Terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Parado


  • Não deixa de ser irónico que o slogan de campanha de José Sócrates fosse "Avançar Portugal", exactamente o contrário do que tem acontecido e do que está para acontecer. O país está parado desde a campanha para as Eleições Europeias à espera das Eleições Legislativas e Autárquicas.
  • Agora que o ciclo eleitoral passou, Portugal continua parado porque os novos ministros acabaram de tomar posse. O país continuará parado porque os novos governantes vão passar pelo menos uns seis meses aprendendo a ser ministros.
  • A seguir, o país continuará parado porque todas as reformas duras, difíceis e necessárias não têm viabilidade num Parlamento fragmentado. Se o Governo não as concluiu quando tinha maioria, se abrandou o ritmo, não vai acelerar agora que a estrada é pior.
  • Vamos ver muita acção e muito pouco movimento neste início de legislatura.
  • Só poderá avançar Portugal se Sócrates decidir avançar com tudo o que for mesmo preciso fazer, independentemente das condições políticas, precipitando uma crise se for preciso.
publicado por Vítor Matos às 10:00
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Segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

O malhanço continua

Aqui está a prova definitiva de que o país tem dois problemas: sofre de asfixia, democrática ou de outra natureza qualquer, e de falta de sentido de humor.

Neste episódio, só um pequeno detalhe surpreende. É o facto de ter sido a PSP e não o exército a deter os dois elementos dos "Homens da Luta". Com Augusto Santos Silva no Ministério da Defesa e animado do seu espírito malhador, não admiraria que os humoristas tivessem sido removidos numa Chaimite, sob a ameaça de uma G3.
publicado por João Cândido da Silva às 16:22
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Alemães e marroquinos

Os portugueses produzem como os marroquinos e gastam como os alemães. Foi mais ou menos desta forma que um editorial do "Wall Street Journal" se referiu, há alguns anos, ao pobre estado da economia portuguesa. Como se sabe, a tirada não perdeu actualidade e estas duas notícias, para além dos défice gémeos acumulados nas contas públicas e na balança corrente e de capital, confirmam-no.

Em adjudicações directas, sem concurso, portanto, as administrações públicas já gastaram dois mil milhões de euros este ano. E para subir mais um degrau na loucura financeira da ferrovia de alta velocidade, o ministro das Obras Públicas que acaba de sair do Governo inscreveu nos planos mais dois troços: Aveiro-Salamanca e Évora-Faro-Huelva.

Sobre esta última novidade, o economista António Nogueira Leite afirma que "só pode ser humor negro" de Mário Lino. Seria bom que assim fosse. Mas a verdade é bem capaz de ser mais séria porque o Governo gosta, de facto, de gastar à alemã condenando a economia a ficar cada vez mais marroquina.
publicado por João Cândido da Silva às 16:03
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Lido no Elevador

"The Humbling", o novo livro de Philip Roth, retoma alguns dos temas favoritos na obra do escritor. A solidão, o envelhecimento e a perda de faculdades físicas e intelectuais que lhe está associada, o isolamento para tentar lidar com os fantasmas interiores, as complexidades na gestão das relações e do que foi sendo deixado para trás num percurso de vida.

Simon Axler está na sua década de 60. Foi um actor de grande sucesso, admirado de forma reverente pelas suas prestações na representação de personagens dos clássicos. Mas, um dia, inesperadamente, perde o seu instinto de actor, o que significa ter de se confrontar com o desvanecimento daquilo que era mais importante para dar um sentido à sua vida. Digerir o fracasso, tentar perceber os seus motivos e recuperar o ânimo para viver tornam-se no objectivo central de Axler.

Esta é mais uma obra merecedora de leitura na bibliografia de Philip Roth. E uma prova adicional de que o escritor norte-americano, tal como muitos outros antes dele, não precisa do Nobel para ter já um lugar assegurado entre as grandes figuras de sempre no ofício da escrita.
publicado por João Cândido da Silva às 12:34
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Tomar a posse ao 26º dia de Outubro

publicado por Bruno Faria Lopes às 12:06
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Domingo, 25 de Outubro de 2009

Tiradas clássicas, pasquinadas modernas [2]

"Destes Barry Lindon que vêm à capital tentar fortuna, o mais típico é o jornalista, o jornalista de agora, enérgico, pimpão, lesto em moral, intransigente em fórmulas de honra, desabusado porém de todas as crenças, batido de todas as misérias, esfomeado de todos os prazeres - o jornalista que, devorado do mal do oiro, põe a sua fortuna num artigo, especulando as altas e as baixas dos partidos, e incorrendo na alternativa de acordar director-geral, ou ter de fazer saltar os miolos, ao dia seguinte."

Os Jornalistas e Outras Pasquinadas, por Fialho de Almeida, 1889
Imagem: Barry Lindon, Stanley Kubrick, 1975
publicado por Bruno Faria Lopes às 12:28
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Sábado, 24 de Outubro de 2009

Lido (com muito prazer) no Elevador

Quem aprecia os livros de Graham Greene tem largos motivos para gostar do "No Coração de África", de William Boyd. É o romance de estreia do escritor, uma obra do início dos anos 80 e cuja acção decorre na década anterior, mas só agora tive o prazer de lhe deitar a mão e de o devorar de fio a pavio.

No meio de um continente que é um perfeito desastre, temos a história de um perfeito falhado, colocado num alto comissariado onde é suposto fazer-se alguma diplomacia e muita espionagem mas em que nada funciona e as motivações de quem lá trabalha são as do costume entre os burocratas: agradar aos superiores, subir na carreira e conquistar uma posição nalgum local mais aprazível.

Pelo meio há corrupção, manipulação, baixa política, encontros e desencontros sentimentais ao sabor das conveniências do momento. Mas também um leve aroma de redenção, quando já se perdeu tudo e, portanto, já não há nada a perder. Este vosso guarda-freio dá cinco estrelas a este livro. Ainda por cima porque, no meio do pântano humano quase generalizado, tem uma cena que obriga a interromper a leitura para rir compulsivamente.
publicado por João Cândido da Silva às 23:51
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Tiradas clássicas, pasquinadas modernas

"With regard to Policy, I expect you already have your own views. I never hamper my correspondents in any way. What the British public wants first, last, and all the time is News. Remember that the Patriots are in the right and are going to win. The [Daily] Beast stands by them foursquare. But they must win quickly. The British public has no interest in a war that drags on indecisively. A few sharp victories, some conspicuous acts of personal bravery on the Patriot side and a colourful entry into the capital. That is the Beast Policy for the war."

Scoop, Evelyn Waugh, 1938
Imagem: The Passenger [Profissão Repórter], Antonioni, 1975
publicado por Bruno Faria Lopes às 22:57
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Escutado no Elevador

publicado por João Cândido da Silva às 11:58
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Confissões de um aluno de 14

www.morenewmath.com, via Menina Limão
publicado por Bruno Faria Lopes às 05:02
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