Domingo, 31 de Maio de 2009

Porque é que Cavaco escondeu as acções da SLN?

Os partidos, claro, não vão entrar a matar no caso de Cavaco e das acções da SLN, como se vê hoje no DN. É claro que Cavaco tem todo o direito de comprar e vender as acções que quiser. Já não tem é o direito de o esconder, alegando que à época não desempenhava funções. Quem quer o poder e deseja servir o País nos mais altos cargos políticos sabe que tem de abdicar de uma parte da sua privacidade para se submeter ao escrutínio público. Cavaco omitiu estas informações voluntariamente mentindo num comunicado oficial e isso ganha uma relevância que não teria se o PR estivesse de boa-fé. Não lhe fica bem ludibriar o povo que representa, ou assim não se diferencia dos políticos habituais. Cavaco comprou acções da SLN, que não está em bolsa, portanto, não foi ao mercado. Teve de negociar com alguém as condições de compra e venda. Isso pode não ter mal nenhum. Mas o PR deve explicar por que escondeu esse facto.
publicado por Vítor Matos às 10:01
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Sábado, 30 de Maio de 2009

A mentira de Cavaco

Cavaco Silva é um político experiente de mais para cometer erros assim. O Expresso deu a notícia de que Cavaco tivera acções da SLN e que as tinha vendido. Há meses, a notícia originou um comunicado sinuoso, desmentindo o jornal com alguma veemência. Hoje, o Expresso publica que Cavaco e a filha tiveram as acções e até realizaram mais-valias simpáticas. Nada de ilegal, nada de nebuloso.

Mas por que razão é que Cavaco escondeu o facto? Dizer que foi antes de estar em funções, como Belém respondeu, é irrelevante do ponto de vista político. Se tivesse assumido logo que tinha possuído as acções, o assunto morria.

Só que agora o assunto vai para além da posse das acções da SLN: Cavaco dissimulou, escondeu, mentiu aos portugueses, perdeu a aura de referência do regime e não tem mais moral para apontar falhas éticas aos outros. Por que é que o fez? É o que temos de saber.
publicado por Vítor Matos às 17:17
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O pide vive dentro deles


A música dos Xutos contra o "sr. Engenheiro" só passou uma vez - uma vez, não 10 nem 20 vezes - numa rádio nacional, a Antena 3, noticia hoje o Expresso. Há autocensura e isto é uma prova. As rádios têm medo? Se têm medo, têm medo de quê? O estado da democracia é este, de um medo difuso e uma reverência desavergonhada em relação ao poder. Não há pide, não é preciso haver pide, porque o pide que vive dentro de "nós" (este "nós" são "eles", que se censuram assim) faz com que não seja preciso haver pides. Terão medo de quê?
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publicado por Vítor Matos às 17:05
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Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Mistérios da vida moderna

Percebo que haja tortura em Abhu-Grahib e até noutros lugares, não me espanta que guardas violem presos, que lhes dêem choques, que batam e aleijem até mais não. Percebo que a natureza humana existe, e basta olhar para a história do século XX para ela nos entrar pelos olhos como a ponta das facas, mas não compreendo isso da natureza humana ser assim.

Para mim o mistério não é a tortura e a presença do mal. Isso faz parte da normalidade abjecta da nossa existência. O mistério é que eles tiram fotografias. Tiram muitas fotografias, alguém percebe?, ou isso também faz parte da natureza humana?
publicado por Vítor Matos às 13:50
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Abstenção a metro

Aqui está a prova. O fim-de-semana eleitoral é o ideal para fechar estações do metropolitano para obras, em Lisboa. Se a administração do metro sabe que é um dia sem gente - e quem somos nós para duvidar -, que motivação racional existe para abrir urnas de voto ao domingo?

