Quinta-feira, 26 de Julho de 2007

Yoko e Lennon

Declaração de interesses: sim, faço parte daquela facção de fãs ressabiados dos Beatles que considera que a responsabilidade pela desagregação da banda foi de Yoko Ono.

Posto isto, acabei de ler um livro sobre a vida de John Lennon, escrito por um jornalista norte-americano que conviveu com o ex-Beatle durante os anos sessenta e, posteriormente, com o casal Ono-Lennon. É laudatório mas, ainda assim, honesto.

Conta, por exemplo, como Yoko sugeriu a John que arranjasse uma amante, tendo já em vista a assistente May Pang, aquela que considerava ser a mulher ideal para entreter o marido durante uns tempos e ajudar, assim, a resolver uma crise no casamento.

E conta, também, como Lennon, o herói da rebeldia e da irreverência, começou por reagir com grande irritação, mas acabando por aceitar a ideia, abandonando Yoko durante 18 meses para ir passar o seu "lost weekend" em Los Angeles e Nova Iorque, mergulhado em alcool e drogas, numa espiral de decadência a que Yoko se poupou e que May Pang aceitou suportar.

A questão pode não ter grande importância, mas lá que a Yoko sabia manipular o John, não restam muitas dúvidas. Faz lembrar um romance de Gabriel Garcia Marquez, em que a personagem principal, macho orgulhoso mas sobre quem corria o rumor de que em sua casa quem mandava era a mulher, costumava garantir: "lá em casa só se faz aquilo a que eu obedeço".


publicado por João Cândido da Silva às 16:23
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Assim se vê a natureza do PC

Acho muito bem que o PCP assuma, muito de vez em quando, aquilo que realmente é. Na Festa do Avante! vai "comemorar" os 90 anos da Revolução de Outubro (ver post do Francisco José Viegas). Vejamos: comemorar. A palavra tem o seu peso. Mais: o primeiro Estado proletário do mundo. Pois. Num regime aberto como a nosso, como é que o PCP consegue fazer-nos esquecer todos os dias a sua verdadeira natureza, parecendo conviver bem com a democracia, e manter aquela percentagem de votos que, ainda assim, não é negligenciável? O ano passado foram os assassinos das FARC. Este ano isto. E ainda há fiéis que acreditam.
publicado por Vítor Matos às 15:09
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O longínquo oeste

O longínquo oeste onde não chega o braço da lei, ou melhor, onde só chega o braço da lei que aceitam os que lá estão, flutua em pleno Atlântico e, diz-se, é uma pérola. Se pega a moda, Alberto João só aceita as leis que entende. Provocou eleições antecipadas porque a Lei das Finanças Regionais lhe roubou 2% (!) do orçamento. Agora recusa-se a aplicar uma lei da República com a legitimidade que saiu de um referendo nacional. Portugal é um Estado unitário. E a lei aplica-se a todo o território nacional. A leste, o Presidente da República, que deve ser o garante da Constituição e da unidade nacional, sacode a água do capote para os tribunais. Que estes resolvam o problema. Será por serem as tristes abortadeiras que estão em causa?
publicado por Vítor Matos às 11:54
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Quarta-feira, 25 de Julho de 2007

It's the economy, stupid!

Eis toda a verdade sobre a baixa natalidade em Portugal: "Os jovens adultos portugueses (...) saem cada vez mais tarde da casa dos pais, tem cada vez mais dificuldade em encontrar um emprego relativamente estável e bem remunerado, ganham pouco durante demasiado tempo e, quando finalmente estabilizam a sua situação, constatam que não têm tempo para cuidar das crianças". Está no Diário Económico de hoje, uma peça do Luís Reis Ribeiro.

Parece-me que as medidas do Governo - à excepção do aumento do número de vagas nas creches -, vão servir para o Estado gastar mais, promovendo a natalidade junto daqueles que deviam ter mais cuidados em procriar: os mais pobres, para quem os subsídios têm maior relevo. Nas classes médias o efeito será nulo, porque o que importa são as condições e estilo de vida dos futuros pais.
publicado por Vítor Matos às 16:01
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Terça-feira, 24 de Julho de 2007

No país do faz de conta

O meu problema nem é o trabalho infantil remunerado, ou seja, as criancinhas figurantes que foram contratadas a 30 euros pela empresa de casting para fazerem de conta que estavam a ter um choque tecnológico. Fazer de conta é uma brincadeira para qualquer criança. O que me aflige é outra coisa: quem contratou o senhor que foi fingir que era primeiro-ministro e a senhora que fez de ministra da Educação?

