Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007

Tudo em família e sem vergonha

Há uns quantos eurodeputados portugueses que contrataram familiares para trabalharem como assessores no Parlamento Europeu: Edite Estrela, Capoulas Santos, Manuel dos Santos, do PS e Duarte Freitas, do PSD. Pelo menos estes. A história está na revista Sábado (sem link) de ontem. Os eurodeputados têm um orçamento que podem gastar como entenderem no seu gabinete. E lá vêm as filhas, genros, irmãos, enteados, enfim... A contratação de familiares até podia nem ser um problema, porque primos, parentes, cunhados podem ser os profissionais mais competentes do mundo. O problema está na atitude irresponsável dos nossos mui democratas representantes: recusam-se a dar o currículo desses familiares e recusam dizer quando pagam à parentesca. Tendo em conta que o dinheiro não lhes pertence, mas sim aos contribuintes europeus, mostram um grande sentido das responsabilidades e de amor pela transparência democrática. É óbvio que nem o podem fazer. São obrigados a divulgar esses elementos nem que seja por imperativo ético. Isto é de uma falta de vergonha que me envergonha.
publicado por Vítor Matos às 18:54
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Quinta-feira, 29 de Novembro de 2007

Momentos Thatcher

André Macedo, director-adjunto do Diário Económico conhece a Índia. E conhece a Europa. E tem a sorte de viver na Europa e não na Índia. No editorial de hoje, no DE, defende Sarkozy e as necessidades de reforma na Europa. De acordo. A França precisa de "um momento Thacher", como ele escreveu. Como toda a gente escreveu. O problema é comparar a Índia com a Europa. Por mais que a Europa precise de reformas, por mais que o sistema de previdência precise de se tornar sustentável, o exemplo a seguir não pode ser o da Índia. Ele esquece os salários da Índia, a protecção social da Índia, as crianças que trabalham na Índia, as leis do trabalho na Índia, as castas da Índia, as exigências que as empresas não têm de cumprir na Índia... Enfim, pior que fraco, o argumento é intelectualmente desonesto. França e Portugal precisam de um momento Thatcher: como ela resistiu à greve de mineiros, Sarkozy deve resistir às greves francesas e Sócrates deve fazer a reforma da Administração Pública e deixar passar a greve de amanhã. O que Portugal não precisa é de um momento terceiro mundista.
publicado por Vítor Matos às 15:40
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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007

Reencarnar com papel de 25 linhas

Misturar política e religião é um erro e um absurdo e depois dá nisto. O Dalai Lama propôs que a escolha do próximo Buda vivo seja feita por referendo, quando a via normal da sucessão era a da reencarnação - portanto, por via da fé, e não de um processo político. A um laico e ateu isto até parece mais adequado, porque o Dalai Lama torna-se chefe de um Estado, mesmo no exílio. Mas a razão por que o líder budista toma esta posição é ainda mais ridícula. Para controlar o processo político na sua província, o Governo chinês - todo ele muito crente, como se sabe - impôs esta regra: as reencarnações têm de ser aprovadas por Pequim. Já estou a ver o cidadão tibetano a chegar ao guichet e a dizer: "Olhe, venho aqui tratar da reencarnação". E toca de preencher papéis.
publicado por Vítor Matos às 15:58
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Todos os pactinhos

Para quem não queria pactos com o PS e quis rasgar o da Justiça não está mal. Em apenas dois meses de liderança, Luís Filipe Menezes pactuou mais do que Marques Mendes em dois anos:
a) propôs um pacto para obras públicas;
b) negociou um pacto para a segurança interna, o que implicou aceitar a chefia centralizada das polícias, que Marques Mendes tanto criticou;
c) chegou a acordo nas leis eleitorais, que revolucionará parte do sistema democrático;
publicado por Vítor Matos às 15:21
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O Correio da Manhã inspira-nos

O Correio da Manhã é um jornal que merece atenção. Dá-nos todos os dias o retrato de um país escondido, mas que existe. O crime de faca e alguidar não é apenas uma boa história jornalística. A soma de histórias diárias do CM podia ser fonte de inspiração de guionistas, escritores e cineastas. Vejamos a edição de hoje:

- O psicopata assassino que comeu o sogro na casa de Sintra - boa história para um thriller. A antropofagia no cinema já teve o auge com Hannibal Lecter, mas esta é uma história de canibalismo verídica.

