Sábado, 28 de Fevereiro de 2009
Golpe de teatro. Não estava na bolsa de apostas. Pelo menos entre os primeiros. Sócrates procura estancar o castigo e a fuga de votos à esquerda. Oiço dizer por aqui que é mau candidato. Se for como nos tempos do camarada Vital do PC, não sei não. Agora é vital o PSD pôr as suas cartas na mesa...
Estou no congresso do PS. Sento-me ao lado de um amigo da Lusa. Ele tem o Twitter aberto. Uma das mensagens chama-me a atenção: é o Filipe, a dizer que o Henrique e o Miguel estão a ver o congresso do PS na televisão. Em vez de brincarem. Estamos a criar monstros, diz ele. Gostam de ver o Marcelo. Ele depois explica porquê: o Henrique só tem 4 e o Miguel só tem 3 anos. São filhos de jornalistas. Pois. Um é filho dele. O outro é meu. Soube do meu filho porque olhei para um computador e falavam dele no Twitter...
«Em democracia, quem governa é quem o povo escolhe e não um qualquer director de jornal com as suas campanhas. Não é nenhuma televisão com as suas manipulações, nem é nenhum cobarde com as suas cartas anónimas. O povo em democracia é quem mais ordena»
José Sócrates, no congresso do PS, 18v no índice de populismo ou é disto que o meu povo gosta
Neste momento, na tenda da JS, em cujos computadores muito "chique tecnológico" escrevo, ouve-se Jaime Gama com música lounge ou pop por fundo. "Ó camarada, já ouviste a última mistura dos discursos do Gama?"
A sério: o Sócrates vai ter um site tipo o do Obama, onde a malta tem de deixar os dados todos. Só não dá para fazer doações, que isto não é a América. Uma pena.
Até agora o congresso do PS é uma mão cheia do mesmo partido que se ouve nos telejornais. Aqui, pelos vários espaços da nave dos desportos de Espinho, só há dois assuntos: quem será o cabeça-de-lista às europeias e se Manuel Alegre vem ou não vem.
O poder seca, corta a criatividade e o povo partidário gosta de se submeter. Até Edmundo Pedro pediu desculpa a Sócrates por ter falado no medo de falar dentro do partido.
Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009
Ao fim da tarde, começará mais um daqueles congressos de louvor a um caudilho, onde o Poder até reza ao Grande Arquitecto para que apareça alguém a fazer o jeito de dizer mal, para depois um da tribo do chefe explicar que no partido todas as vozes contrárias fazem a riqueza da organização.
«Não há nenhum primeiro-ministro, mesmo que esteja com 40 graus de febre, que não tenha obrigação de estar presente [na cimeira europeia]. É inaceitável que José Sócrates ponha uma festa do PS à frente dos interesses do País».Manuela Ferreira Leite, na TSF. 17valores no índice de populismo contra o qual se candidatou
Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009
De facto, ter de dar
explicações sobre negócios com clientes quando se é responsável de uma instituição pública, é uma grande maçada. O melhor seria, talvez, reformular a legislação sobre segredo de Estado e incluir neste saco tudo e mais um par de botas para que as transacções se possam fazer, tranquilamente, por detrás do biombo.
«Parece-me que mentir atingiu proporções tão epidérmicas na nossa cultura e entre as nossas instituições em anos recentes, que nos tornámos imunes. Que raio aconteceu à mais honesta indignação?»
Benjamin Bradlee, "Lying" - um dos textos no livro "Do The Media Govern?" [Ben Bradlee foi director do Washington Post durante o Watergate]
«Não tenho indicações, não tenho ordens e era o que falta que eu tivesse de responder pelos actos de gestão administrativa da Caixa Geral de Depósitos.»Teixeira dos Santos, no Parlamento. 19v no índice do eu é que mando quando é preciso mas agora deixa-me assobiar para o ar