Quinta-feira, 30 de Abril de 2009

Os partidos aprovaram por
unanimidade. Não foi o Bloco Central. Foi todo o espectro partidário. É coisa para desconfiar. Dinheirinho toca a
todos. Segundo a lei anterior, os partidos só podiam receber 22.500 euros de contribuições em dinheiro vivo. A partir de ontem, o limite passa a ser de 1,2 milhões de euros, 55 vezes mais. A lei é feita para acomodar os protestos do PCP, que se sentia especialmente visado por a lei anterior não lhe permitir encaixar legalmente as receitas da
Festa do Avante!. A primeira premissa é boa: a lei deve ser geral, mas acolhe um interesse particular. Um aplauso!
Tendo em conta os factos da vida real, dinheiro vivo é coisa perigosa! Quando Luís Filipe Menezes quis que as quotas do PSD voltassem a ser pagas como cada um entendia, ai jesus!, disse Rui Rio, que vinha aí a máfia e aquilo ia ser um rol de lavagem de dinheiro sujo. E Rio tinha razão.
Vamos então a um exemplo concreto. Um empreiteiro quer passar umas massas ao partido e não pode, porque a lei não deixa. Agora, com limites tão altos, é mais fácil acomodar essas generosas vontades. Basta organizar um jantar lá na terra, meter o dinheiro vivo num saco e distribuir donativos pelos Jacinto Leite Capelo Rego desta vida e lá vai a massa directa para a sede. Mais fácil ainda será meter dinheiro no partido, vindo sabe-se lá de onde, se o jantar-comício se realizar no estrangeiro, junto dos emigrantes, segundo o mesmo tipo de processo.
Sendo os partidos incumpridores crónicos das leis que produzem nesta matéria, alguém acha que isto é para levar a sério?
ADENDA: António José Seguro, do PS,
votou isolado contra o projecto de lei. Haja esperança.
Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

A Saúde Oral em Cheques - 6 de Novembro de 2007 - o ministro da Saúde, Correia de Campos, anuncia um programa de saúde oral que inclui cheques-dentista para idosos, grávidas e um programa para crianças, no valor de 21 milhões de euros. (
aqui)
Cheque-dentista para crianças - 11 de Novembro de 2008 - ministra da Saúde, Ana Jorge, anuncia que o cheque-dentista vai passar a ser distribuído às crianças e jovens de quatro, cinco, sete, dez e 13 anos em 2009, num investimento de mais de 25 milhões de euros. (
aqui)
Sócrates dá cheque-dentista a criancinhas -
28 de Abril de 2009 - PM entrega cheques a crianças de uma escola na Penha de França, em Lisboa. A medida integra-se no plano de promoção da saúde oral que no último ano abrangeu quase 37 mil idosos e grávidas. Os cheques-dentista devem abranger 200 mil crianças. (
aqui)
A
Newsweek publica esta semana a extraordinária história de
Ali Soufan, um agente do FBI a trabalhar com a CIA nos interrogatórios de suspeitos de terrorismo, que lhes tirava informações valiosíssimas sem recorrer à tortura. Neste artigo ele representa o poder do
soft power e os valores da democracia americana. Foi afastado quando elementos dos serviços secretos passaram a ter cobertura política para torturar.

