Terça-feira, 6 de Outubro de 2009
Divirto-me a ler
considerações sobre a República como se ainda vivessemos em efeverscência carbonária pré-1926. Ser republicano hoje ou defender uma República em vez de uma Monarquia nos dias que correm nada tem a ver com 1910. Se a República é a democracia de Afonso Costa ou o regime de António de Oliveira Salazar - como há monárquicos a fazer crer -, a monarquia também podia ser o absolutismo iluminado do século XVIII ou o falido rotativismo parlamentar do século XIX.
Se queremos, portanto, debater o regime - os monárquicos querem - temos de pensar entre República hoje e Monarquia hoje. As conclusões parecem evidentes. A irracionalidade de ter uma família na chefia do Estado é uma perda de liberdade dos cidadãos; há privilégios que ninguém deve ter, como o acesso ao poder pelo sangue ou o matrimónio; há cruzes que ninguém deve carregar, como a de se estar predestinado a tão grave missão; o povo deve escolher o seu Chefe de Estado, pois a Nação está para além dele e acima dele, não precisando de estar personificada no sangue de uma família; na República os privilégios são de quem os merecer, como hoje bem sublinhava Cavaco Silva.
Esta República é perfeita? Claro que não. Mas numa Monarquia persistiriam os defeitos desta República aos quais de acrescentariam outros tantos.
Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009
Mais do que as politiquices do costume –
campeonato em que Sócrates hoje quis jogar – o mais interessante na intervenção do Presidente no 5 de Outubro (afinal, sempre falou) foi o forte pendor de direita.
Cavaco aproveitou as autárquicas para evitar mais atritos com "o partido do governo" – depois de abordar a educação (em 2007) e a economia/pobreza (em 2008), o Presidente deixou de lado as políticas públicas e falou directamente para as pessoas.
E disse-lhes isto: numa República que é feita de pessoas, parem de se queixar, assumam as vossas responsabilidades, façam pela vida.
Numa altura de crise económica e de ascensão da esquerda-dos-castelos-no-ar esta é a parte mais interessante da mensagem deste fragilizado Cavaco. Mais interessante do que as merdices do costume – da "transparência" da política e de "escutar" [ha ha] os problemas dos portugueses – logo exploradas pelos intérpretes profissionais de cavaquês-português.
Domingo, 4 de Outubro de 2009
Sábado, 3 de Outubro de 2009
Pronto, agora já podem elogiar o "europeísmo" e "sentido das responsabilidades" dos eleitores irlandeses que aprovaram o Tratado de Lisboa. Quem, por distracção ou ingenuidade, ainda tivesse dúvidas de que os referendos sobre matéria europeia só exprimem verdadeiramente a vontade dos povos quando ganha o "sim", pode desenganar-se. Aliás, sem surpresa, o cortejo de
referências elogiosas aos eleitores irlandeses já
começou. Democracia? Deixem-me rir.

Hoje, há "rodeo" em Salvaterra de Magos, cortesia de um município liderado pelo Bloco de Esquerda. Aos apreciadores, aconselha-se que aproveitem a oportunidade. Francisco Louçã já avisou que o Bloco está preparado para ser Governo e, se lá chegar, proibirá esta espécie de eventos, assim como as touradas, em todo o território nacional. Isto se, enquanto Governo, quiser ser mais sério e coerente e menos hipócrita.
Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Tudo nasceu das boas intenções para contrariar a teoria económica dos canhões e da manteiga, segundo a qual quem produzia mais canhões teria menos manteiga e vice-versa. As contrapartidas nos negócios da Defesa nasceram exactamente para tornar um pesado investimento não reprodutivo do Estado numa oportunidade económica.
Em suma, com as contrapartidas, quando mais canhões houvesse, mais manteiga haveria, e assim venciam-se as resisitências da opinião pública em relação ao investimento em armas.
Em Portugal, a regra tem sido: se um equipamento militar custa 100, então o fornecedor tem de encontrar investimento no valor de 100 para o País.
Acontece que os fornecedores militares se estão nas tintas para as contrapartidas. Se puderem, até pagam para não ter de as cumprir. De facto, não têm sido cumpridas. O Estado português tem sido ludibriado. Ou pior: o mau trabalho da Comissão Permanente de Contrapartidas ao logo de vários governos tem contribuído para as contrapartidas não serem executadas.
Por isso é tão importante a investigação que o Ministério Público está a conduzir sobre o caso dos submarinos.
Não deixa é de ser estranho que ao longo dos anos nenhum partido se tenha interessado verdadeiramente sobre este tema, com a excepção do deputado socialista Ventura Leite, entretanto devidamente corrido das listas.
Quinta-feira, 1 de Outubro de 2009
Para celebrar os 60 anos da revolução maoísta – que tantas coisas boas trouxe, incluíndo um Presidente da Comissão Europeia – a linha dura de guarda-freios do Elevador reuniu com alguns dignitários estrangeiros. Local do encontro: Mandarim, no Estoril. O menu foi fiel à linha do socialismo de mercado chinês – ou seja, foi à grande.
"O gajo" e "O tempo das gravuras de Foz Côa", por Helena Matos, no "Público". O primeiro texto, analisa as relações entre a "aristocracia" socialista e Cavaco Silva, um intruso neste mundo vocacionado para ocupar e se instalar no poder. O segundo, sublinha algumas verdades sobre os disparates que a propaganda consegue fazer o país engolir, a propósito da mais recente proposta para que o Museu do Côa albergue arte contemporânea.