Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Nefés, bailado com Istanbul na memória.
Pina Bausch tinha 68 anos e morreu hoje.
Long live the Queen!
"Cristo Rei monument and the "ponte 25 de Abril" towers protruding from the morning fog at Lisbon. We had just taken off bound to Zurich in A319 CS-TTC."
Tirado
daqui, um fabuloso blogue fotográfico de trabalho de um piloto de avião.
Embora todos tenham ficado mal na fotografia – Sócrates, Bava,
Ferreira Leite... – só podemos ficar satisfeitos com o fim do negócio-que-não-chegou-a-ser entre a PT e a Prisa, dona da TVI.
Há por aí quem continue a defender a visão tirada dos PowerPoint e folhas de Excel da PT – que este era um negócio essencial para a nova PT, a empresa do Meo e da fibra óptica. Que a PT precisa dos conteúdos, que abortar o negócio é um caminho perigoso de interferência numa empresa privada (que, azar dos Távoras, tem uma golden-share), etc. etc.
Tudo isto até pode ser verdade – ou seja, do ponto de vista do negócio até pode haver um racional, como tentou explicar Bava, na sua desastrada entrevista. Mas esta linha de argumentação apaga o óbvio lado político da questão. E, neste caso, a importância política do negócio – ampliada, admito, pelo actual contexto pré-eleitoral – passa por cima dos powerpoints e dos cálculos dos gestores da PT.
Não perceber isto é não entender o país em que vivemos.
Segunda-feira, 29 de Junho de 2009
Isto aconteceu: o Dallas
Morning News quis ter o seu jornal no Kindle, o leitor portátil da Amazon. Obstáculo: a Amazon queria 70% da receita das assinaturas, deixando apenas 30% para o próprio jornal que investe em produzir as notícias. É injusto, mas é assim. Malcom Gladwell escreve esta história na
New Yorker e questiona-se sobre se a informação está condenada a ser gratuita, se isto mata o jornalismo e que alternativas existem.
Sábado, 27 de Junho de 2009
O Expresso diz que o Governo tinha informações desde Janeiro sobre o negócio entre a PT e a Prisa para comprar a TVI e o Semanário Económico traz uma sondgem da Marktest (a única que acertou nas europeias) a dar a vitória ao PSD.
Sócrates entrou em plano inclinado. Não vejo que o consiga inverter. Vamos viver tempos interessantes durante os próximos meses.
Sexta-feira, 26 de Junho de 2009
Alberto Martins, do PS, e Paulo Rangel, do PSD, apareceram sorridentes, lado a lado, anunciando o nome do novo provedor de Justiça, que tão diligentemente ambos os partidos propuseram em tempo inoportuno. Linda e eficaz aliança que, finalmente, fez o que lhe competia fazer. Só que também se exigia que ambos os partidos, sem assacarem culpas ao outro, pedissem desculpa aos portugueses pelo comportamento nada exemplar que tiveram na primeira parte do processo.

O que aconteceu agora neste caso da PT-TVI só pode acontecer em governos de cabeça perdida.
Um dia depois da notícia sobre as negociações entre Portugal Telecom e Prisa sair no
i, o primeiro-ministro diz ao Parlamento que não foi informado; nessa noite, a líder da oposição chama-lhe mentiroso; na manhã seguinte, o presidente da empresa diz que o negócio não existe, apesar de haver um comunicado a dizer que existem conversações para fazer o negócio; à noite, o presidente-executivo da mesma empresa, afirma que afinal o negócio existe e é bom para a empresa, embora sem admitir que avisou o Governo; no dia seguinte, o primeiro-ministro anuncia que não haverá negócio nenhum. É uma lição de coerência.
Esta soma de episódios e trapalhadas faz-me lembrar de um Governo que foi despedido porque era só episódios e trapalhadas. Ninguém sai bem do filme:
- Se a administração da PT não conversou com o Governo é porque é irresponsável, porque devia perceber a questão política subjacente a três meses de eleições;
- Se o Governo sabia do negócio e começou por o aprovar é politicamente estúpido porque sabia que ia ser sacrificado na praça pública;
- Se Sócrates não sabia mesmo nada, tinha tido tempo de se informar antes de ir ao Parlamento e nessa altura já devia ter uma resposta sólida que não fosse apenas dizer que não sabia e criar mais confusão ainda;
Conclusão: o goverrno do PS que era uma máquina oleada e organizada, está a fazer um trabalho perfeito para entregar o ouro ao bandido. Parece que anda tudo à nora.
Quinta-feira, 25 de Junho de 2009
Boa Manela
Apareceu diante de Ana Lourenço ungida pela autoridade da vitória eleitoral nas europeias. Pela primeira vez, Manuela Ferreira Leite aparece como líder do PSD sem estar no limbo, sem ir cair no dia seguinte. Se dantes ninguém a ouvia, agora as suas palavras têm poder e consequências: o adiamento do TGV é decorre disso; o fim do negócio PT-TVI é consequência do que disse na entrevista. O facto de passar a ser possível chefe de Governo daqui a uns meses muda tudo. Passa um ar seriedade e serenidade. E a sua narrativa política, que sempre achei que estava errada, agora penso que, não sendo canónica, pelo menos é coerente. E a coerência é mais recompensada do que a mensagem mais trabalhada, mas sem colar com a realidade.
Má Manela
A gaffe: dizer que a maior crise dos últimos 100 anos foi um "abalozinho" ser-lhe-á recordado todos os dias por José Sócrates. Dizer que não fará nada enquanto se mantiver este nível de endividamento seca-a politicamente. Portanto, no programa eleitoral que vier a apresentar, se o PSD não tiver um plano de combate ou de redução da dívida externa, não é credível. Manela acerta no diagnóstico mas não tem terapia. O Governo tem um discurso para a questão do endividametno externo, o da aposta nas energias para reduzir a dependências energética. Manuela não anunciou ainda os seus remédios. Apenas afirma que não fará promessas que não possa cumprir, mas já prometeu que não aumentará os impostos, coisa arriscada tendo em conta os últimos dois exemplos de primeiros-ministros. Finalmente: Não tem uma ideia para um modelo de desenvolvimento do País. Sócrates tinha um eixo que era o Plano Tecnológico. Ela diz apenas que governará melhor e com melhores políticas. Não há um caminho para o país que se infira daqui. Por agora, ainda é muito pouco.

... o Alice in Wonderland, do Tim Burton. Tem o Depp, a Bonham-Carter, a Anne Hathaway, o Matt Lucas do Little Britain, os grandiosos Stephen Fry e Alan Rickman. E tem a cabeça do Tim Burton.
As primeiras imagens já saíram – e são lindas. Corações ao alto!
Quarta-feira, 24 de Junho de 2009
A Portugal Telecom é um grupo de telecomunicações no qual o Estado tem uma golden-share.
A TVI pertence ao grupo espanhol Prisa, lida com conteúdos informativos e tem sido a cadeia de televisão mais incómoda para o poder político.
A PT – que até há pouco tempo não mostrava qualquer intenção de voltar a entrar nos conteúdos informativos –
vai agora comprar 30% da TVI.
Aqui, entre a turistada que sobe e desce no Elevador, pergunto:
é impressão minha ou estão todos muito caladinhos sobre este negócio?