Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009
Platon, fotógrafo da New Yorker
retratou dezenas de chefes de Estado na última Assembleia Geral das Nações Unidas. O resultado, comentado pelo próprio num portefólio interactivo no site da NY é fascinante. As histórias de Berlusconi, Kadhafi, Gordon Brown são óptimas. Para mim, as melhores fotos são as de Zapatero e de Rupiah Banda, da Zambia. Sócrates não aparece.
Com mais umas quantas destas, como a do
adiamento do Código Contributivo, votado pelas oposições, creio que este Governo não passará do Verão (Cavaco deixa de poder dissolver a AR em Setembro) contrariando as previsões do professor MRS. Vamos ver, vamos ver se Sócrates arrisca eleições com uma liderança fresca no PSD e suspeitas assombrando-lhe a reputação ou se prefere um pântano parlamentar e um Governo que nem governa amarrado a "casos" nem pode governar porque ninguém deixa.
Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Em reportagem no Dubai, em Novembro de 2007, visitei um estaleiro de construção de 40 torres com mais de 30 andares, destinados a apartamentos, a escritórios e a lojas. Estava tudo a ser construído ao mesmo tempo, à velocidade da luz. O engenheiro responsável pela obra explicou-me que aquilo não era nada: uma vez tinham-lhe pedido para fazer uma torre em forma de livro deitado, toda ela giratória (projecto em que ainda pensou, mas recusou por motivos técnicos). Essa seria mais uma extravagância a somar às ilhas artificiais em forma de palmeira (
o meio que o pequeno Emirato arranjou para multiplicar a terra comercializável), aos maiores centros comerciais do planeta, à torre mais alta do mundo e ao hotel mais caro (etc. etc.).
Nada disto, está claro, podia resultar. Simplificando até ao limite, o Dubai é uma economia de serviços – o petróleo pesa 4% no Orçamento, ao contrário do que se passa no realmente rico Abu Dhabi – que não produz (nem inova) quase nada. Tem uma população local pouco preparada e estragada por dinheiro fácil e rápido – afinal, há apenas algumas décadas eram nómadas e pescadores – que paga bem pelo conhecimento dos estrangeiros (
e explora a mão-de-obra barata da Índia, Paquistão e Bangladesh). Por outro, acumulou uma dívida enorme para financiar, lá está, uma economia de imobiliário, consumo e turismo. Depois da Islândia, era uma questão de tempo até a crise financeira asfixiar o Dubai, que fica agora nas mãos dos poderes vizinhos (que deixaram cair o Emirato), esses sim com petróleo, gás e dinheiro.
Portugal é uma economia com grandes diferenças face ao Dubai, mas a situação serve de exemplo. O peso dos serviços na economia do shopping center portuguesa é de 70%; desta fatia, uma percentagem mínima (cerca de 5%) é exportável, o resto é motor de consumo interno (e importações e endividamento). Portugal tem também uma dívida cada vez maior (a total, directa e indirecta, já deverá exceder 120% do PIB). A grande vantagem? Portugal pertence ao clube da zona euro, que exige a consolidação orçamental criticada por muitos, mas que não deixa cair um dos seus membros em incumprimento – uma garantia que, como tudo na vida, terá seguramente um limite e um prazo de validade.
Quinta-feira, 26 de Novembro de 2009
Grande reportagem com vídeo e fotos sobre a crise financeira mundial (não perder o link "Introduction"), encomendada pela Reuters à
MediaStorm. A infografia é também grandiosa.
O PSD vai agendar no dia 10 um
debate parlamentar sobre corrupção. É claro que o fenómeno atravessa a sociedade e o PSD não é imune.
Mas
nesta história mais ou menos tétrica - que mete ameaças, carros incendiados, actas roubadas, dinheiro desviado, cães a envenenar -, percebemos como é que eles começam, de pequeninos, a traficar em Juntas de Freguesias, para depois crescerem e fazerem o mesmo à grande. Este caso é como PSD.
JOSÉ SÓCRATES - "Isto está a passar todas as marcas"
VIEIRA DA SILVA - "O que motiva essas forças e essas pessoas que estão por detrás do que me parece ser uma ilegalidade não é qualquer averiguação relativa a qualquer processo de corrupção, é pura espionagem política"
FRANCISCO ASSIS - "Assistimos nas últimas semanas a uma tentativa clara de decapitação política do Governo e do PS, feita de uma forma totalmente inaceitável, procurando politizar um processo judicial e fazer a judicialização da vida política"
Todas com 20 valores no índice de confusão na separação de poderes, pressões sobre o poder judicial, e estanhas acusações do PS aos investigadores do Ministério Público, Judiciária e a juízes.
O défice orçamental rondará 8% do PIB este ano, a dívida pública total (directa e indirecta) aproxima-se de 120% do PIB, a economia deverá crescer abaixo de 1,5% nos próximos cinco anos. Perante isto, o governo garante que é possível manter o compromisso com os portugueses (não subir os impostos) e com Bruxelas (trazer o défice para 3% em 2013). Perante isto, a oposição mostra alarme e garante que não deixará subir os impostos. Entretanto, só durante o dia de ontem, o PCP pediu o fim do pagamento de propinas, o BE exigiu reforma por inteiro para quem desconta 40 anos e o PSD gritou por mais dinheiro para segurança pública em 2010.
No fundo, governo e oposição até estão a fazer o que o governador do Banco de Portugal, a Comissão Europeia, as agências de rating, os economistas e toda a gente que paga impostos lhes pede: os políticos portugueses estão mesmo a discutir medidas do lado da despesa. Agora só falta que alguém lhes explique que a ideia destas medidas é reduzir a despesa.
De resto tudo bem.
Terça-feira, 24 de Novembro de 2009

A separação dos Beatles não foi um espectáculo bonito. Tensões crescentes entre os membros do grupo, em especial entre Paul McCartney, John Lennon e George Harrison, com a presença constante de Yoko Ono nos estúdios, interferindo, mesmo através do seu silêncio, no trabalho da banda, ditaram o princípio do fim.
Para além da degradação das relações pessoais, os Beatles entraram em divergência quanto à condução dos seus negócios, em estado caótico desde a morte de Brian Epstein, o "manager" que tinha acompanhado os "fab four" desde o início da carreira. A escolha de um gestor que colocasse a casa em ordem, a Apple Corps e o grupo de empresas que controlava, foi um ponto decisivo de conflito. De um lado, Lennon, Harrison e Ringo Starr, que apostavam em Allen Klein. Do outro, isolado, McCartney, que defendia o sogro, pai de Linda Eastman, para tomar conta dos negócios da banda.
A partir daqui, seguiram-se longos anos de processos judiciais que Peter Doggett descreve em "You Never Give Me Your Money - The Battle For The Soul Of The Beatles". Pela obra se percebe como os quatro elementos da banda que dominou os anos 60 tinham um talento para os negócios inversamente proporcional ao que demonstraram no plano musical.
Investimentos ruinosos, anarquia nas finanças, desconhecimento sobre quem, de facto, era detentor dos direitos de autor sobre as canções, exposição aos mais diversos oportunistas interessados em fazer fortuna à custa dos músicos, o livro de Doggett é um desfiar de factos e histórias que, muitos anos após a separação oficial, em 1970, continuaram a impedir os quatro heróis de Liverpool de se libertarem de um fardo pesado.
Segunda-feira, 23 de Novembro de 2009
Via jornal i