Terça-feira, 1 de Setembro de 2009
Judite de Sousa: "Esta pergunta nunca foi feita – e eu vou fazê-la"
José Sócrates: "O que daí virá..."
Judite de Sousa: "["Não se preocupe" – podia jurar que disse isto]. Nada de especial"
Poder-se-ia falar da frase infeliz dos "amigos juízes", da tentativa (bem conseguida) de bipolarização face ao PSD e a Ferreira Leite, da imprudência na economia (dizer que saímos da recessão com base num crescimento trimestral de 0,3%...), da falta de respostas no emprego ("estágios na Administração Pública") e do cinismo sobre as relações com Belém.
Mas esta breve troca de frases, pontuada por sorrisos, é mesmo o melhor resumo da ténue entrevista de José Sócrates à RTP.
Para os fanáticos de "cheeseburgers" e de "sites" com um desenho apelativo, aqui fica a
ligação para a Cheese & Burger Society. Inclui as receitas para cada um dos "cheeseburgers" apresentados.

Este é apenas um dos 50 fabulosos cartazes que se podem encontrar
aqui e que podiam inspirar os partidos que concorrem às eleições.
No túnel de entrada no parque de estacionamento do Largo de Camões, em Lisboa, qualquer automobilista pode reparar numa placa que assinala ter sido esta estrutura inaugurada por Sua Excelência, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, João Soares. É apenas um exemplo, entre milhares, da obsessão que os titulares de cargos públicos têm pela sua própria eternização e glorificação.
Não basta mandar fazer a obra e deixar que os seus beneficiários se apercebam da sua utilidade. É necessário deixar marcado, de forma indelével, quem "fez" e inaugurou. Desde parques de estacionamento a fontanários e rotundas, não faltam casos elucidativos sobre como a vaidade supera toda e qualquer noção do ridículo.
Agora, é Manuel Pinho que vai ter em Paços de Ferreira o seu nome inscrito numa
avenida. Só falta a estátua, ficando a expectativa de saber que pose irá o respectivo escultor escolher, quando se sabe que há uma em que se nota, incontornavelmente, que ali houve dedo(s) do antigo ministro da Economia.

O "Público" fez a contabilidade e chegou à conclusão que, "entre inaugurações, lançamentos de primeiras pedras, assinaturas de protocolos, visitas a empresas ou, pura e simplesmente, ver obras em curso, foi raro o dia" em que, nas duas últimas semanas, José Sócrates não andou a cirandar pelo país em clara e descarada campanha eleitoral, abusando do cargo que ocupa. Onde sobra o instinto para a propaganda e o espectáculo, falta a dignidade e o sentido de Estado.
Por que motivo cada duas vezes em cinco em que tento abrir um pacote de leite Vigor de um litro fico com a pega de plástico na mão a olhar para a embalagem irredutivelmente fechada? Admito que seja falta de jeito da minha parte e que a Tetra Pak não tenha nada ter a ver com o assunto.

Alfama, ontem às 03h07.
Reparem como, bem apertadas, cabem ali duas pessoas.
Voltar à feira de Grândola ao fim de anos. Rever amigos de infância e adolescência. Ouvir um concerto de José Cid. Divertido. No meu tempo, havia na feira pessoal do monte. Velhos de boné. Dentes tortos. Pele tostada. Camisas aos quadrados, abotoadas no colarinho, jaqueta. Vinham de motorizada. Agora na feira à minha volta vejo as pessoas dos montes. Louros, olhos azuis. Pólos cor-de-rosa com um logótipo ao lado esquerdo. Chegam em jipes. Cantam as músicas do José Cid com seis filhos loiros em volta a cantar músicas do José Cid. O meu mundo a mudar e eu quase sem dar conta.

Já só faltam 8 dias.