Domingo, 27 de Setembro de 2009
Em 2005, o PS teve 2.588.312 votos, correspondentes a 45,03% do total apurado, e elegeu 121 deputados.
Em 2009, quando falta apurar os resultados nos círculos da emigração, o PS teve 2.068.665 votos, equivalentes a 36,56%, e fica com um grupo parlamentar de 96 deputados.
Contas feitas, são menos 519.647 votos, uma quebra de 8,47 pontos percentuais e uma redução de 25 deputados no grupo parlamentar socialista.
Isto significa que os eleitores querem o PS no Governo, mas que não gostaram da forma como utilizou a maioria absoluta e, por este motivo, decidiram retirar-lhe das mãos o poder sem limites. Perante isto, Sócrates ainda insiste que o resultado das legislativas é uma vitória "extraordinária". Não aprendeu nada.
José Sócrates considera "extraordinária" a vitória do PS nas eleições legislativas. É apenas uma pequena amostra de que um dos tiques do líder socialista - repisar uma fantasia até que ela passe por uma verdade - não vai ser corrigido.
PS - Meia vitória. Ganha as eleições mas perde a maioria absoluta e perde mandatos para todos os restantes partidos. Sai fragilizado desta corrida, mas com a razoável certeza de que ninguém terá coragem para, nos tempos mais próximos, mandar abaixo um novo Executivo socialista.
PSD - Derrota pesada. Não supera a fasquia dos 30%, apesar de conseguir aumentar o grupo parlamentar. Tendo em conta o cansaço de muitos sectores em relação ao Governo de Sócrates, a persistência dos problemas estruturais do país e a forte crise internacional, Manuel Ferreira Leite passou ao lado dos eleitores.
BE - Sobe, e muito, superando o PCP e passando a liderar a extrema-esquerda, mas não consegue cumprir a expectativa criada por diversas sondagens de passar a ser a terceira força política portuguesa. A progressão no número de votos é impressionante, o que revela ter o Bloco conseguido mobilizar, à esquerda, muito do descontentamento com o PS. Deve custar a engolir, mas Portas (Paulo, não Miguel), ensombrou a alegria de Louçã.
CDS - Consegue ficar à frente do Bloco de Esquerda, posicionando-se como terceira força partidária do país e passa a dispor de um grupo parlamentar de dimensão que já não se via há muitos anos nestas bandas. Paulo Portas é um dos grandes protagonistas da noite e um claro vencedor. Terá conseguido desviar muitos votos que, à direita, não se entusiasmaram com o PSD.
CDU - Derrota. Passa para o último lugar entre os "cinco grandes" e perde a liderança da extrema-esquerda. Ainda assim, sobe o número de votos e de deputados. Curto consolo para quem, no campeonato das forças políticas de menor dimensão, se vê ultrapassado pelo Bloco e pelo CDS, o que já não se via desde os distantes anos de fundação da democracia portuguesa.
Perante os resultados iniciais e aquilo que parece ser uma grande viragem à esquerda em Portugal, ocorre-me o cálculo egoístazinho: para jornalistas da área da política económica (como eu), os próximos anos vão ser de emprego garantido. A aventura começará em breve, no Orçamento do Estado para 2010. Poderá faltar ânimo, mas não vai faltar animação.
O que se pode concluir para já a partir das
projecções dadas pelas televisões:
PS - Meia vitória. Ganha as eleições mas perde a maioria absoluta e, por isso, sai mais frágil desta corrida.
PSD - Derrota pesada. Pode nem sequer superar a fasquia dos 30%.
BE - Sobe e muito, superando o CDS e o PCP. Uma vitória.
CDS - Não consegue ficar à frente do BE mas ultrapassa a CDU. Meia vitória.
CDU - Derrota. Passa para o último lugar entre os "cinco grandes" e perde a liderança da extrema-esquerda.
Nas televisões está tudo a tentar perceber a subida da abstenção face a 2005. O Elevador ajuda:
700 mil novos eleitores face a 2005, 98% dos quais com menos de 24 anos. Todo um enorme mercado eleitoral, mal explorado pelos partidos – não há uma mensagem adaptada aos receios e às expectativas destas pessoas. São difíceis de mobilizar, é verdade (porque estão foram da vida real), mas também ninguém os puxa para o voto.
A estes 700 mil (dos quais 300 mil foram recenseados de forma automática, ou seja, já eram abstencionistas radicais) os partidos serviram a mesma sopa eleitoral que aos restantes – lugares comuns, palavrinhas massificadas. Por isso, por favor, não se mostrem admirados com este resultado.
Resultados nas legislativas de 2005
PS
Número de votos
2.588.312
Percentagem
45.03%
Número de mandatos
121
PSD
Número de votos
1.653.425
Percentagem
28.77%
Mandatos
75
CDU
Número de votos
433.369
Percentagem
7.54%
Número de mandatos
14
CDS
Número de votos
416.415
Percentagem
7.24%
Mandatos
12
BE
Número de votos
364.971
Percentagem
6.35%
Mandatos
8
A projecção para a
abstenção divulgada pela SIC coloca-a acima de 2005 e o mesmo sucede com os números anunciados pela RTP. Previsível principal prejudicado será o PSD que não terá conseguido mobilizar o descontentamento com o Governo e combater a indiferença em relação ao único partido que poderia liderar uma solução alternativa aos socialistas.
De qualquer forma, na análise ao comportamento do abstencionismo será necessário ressalvar eventuais problemas com duplas inscrições e eleitores ainda registados apesar de já terem falecido.
O Cartão do Cidadão era suposto simplificar em vez de complicar, mas cidadãos que o detêm são confrontados com a
exigência do número de eleitor no momento em que vão votar. Não se entende como é que este género de problemas não foi antecipado e resolvido em tempo útil. Como se vê, há diferenças entre modernidade e modernice.
Na Alemanha, os eleitores optaram pelo
fim do "bloco central". Merkel ganha com um resultado medíocre, mas poderá fazer uma maioria com os liberais, seus parceiros favoritos.