- Gang atacou McDonald’s – Assaltantes levam quatro mil euros – o assalto com a caçadeira de canos serrados dá sempre uma boa cena de filme e tem tudo a ver com o último livro de António Lobo Antunes, O Meu Nome é Legião.

- Os assassinos do trimarã dizem "não matámos!" – as mortes em barcos são um clássico do cinema, estilo Cabo do Medo. Esta é uma história imbatível.

- Prova guardada em cofre – Tecido da mala do carro denuncia transporte do cadáver de Maddie – Série de televisão campeã de audiências, uma co-produção BBC e RTP: neste caso, o CSI Praia da Luz.

- Grávida agredida perde o filho – servícias graves do companheiro estão a ser investigadas pelo MP – dava sempre mais um livro de Lobo Antunes.

- Ferro vai testemunhar – duas vítimas mencionaram o nome do ex-líder do PS no julgamento de pedofilia – Série de televisão na terceira ou quarta sequela.

- Chefe de serviço agride médica – adaptação da Anatomia de Grey para Portugal. A acção decorre num hospital algarvio.

- Homicídio de Taxista - PJ prende ex-mulher – à primeira fui enganado. Comecei por achar que o polícia tinha prendido a sua própria ex-mulher, e aqui estava mais um enredo de policial barato. O detective descobre que quem matou o taxista foi a sua ex-mulher, não a ex-mulher do taxista, mãe dos seus dois filhos...

- Sócrates abandona Governo – é uma frase de Luís Filipe Menezes, mas podia ser um episódio da IV série dos Homens do Presidente à portuguesa, depois de: “Guterres abandona Governo”, de “Barroso abandona Governo”, e de “Santana obrigado a abandonar Governo”.
publicado por Vítor Matos às 14:52
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Terça-feira, 27 de Novembro de 2007

Carta aberta a VPV

Meu caro Vasco,
Não nos conhecemos, portanto, serei directo e conciso, como os ingleses que tanto aprecia: quando tiver mais uns 200 ou 300 livros para tirar de sua casa, mande-me a lista aqui para o Elevador, que estarei seguramente interessado nuns quantos, com o compromisso de que lhes darei bom uso. Pode ser um contributo decisivo para reduzir a minha iliteracia, um aspecto que tanto critica aos portugueses, e ajudar-me-á a economizar uns trocos nas encomendas à Amazon.
Com os melhores cumprimentos,
VM

PS: Escusa de mandar o Rio das Flores.
publicado por Vítor Matos às 16:33
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Mistérios da vida moderna - 9

Por que motivo as empregadas das lojas Companhia das Sandes, depois de terem sido solicitadas a servir um cachorro com mostarda, pedido confirmado e reconfirmado a pedido das próprias, insistem em servir um cachorro acompanhado da mostarda, sim senhor, mas também de batata frita palha? "Um cachorro com mostarda" é uma expressão susceptível de gerar equívocos? Porquê?
publicado por João Cândido da Silva às 16:05
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Mistérios da vida moderna - 8

Por que motivo de cada seis em dez vezes que faço compras nas lojas Fnac, há um qualquer cliente à minha frente, na fila para uma das caixas, que tem problemas com a leitura dos códigos de barras, com o cartão de débito ou de crédito, ou com outra coisa qualquer, forçando o empregado a clamar por ajuda, provocando um tempo de espera irritantemente incompatível com a qualidade de serviço? Não há ninguém que consiga eliminar a praga de "bugs" que bloqueia os neurónios virtuais da Fnac?
publicado por João Cândido da Silva às 15:58
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...

Sem querer, dei por mim a abusar dos pontos de exclamação. Por não gostar de andar aos berros, auto impus-me, neste momento, uma moratória contra esses entusiasmos.
publicado por Vítor Matos às 00:30
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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007

Vai ser OPA, pá!

Muitas lágrimas de arrependimento serão vertidas um dia destes, quando o BCP for comprado através de uma OPA hostil de um grande banco estrangeiro. A não fusão com o BPI pode parecer razoável face às justificações invocadas agora, mas daqui a uns anos haverá gente - aqueles que defendem a manutenção dos centros de decisão nacionais - a chorar sobre a oportunidade perdida. Veremos, veremos.
publicado por Vítor Matos às 21:11
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