Domingo, 30 de Setembro de 2007
A história tem a sua força e, PSD, há um determinismo que se confirma com a vitória de Menezes e que eu escrevi
aqui no dia 10 de Junho: todos aqueles que concorreram a líder acabaram por tornar-se líderes (a excepção é Freire Antunes, que chegou a apresentar-se contra Marcelo, mas nunca se recandidatou).
"Desde o Congresso da Figueira da Foz, em 1985, todos aqueles que concorreram a líder uma vez acabaram alguma vez líderes do partido: Nogueira, Marcelo, Barroso, Santana, Mendes. Por isso, o PSD não deve menosprezar aqueles que marcam terreno"
Pensei que Menezes tinha perdido a eleição para líder do PSD logo ali, quando cometeu erros de seguida após o discurso do "pequeno tirano". Afinal ganhou com vantagem, contrariando as previsões de quase toda a classe jornalística. Três razões para o resultado ser tão inesperado: a) a ausência de sondagens cega os analsitas; b) o facto de os jornalistas terem as elites como fontes, faz com que percam a noção do que pensa a maioria dos militantes de base; c) um eleitorado de nicho partidário comporta-se de modo diferente de um eleitorado universal.
Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007
"Nunca interrompas um inimigo enquanto ele persiste no erro". Não sei se a frase é de Napoleão, de Clausewitz ou de Sun-Tzu. Mas, até ver, Mendes actua como se conhecesse esta máxima, o que compensa o facto de parecer que nunca leu Maquiavel.
Afinal a toponímia tem destas coisas. Em Portugal temos Montemor-o-Novo, Montemor-o-Velho, há Carvalhal de norte a sul, Vendas Novas e Torres Novas. No Brasil, parece haver duas Maringas. A dos índios da Amazónia e a dos portugueses abastados, no Paraná. Menezes, pistoleiro, escolheu a Maringa que encaixava na sua teoria da conspiração. Pistoleiro, foi mais rápido a puxar da pistola e falhou o tiro. Sabe-se que, nessa situação, pistoleiro seguinte está em vantagem para desferir o tiro mortal.

- Agora digam todos comigo...
- Gaaaanda nóiaaaa!!!
Duvido que isto pudesse acontecer noutro País civilizado: uma televisão convida um ex-líder partidário, ex-primeiro ministro, para uma entrevista e interrompe a emissão a meio para um directo onde um treinador de futebol sai do aeroporto para entrar num carro. Aliás, não creio que se interrompesse uma entrevista de Guterres ou Barroso, a não ser em caso de verdadeiro cataclismo. Como era o Lopes... Santana, ao seu estilo, foi-se embora da SIC-N e fez bem. Duvido que para a próxima se imponha o frenesim do directo de uma não notícia.
É claro que, apesar dos títulos sensacionalistas destes posts, o PSD não vai acabar. Depois de se conhecer o vencedor das directas, meia dúzia de senadores do partido hão-de começar a conspirar para criar uma plataforma de salvação partidária e ressuscitar o morto. Enquanto isso, Sócrates coça a barriga e ri.
Quarta-feira, 26 de Setembro de 2007
Menezes - a sua personalidade emotiva traíu-o. Perdeu a compostura e podia ter feito as mesmas críticas com elevação, sem dar armas ao adversário. Aquele discurso de ontem, a chamar "pequeno tirano" a Mendes deve ter-lhe tirado muitos votos (se houver eleições). Foi uma demonstração pública de como tem pouco nervo para aguentar uma liderança. Tudo isto, mesmo que ganhe, se voltará contra ele. Está condenado.
Mendes - a frieza da sua personalidade traíu-o. Quem não se sente não é filho de boa gente e Mendes teve uma resposta fraca. Não se consegue livrar da suspeita de que quis controlar o acto eleitoral a partir da secretaria-geral. Se tivesse de boa-fé logo de início, tinha deixado cair o argumento estatutário de que as eleições são organizadas pela secretaria-geral, e aceitava que fossem organizadas por uma comissão independente. O CDS teve uma COD (Comissão Organizadora das Directas). Quem organizou as eleições do PSD foi a própria equipa de Marques Mendes. Tudo isto, mesmo que ganhe, se voltará contra ele. Está condenado.
Dizer que o PSD é o partido mais português de Portugal é hoje uma boa imagem para se perceber por que é o País assim. Contorna-se a lei e o espírito da lei e diz-se com descaramento que não se desrespeitou a lei. Vive-se de esquemas. Espera-se que o porreirismo vigente feche os olhos às falcatruas, aos prazos, ao não pagamento das contas a tempo e horas. Enfim, pregam-se os bons costumes mas não se praticam. A cultura das democracias liberais não está, de facto, entranhada nem nos partidos, nem o PSD, nem no País.
Se a luta pelo poder interno num partido tem estes contornos, podemos imaginar o que as pessoas são capazes de fazer quando estão num Governo, numa câmara, no poder? No PSD, todos fazem batota e todos acusam os outros de batoteiros. Como é que um partido pode encher a boca com a Democracia e depois funcionar assim? Admiram-se que cada vez menos gente queira sujar as mãos na política. Cada vez menos gente séria e com espírito de missão o quererá fazer.