Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007

Dêem-lhe já a taça

O país anda agitado com a possibilidade de Salazar ou Cunhal vencerem o programa da RTP, Grandes Portugueses. Eu também acho que seria uma enorme injustiça que o antigo ditador ou o candidato a ditador fossem distinguidos com o primeiro lugar neste jogo.

Na minha opinião, dada a manipulação militante que se está a verificar com o objectivo de melhorar o desempenho daquelas duas personalidades, só há uma figura realmente merecedora de ocupar o topo da classificação.

Chama-se Chico Esperto e, em tempos de crise ou de abastança, anda sempre por aí, na direita, no centro ou na esquerda, a magicar uma forma de enganar os outros, ludibriar as regras e ficar-se a rir. Esse, sim, não só é um grande português, como também é um genuíno português.
publicado por João Cândido da Silva às 20:38
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Regresso ao passado em Lisboa

Uma sondagem do Correio da Manhã indica que a maioria dos lisboetas inquiridos defende que devem realizar-se eleições intercalares para a liderança da Câmara Municipal de Lisboa. Não se pode dizer que o mandato de Carmona Rodrigues esteja a decorrer de forma particularmente positiva, mas a questão de ir a votos parece ser, neste momento, prematura.

Por um lado, é necessário verificar se as investigações do "caso" Bragaparques atingem outros centros de poder dentro do actual Executivo, para perceber até que ponto as suas eventuais responsabilidades políticas, ou de outra natureza, tornam desaconselhável a sua permanência no cargo. Depois, a avaliar pelos resultados da própria sondagem, há um aspecto pragmático a ponderar. Na esquerda, João Soares surge neste momento como o putativo candidato mais bem colocado. Na direita, é Pedro Santana Lopes quem aparece no topo das preferências.

Ora, convinha, antes de tomar decisões precipitadas, que fosse dado algum tempo aos partidos para encontrarem soluções que não fossem mais do mesmo ou que evitassem um regresso ao passado, mesmo que os "nomeados", como está a suceder com Soares filho, comecem desde já a colocar-se em bicos dos pés. Santana Lopes versus João Soares numa corrida à Câmara de Lisboa? Outra vez? E até quando?
publicado por João Cândido da Silva às 19:29
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O perigo e a liberdade

Orhan Pamuk cancelou uma visita à Alemanha por recear pela sua intregridade física, sobretudo depois do assassinato a tiro, em Istambul, do jornalista Hrant Dink. Os nacionalistas turcos não gostam que se fale em factos históricos pouco edificantes na história do país, como a liquidação de cidadãos arménios pelo Império Otomano, por altura da Primeira Guerra Mundial.

Não está em causa a legitimidade da decisão do escritor que venceu o Prémio Nobel da Literatura em 2006. Verdadeiramete alarmante, é verificar que o radicalismo vai fazendo o seu percurso, condicionando as liberdades e conseguindo promover a prática da auto-censura. O mundo está um lugar perigoso. E mais preocupante é que, para afastar o perigo, é preciso abdicar da liberdade.
publicado por João Cândido da Silva às 15:20
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O mesmo filme

A aproximação dos regimes de penalizações, nos casos de reforma antecipada, entre o que vigora na função pública e aquele a que estão sujeitos os restantes contribuintes foi adiada. O Governo, que não se cansa, nas suas acções de propaganda, de clamar contra os privilégios e as corporações, cedeu à pressão dos sindicatos. E aquilo que estava previsto para 2008, foi mandado mais para a frente, lá para 2015, quando Sócrates tiver cumprido o seu eventual segundo mandato.

O ímpeto reformista do Governo quando se trata de enfrentar o insaciável sorvedouro dos recursos do país em que, ano após ano, se foram transformando as administrações públicas, afrouxa de modo preocupante. Começa a parecer claro que o ligeiro arrebitar do crescimento está a fazer com que o Executivo confie que não será necessário curar as doenças graves como a da Função Pública, porque o aumento das receitas fiscais permitirá cobrir as despesas e a subida do produto interno bruto possibilitará baixar o peso daquelas sobre a riqueza gerada pelo país.

O país já assitiu a este filme e também já sabe como acaba, mais dia menos dia. Estaremos à beira de mais uma oportunidade perdida? Será uma estratégia para que fiquemos todos mais pobres, mas capazes de, finalmente, competir com os salários chineses?
publicado por João Cândido da Silva às 15:02
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