha de pensamento, uma miúda de 13 anos brutalmente violada seria obrigada a parir o filho de um crime; uma mulher que soubesse que o filho nasceria morto não poderia abortar porque isso é eutanásia; uma mãe em risco de vida teria de esperar para se perceber mesmo que a sua vida estava em risco, antes de se optar pela sua própria vida. Escreve ITM:
"Em consciência não poderia votar sim porque não encontrei maneira de atenuar o mal de se acabar legalmente com uma vida humana. Aqui não há meio termo. Ou se mantém, ou se destrói". Acho que as opiniões, legítimas, é claro, de muitos adeptos do "Não", sobretudo dos mais católicos, dão uma ideia clara do tipo de País em que gostariam de viver.
Domingo, 11 de Fevereiro de 2007
20h35
O Sim ganhou!
Em 1998, o Não venceu e, embora o resultado não fosse vinculativo, o resultado foi respeitado. Agora, o Sim ganha nas mesmas condições e o resultado também deve ser respeitado. Duvido que Cavaco não promulgue a lei, apesar da sua opinião de há oito anos, a que me refiro neste
post.
São 19h40
Se a maioria dos portugueses não quis votar no referendo, estão identificados aqueles que votaram em Salazar e em Cunhal para o Grande Português. Os abstencio-abortistas não se importam com a existência de eleições, portanto, também não se devem importar de viver sob os regimes daqueles que também não gostam de escolhas democráticas.
São 19h33
Os abstencionistas são verdadeiros abortistas neste referendo ao aborto. Devem ser penalizados por isso? Não. O problema é que esta taxa de participação reflecte o desinteresse da maioria da população pelo tema do aborto, pelo problema do aborto clandestino, sobre a questão da vida ou não vida... Na verdade, os portugueses estão-se nas tintas e nas tintas para todos os probelmas de fundo que estiveram em debate. E se a maioria se está nas tintas, são os representantes na AR que devem legislar. O povo demite-se de tomar o seu destino nas mãos, mas os eleitos não o devem fazer.
São 19h20
Sem 50% de votantes e se o Sim ganhar, vai ser uma confusão: porque o referendo não é vinculativo; porque mesmo assim o PS, o PCP, o BE e algum PSD se sentirão legitimados a legislar sobre o aborto na Assembleia; e porque Cavaco Silva em 1998 disse, numas declarações à Lusa, que se o referendo daquele ano não fosse vinculativo, não devia ser alvo de legislação mesmo que o Sim ganhasse. Se Cavaco não mudou de opinião, vamos ter um 31...
São 19h10
Mais uma vez, parece que ganharam os que não quiseram participar no referendo. A regra dos 50%, como se prova, é estúpida, porque deixa quem participa refém de quem se recusa a fazê-lo. É uma regra injusta numa democracia e desta vez a confusão será maior, porque é mais provável uma vitória do Sim que do Não.