Não me parece que alguém ganhe ou perca eleições por causa de um cartaz ou dois.
Em todo o caso, um cartaz ou dois podem dar-nos a ideia de quem neles vive.
Manuela Ferreira Leite quer dar-nos a verdade, só a verdade e nada mais do que a verdade, tanto que o seu partido agora é o PSDV.
A honestidade da líder do PSD está nos seus cartazes sem ironias. É tão sóbria, que num partido que tem uma imagem de marca na alegria da sua cor, faz um primeiro cartaz azul-escuro debruado a laranja, em vez de ser laranja debruado a azul. Quer avisar-nos: não contem com cores berrantes nem com gritos e palavras de ordem, que a política não é um arco-íris, a vida não está para festas e vamos vestindo a cor do nosso fado, por respeito pela nossa desgraça. A coisa é salazarenta. Por este caminho, chegaremos ao luto.
Neste cartaz, Manuela é mais verdadeira ainda na sua verdade. Aparece como uma enfermeira branca, que tratará de nós se a escolhermos, sobre um fundo cinzento da nossa realidade. Aquele cinza deixa-me perplexo. Deitar cinzento num cartaz partidário é como pintar de encarnado um anúncio a pensos higiénicos. Manuela é cinzenta, as nossas vidas são cinzentas, Portugal é cinzento, vamos todos votar cinzento.
Claro que nem tudo é mau. A linha telefónica é uma boa ideia num país em que o povo espera que os políticos lhes digam como as coisas devem ser, aqui está uma política a pedir que lhe digam outras coisas sobre as coisas públicas. Manuela terá o país do Fórum da TSF a ligar-lhe para o partido, o que será de grande utilidade, como sabemos. Só que este guterrismo de diálogo mitigado não cola com a verdade de Ferreira Leite. Manuela não é de grandes conversas. Se mal ouve os colaboradores mais directos, por que razão há-de ouvir-me a mim?
Deixo o bom para o fim. Gosto que um político me diga: "Não desista (não tem ponto de exclamação) somos todos precisos"
Pois somos. Mas somos precisos para quê? O PS de Sócrates queria transformar Portugal na Finlândia do Sul com choques tecnológicos e computadores para todas as criancinhas, é inverosímil, mas é um caminho com um horizonte. Ainda não consegui perceber, por mais louváveis que sejam as suas ideias, para onde é que o PSD nos quer levar.
Terça-feira, 28 de Abril de 2009
Swine flu: walking the line between hyping and helping, na Reuters,
sobre o papel relevante e delicado dos media em situações de potencial crise de saúde pública.
Para os jornais e televisões, secos de receitas de publicidade, nada como uma pandemia de histeria sobre a hipotética pandemia para dar uma nova vida ao negócio.
Run for your lives!

José
Pacheco Pereira tem razão:
esta a notícia do
Diário Económico não faz sentido, a partir do momento em que Manuela Ferreira Leite fez o seu esclarecimento à
Lusa. Neste caso, a peça do
DN, que JPP tanto costuma criticar, é exemplar. Mas também não fazem sentido as críticas obsessivas de JPP aos jornalistas sem que a líder do seu partido passe sem uma crítica. Ferreira Leite está muito melhor, como se viu na entrevista (mole) de Mário Crespo, mas continua a ser um exemplo de inabilidade política.
Se não queria deixar que pairassem quaisquer dúvidas sobre o Bloco Central, nunca responderia:
"Eu sentir-me-ia confortável com qualquer solução em que eu acredite. Em que eu acredite que a conjugação de esforços e, especialmente, a conjugação de interesses - interesses no sentido do País - são coincidentes. Se perceber que o objectivo país não é propriamente aquele que está no centro das atenções, então com dificuldade haverá um Governo que possa contribuir para a melhoria do País."
Um político sabe o que as suas palavras valem. Se era contra o Bloco Central, teria de responder que não, jamais aceitaria uma solução dessas. A interpretação dos jornalistas com base nesta afirmação não é abusiva, é absolutamente legítima e correcta. Mas o costume, nas entrevistas de Ferreira Leite, é nos minutos seguintes ela ter de explicar o que acabou de dizer, desdizendo o que disse, o que é que se há-de-fazer?
Adenda - Na edição em papel, a notícia do Diário Económico tem um título diferente da edição on-line - "O Governo está a ceder aos grandes grupos" - e um enfoque que não é o mesmo a que JPP se refere.
Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

A
Condé Naste vai fechar a Portfolio e, aqui no Elevador, suspira-se. A crise não perdoa e o mercado já estava disputado por grandes nomes, como a Fortune, a Business Week ou a Forbes. A Portfolio durou dois anos.
A
edição de Maio será a última e já está nas bancas nos Estados Unidos – espere-se o habitual
delay até à chegada a este canto europeu.
WindowsillToronto, 11 Novembro 2007
1/180 segundos @ f/4
Cause the tide is high
And it's rising still
And I don't wanna see it at my windowsill