Nós podemos fingir que aplaudimos enquanto choramos porque o espectáculo está a tornar-se muito triste.
publicado por Vítor Matos às 22:34
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Tiro no submarino

Tendo sido Abel Pinheiro acusado no caso Portucale, Paulo Portas e o CDS têm agora mais uns meses para meditar sobre a possibilidade de exercício da acção política; note-se que há arguidos do lado do BES que estavam ligados, por via da Escom, às contrapartidas do concurso dos submarinos. São inocentes até ao fim do julgamento. Mas que isto incomoda, incomoda.
publicado por Vítor Matos às 22:16
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E agora?

Três meses para que, finalmente, a ministra da Educação fosse atacada de bom senso em relação a esta matéria. Depois disto, o que vai suceder à directora da DREN e ao bufo que denunciou Fernando Charrua? A delacção compensa? A perseguição injustificada a um funcionário não tem consequências?
publicado por João Cândido da Silva às 17:20
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Um Estado moderno

Há dias, fui convidado pelo Fisco a declarar se tinha pago rendimentos a alguém, em 2006. Não foi o caso o que, de qualquer forma, me obrigou a preencher uma cartinha e a ir entregá-la à respectiva repartição de Finanças.

No balcão do IRS, estavam nove "clientes" à minha frente. Como o tempo de que dispunha era escasso, decidi tentar desafiar a burocracia. Dirigi-me a outro departamento, expliquei que apenas queria entregar a algum funcionário a missiva em causa, despachando aquela obrigação de cidadão cumpridor.

Não foi possível. Ou regressava à fila, esperando provavelmente uma hora para resolver o problema, ou tinha que me dirigir a uma estação de correios, pagar o selo e colocar a carta no marco adequado. Protestei, com a civilidade própria de quem não gosta de enervar as feras, e consegui que a chefe de repartição me viesse atender.

Com ar grave, a senhora repetiu-me o que o diligente funcionário anterior me tinha dito. Perguntei-lhe, então, onde ficava situada a caixa de correio daquele serviço porque, sendo assim, e visto que já me tinha dado ao trabalho de me deslocar ao local, pouparia algum tempo e dinheiro se me fosse dada a possibilidade de lá depositar a controversa declaração.

Os meus argumentos não a comoveram. Agradeci, resignado, tentei não pensar na carga fiscal que os contribuintes portugueses são forçados a suportar para sustentar funcionários que têm gosto em demonstrar a agilidade de um tijolo e lá fui em direcção a uma estação dos CTT.

Aguardei pacientemente pela minha vez de ser atendido, desembolsei o preço de um envio através de correio azul, porque o Fisco anda impaciente e não vale a pena brincar com os prazos, e regressei, por fim, aos meus afazeres do dia, depois de meia manhã perdida com a execução de uma tarefa que, por ingenuidade minha, até me parecera simples.

Tudo isto sucedeu apenas uma semana após me ter sido enviada uma notificação para pagar uma coima injustificada, o que me levou, a mim e a 70 mil outros contribuintes, a perder mais umas horas preciosas para obter o reconhecimento de que o Fisco não tinha qualquer razão. Será pedir demasiado sugerir à administração fiscal que demonstre um pouco mais de consideração por quem a financia?
publicado por João Cândido da Silva às 16:35
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À atenção de Francisco Louçã

Luís Filipe Menezes candidata-se à liderança do PSD porque acha que é necessário ir para a porta das fábricas protestar contra o seu encerramento. Eu julgava que Menezes queria fazer oposição ao Governo de José Sócrates, mas parece-me que, para começar, quer tirar o lugar a Francisco Louçã. Perante uma crise na direita, o autarca decide atacar pela esquerda. Está bem visto.
publicado por João Cândido da Silva às 16:25
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Quinta-feira, 19 de Julho de 2007

Mariscada pop

Eis um disco ao qual vale sempre a pena regressar. Representou uma ruptura e uma fortíssima lufada de ar fresco quando foi lançado. Antes, nada soara como os B-52's. Depois, nem a própria banda foi capaz de voltar a fazer algo tão surpreendente. Rock Lobster é um daqueles temas que fica bem em qualquer banda sonora cujo tema seja o Verão. Play loud!
publicado por João Cândido da Silva às 12:39
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