Terça-feira, 4 de Agosto de 2009
Vamos ver o que vai propor o PSD para diminuir o endividamento (ver post em baixo). Ao pé desta questão, resolver o problema do défice é uma brincadeira de crianças. Para uma família, o défice seria tão fácil de solucionar como tapar o saldo negativo na conta à ordem: bastaria trabalhar mais uns meses ou gastar um pouco menos. Mas a não ser que lhe saísse o euromilhões, a mesma família nem nos dez anos seguintes conseguiria abater os 250 mil euros de dívidas ao banco por causa do carro e da casa.
Como não há euromilhões para países...
O programa do PS coloca a solução do endividamento externo nas energias renováveis, que hão-de substituir os combustíveis fósseis. Mas isso não resolve o problema que o Bruno coloca aqui em baixo, que se refere ao endividamento público. Aguardo ansiosamente pelas propostas do PSD para ver se há saída ou se nos resta esperar para pagar. Como nós fazemos com a casa.
Um breve lembrete em Agosto apenas para lembrar o caro contribuinte do
seguinte facto: somada a dívida directa do Estado (118 mil milhões), com a dívida de médio/longo prazo das empresas públicas (21 mil milhões) e os encargos assumidos com as PPP até 2050 (48,3 mil milhões) chega-se ao brilhante total de
187 mil milhões de euros, ou seja,
112% do PIB [tudo valores no final de 2008].
É sobre este valor – e não outro – que deve ser analisado o endividamento público português. Aquele que será pago por impostos lá mais à frente, ao virar da curva.
Segunda-feira, 3 de Agosto de 2009
É a primeira vez que se vê uma coisa
assim. Há uns dias, escrevia
aqui sobre Nossa Senhora de Felgueiras, pensando que Isaltino ia pelo mesmo caminho da absolvição ou da pena suspensa. Afinal são sete anos de prisão efectiva e perda de mandato na câmara. A Justiça não funciona apenas quando condena, mas desta vez parece que funcionou. Seria positivo que isto fosse um sinal.
Domingo, 2 de Agosto de 2009

Descoberta muito recente. Os Deolinda são grandes na
música e nas letras (e nos
vídeoclips). Em tempo de Simplexes e de Jamaises, de programas eleitorais generosamente vagos e promessas de não prometer nada, fica aqui uma saudável lírica, para desfrutar neste estio pré-eleitoral.
Movimento Perpétuo Associativo
Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vai parar!
-Agora não, que é hora do almoço...
-Agora não, que é hora do jantar...
-Agora não, que eu acho que não posso...
-Amanhã vou trabalhar...
Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer!
Agora sim, só vejo gente boa!
Vamos em frente e havemos de vencer!
-Agora não, que me dói a barriga...
-Agora não, dizem que vai chover...
-Agora não, que joga o Benfica...
e eu tenho mais que fazer...
Agora sim, cantamos com vontade!
Agora sim, eu sinto a união!
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, e é esta a direcção!
-Agora não, que falta um impresso...
-Agora não, que o meu pai não quer...
-Agora não, que há engarrafamentos...
-Vão sem mim, que eu vou lá ter...
-Vão sem mim, que eu vou lá ter...
-Vão sem mim, que eu vou lá ter...
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Sem
cagança, gostei do
Home, da realizadora suíça Ursula Meier. Primeiro, porque é um filme para actores – actores óptimos (Isabelle Hupert é cabeça de cartaz, mas não reina sozinha). Depois, porque mistura surrealismo com a mais plana realidade – tudo com imagens inesquecíveis, principalmente no primeiro terço do filme. Por fim, porque faz pensar (uma actividade cansativa, ainda para mais em Agosto, mas recompensadora). Uma sinopse em poucas palavras: uma família muito unida faz de um troço inacabado de autoestrada parte integrante do seu espaço privado, da sua casa. Com a abertura da estrada e a passagem de milhares de carros e camiões assistimos à invasão deste espaço privado pelo público. Como reage a família a esta mudança? Há negação, loucura
et beaucoup d'amour. O filme não aguenta o ritmo até ao fim, mas aguenta-se sempre em bom nível. Vejam e depois contem.
Sábado, 1 de Agosto de 2009
A Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) quer impedir os colunistas e comentadores que são candidatos às eleições legislativas e autárquicas de manterem as suas colaborações nos media. A decisão da ERC é muito discutível mas ainda se torma menos compreensível quando se lê no "Público" a argumentação do seu presidente.
Azeredo Lopes afirma que "não se pode ignorar, por exemplo, o peso decisivo que teve a coluna de Rui Tavares [no "Público"] nas eleições europeias" e acrescenta ser "obviamente evidente que [Rui Tavares] foi convidado pelo BE para o quarto lugar da lista pela sua notoriedade".
Algo não bate certo na tese do presidente da ERC. Primeiro, se Azeredo Lopes tem na sua posse alguma investigação ou estudo que prove uma ligação directa e decisiva entre a eleição de Rui Tavares e a coluna que publica naquele jornal, seria interessante que procedesse à sua divulgação. Um documento desta natureza seria, seguramente, um contributo para o debate público de uma matéria relevante como a da influência que uma colaboração nos media pode exercer nas opções do eleitores. Ficamos à espera.
Depois, se a coluna de Rui Tavares no "Público" foi decisiva para a sua eleição como eurodeputado, como explica Azeredo Lopes que Vital Moreira, também colaborador no "Público", tenha sido clamorosamente derrotado? Se calhar, é porque Rui Tavares escreve na última página, o que lhe dará mais visibilidade, tendo em conta que há milhares de leitores que iniciam o contacto com os jornais a partir do fim e existem muitos outros que, depois de darem uma vista de olhos pela primeira, voltam o jornal e lêem a última antes de seguirem para o interior. Se for assim, a ERC devia proibir colunas de opinião de candidatos às eleições nas últimas páginas. Ficamos à espera.
Por último, a questão da notoriedade. Pode gostar-se ou não, mas todos os partidos procuram candidatos conhecidos porque aquilo que querem é conquistar votos. Independentemente da opinião pessoal que os seus membros subscrevam sobre esta matéria, o que tem a ERC a ver com isto?