Sábado, 29 de Agosto de 2009
José Pacheco Pereira, Luís Marques Mendes e Paula Teixeira da Cruz perceberam muito bem o que significa ter António Preto e Helena Lopes da Costa nas listas de candidatos a deputados do PSD. Só Manuela Ferreira Leite não conseguiu, ou não quis, entender que evitar candidatos que estejam sob suspeita em processos judiciais não é a mesma coisa que negar-lhes a presunção de inocência a que têm direito.
"A ética tem a ver com tudo na vida e, muito em particular, com a política", disse Paula Teixeira da Cruz. Isto é tão óbvio que nem se consegue perceber como há quem olhe para o lado e subestime um valor que, por ser negligenciado, explica o desencanto e o cansaço de muitos cidadãos em relação ao próprio regime.
Já aqui escrevi sobre este
tema, mas como José Sócrates
persiste na demagogia e na desonestidade intelectual, não há nada como avivar a memória. Sobre a proposta do PSD de criar limites às contribuições para a Segurança Social, dando liberdade para a aplicação dos rendimentos assim libertados em produtos de investimento, o líder socialista continua a afirmar que se trata de entregar parte das pensões de reforma dos portugueses aos "caprichos" do mercado de capitais.
Em primeiro lugar, trata-se de limitar as contribuições dos titulares de rendimentos mais elevados, cuja reforma não será paga na totalidade pelos cofres do Estado. Depois, é preciso recordar que as somas aplicadas nos certificados de reforma criados pelo actual Governo, bem como o dinheiro dos contribuintes que está confiado ao Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social são investidos no mercado de capitais e, utilizando a linguagem do primeiro-ministro, também ficam sujeitos aos seus "caprichos".
Se quer ser honesto e coerente, Sócrates podia começar por reconhecer o erro de não ter acabado já com estes dois instrumentos que visam assegurar as pensões de reforma futuras através de um sistema de capitalização, baseado na "especulação bolsista". Ficamos à espera que, pelo menos, inclua medidas neste sentido no programa do PS, se não quiser passar apenas por um mero propagandista para quem vale tudo se o objectivo é o de pescar eleitores à esquerda.
"Casados à força", por Miguel Sousa Tavares, no "Expresso", sobre os óculos politicamente correctos com que o veto de Cavaco Silva à legislação das uniões de facto foi interpretado pela esquerda que debaixo de cada pedra vê um perigoso conservador.
"A relassa fraqueza", por José Pacheco Pereira, no "Público", sobre a tradicional tendência nacional para, perante uma tragédia, discutir tudo o que a pode ter causado, excepto saber onde mora a responsabilidade pela incúria, desleixo e falta de prevenção sobre aquilo que está na esfera de actuação dos poderes públicos.
Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

Já só faltam 12 dias.
"Perguntou a Rainha: "Como é que ninguém viu aproximar-se a crise?"", por Jorge Bateira, no Ladrões de Bicicletas.
Ao virar da curva, a História, caríssimos economistas, faz
aquela diferença face à Macro e à Econometria.
Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009
O
programa eleitoral apresentado hoje por Manuela Ferreira Leite vem confirmar que, tendo em conta as linhas gerais de política do PSD e do PS, seria perfeitamente possível chegar a acordos parlamentares ou mesmo a um entendimento mais alargado do bloco central.
O que salta à vista naquelas 39 páginas (onde o lugar comum marca proporcionalmente a mesma presença face às 120 do PS) são as semelhanças em vários domínios entre sociais-democratas e socialistas: justiça, política fiscal, apoio às PME, opção de modelo económico, reforço dos apoios sociais e segurança social são apenas alguns domínios de coincidência bastante razoável.
Numa altura em que as figuras do regime vão clamando pela necessidade de um entendimento de bloco central – caso não haja maioria absoluta – este alinhamento em várias políticas públicas (que será, na aparência, imediatamente combatido pelos militantes dos dois campos) ilustra bem onde estão os principais obstáculos: a personalidade incompatível de Ferreira Leite e de Sócrates e as divergências nas obras públicas (mas veja-se como MFL ontem dobrou a língua e falou em "reavaliação" do TGV). Veremos o que nos reserva o resultado de 27 de Setembro.

Já só faltam 13 dias.
Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009
De volta à capital do império depois de um raide de duas semanas em terras nacionais. Algumas notas:
1. Ainda não conseguiram assassinar o Porto Santo (apesar da concentração altamente tóxica, bem acima dos níveis permitidos, de jornalistas e de assessores de imprensa)
2. A praia de Odeceixe é mesmo a mais bonita que conheço (com um mar que exige uma estratégia de entrada e outra de saída)
3. O serviço nos restaurantes continua a ser uma das grandes tragédias nacionais (Calhetas em Porto Santo e Portas do Mar na Ria Formosa são tristes exemplos).
4. O Marujo, na Figueira da Foz, serve a melhor maionese em terras lusas
5. Viajar na A1 e na A2 em Agosto e sair ileso da experiência equivale a disfrutar da segurança e tranquilidade de um dia de sol em Cabul. O horror é pontuado por momentos de grande humor, perante a aproximação dos painéis com os preços do combustível nas áreas de serviço.
6. Havia muita gente a ler o i nas praias (Figueira, Costa Vicentina, Algarve).
Por agora é tudo. Há mais um dia de férias para gozar.
Terça-feira, 25 de Agosto de 2009
Diogo Vasconcelos, em entrevista ao i - "Os políticos do passado são sobretudo megafones. Querem transmitir uma mensagem mas ouvem pouco, salvo através de focus groups. Os políticos do presente e do futuro têm de orquestrar a inteligência colectiva. Têm de saber passar por cima da redoma que os envolve, captar a imaginação e envolver os cidadãos na construção do futuro. Devem impor-se pela confiança e não pelo temor reverencial. O seu desígnio não é um conceito de justiça meramente formal, mas o desenvolvimento das capacidades (no sentido de Aymarta Sen) para que cada um atinja o seu potencial".
Estatuto Do Aluno: A Grande Arma Contra O Insucesso, de
Paulo Guinote n'
A Educação do meu Umbigo - Aqui desmonta-se uma parte da mistificação dos resultados assombrosos da queda do insucesso escolar, em que os adolescentes portugueses foram contagiados por um ataque de inteligêncial fulminante. Os posts anteriores também são de leitura obrigatória.
Burocracia e coação para passar alunos - da jornalista
Natália Faria, no
Público de hoje. Explica como é difícil chumbar um aluno - ou reter, como se diz agora.
Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009
No seu programa de 2005 o PS prometeu "reduzir o insucesso escolar para metade".
Já tinha escrito aqui que
há promessas que não se fazem e é muito pior quando se cumprem.
Ao prometer a baixa do insucesso logo para metade - o erro é sobretudo quantificar - tem de se aldrabar forçosamente para atingir a meta. O sucesso escolar depende mais do esforço individual de cada um dos estudantes do que de qualquer outro aspecto e nisso os governos não metem prego nem estopa.
Sócrates disse esta tarde que "
aqueles que dizem que [a baixa do insucesso] é resultado de facilitismo estão apenas a insultar os professores e a escola pública". Se o PM acha que isto é um insulto, tem o dever de me processar.
Reduzir o insucesso escolar para metade é uma promessa que não se faz, porque há muitos truques para os alunos aumentarem as notas. Pode-se dificultar burocraticamente os chumbos; pôr a avaliação dos professores dependente das notas dos alunos; fazer exames mais fáceis; apresentar grelhas de correcção benevolentes, etc, etc... Não me impressiona este resultado, lamento.