O site do metropolitano diz tudo: "O troço Campo Pequeno/Rato da linha Amarela vai encerrar no fim-de-semana de 06 e 07 de Junho para permitir a execução de trabalhos de ligação da actual estação Saldanha à futura estação Saldanha II, no âmbito do prolongamento da Linha Vermelha entre Alameda e S. Sebastião e a sua conexão à rede existente."
publicado por Vítor Matos às 13:42
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Vital e os caceiteiros

A Maria de Belém ficou tão bem a demarcação das declarações de Vital Moreira como ao candidato socialista ficou mal ter descido às profundezas da demagogia e da política mais rasteira quando decidiu que seria boa ideia confundir o PSD com militantes do partido que, na sua vida profissional, terão responsabilidades em actos que estão a ser investigados pelo Parlamento e pelas autoridades judiciais.

Vital Moreira, que entrou na campanha para as eleições europeias revelando um saudável distanciamento da ortodoxia do PS, revela-se, afinal, um companheiro adequado à ala caceteira do partido por quem se candidata. É pena. E nem se compreende por que motivo não estende a sua exigência de explicações também ao Banco de Portugal, que não exerceu a supervisão como lhe competia, ou ao Governo, que decidiu nacionalizar o BPN e assumir os prejuízos causados pelos autores da "roubalheira". Depois, ainda vem falar em sectarismo e dar lições de ética e moral. Está bem, está.
publicado por João Cândido da Silva às 10:39
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Lido no Elevador

"Onde a ERC não se devia meter", por José Manuel Fernandes, no "Público", sobre a infeliz decisão do regulador da comunicação social de repreender o "Jornal Nacional", da TVI, metendo o nariz onde não devia e transmitindo a imagem de que o órgão é dominado por criadões do poder socialista.
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publicado por João Cândido da Silva às 10:33
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Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

Carlos César, um grande democrata

Nas próximas eleições para o Parlamento Europeu, a abstenção deverá andar entre 60 e 70 por cento, de acordo com as sondagens.

Perante esta possibibilidade, Carlos César mostra-se preocupado com o divórcio entre eleitores e eleitos? Faz alguma proposta para que os partidos se credibilizem perante os eleitores? Disponibiliza-se para dinamizar uma análise séria e profunda sobre os motivos que levam os eleitores a mostrarem-se indiferentes em relação ao exercício do direito de voto? Nada disto.

Para combater os males e podres da democracia portuguesa, que parece atribuir exclusivamente ao desinteresse dos eleitores, o líder do Governo Regional dos Açores propõe apenas menos democracia que é aquilo a que corresponde a sugestão de tornar o voto obrigatório e de recusar aos cidadãos o legítimo direito de não votarem. Com democratas destes, vamos longe.
publicado por João Cândido da Silva às 15:21
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Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Índice de citacionismo

«Acho que o dr. Dias Loureiro devia sair do Conselho de Estado, é uma evidência que entra pelos olhos dentro. Infelizmente em Portugal as coisas não são assim e as pessoas acham que não devem dar o exemplo»

Paulo Portas, hoje em Chaves, 20v no índice de amnésia, pois já não se lembra de como era uma evidência que entrava pelos olhos dentro a sua participação no descalabro da universidade Moderna, em que à sua volta tudo ardia, mas do seu Jaguar very britsh ele não dava por nada.
publicado por Vítor Matos às 16:51
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O IGCP, outra direcção comercial de luxo

Entre Janeiro e Abril, Portugal já emitiu mais dívida pública do que em todo o ano passado. Percebe-se porquê: as receitas fiscais estão em queda livre, a pressão da despesa pública sobe.

Hoje, isto: mais três mil milhões portugueses para o mercado.

No Elevador dão-se três vivas ao Instituto de Gestão do Crédito Público – que vende a nossa bela dívida que nem pão quente –, e pergunta-se pela milionésima vez: será mesmo boa ideia enterrar ainda mais o Estado em grandes projectos de rentabilidade duvidosa?
publicado por Bruno Faria Lopes às 11:37
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