Terça-feira, 29 de Dezembro de 2009
"O último recurso", por Pedro Lomba, no "Público", sobre o sistema semipresidencialista português: "Enquanto o Governo for tão poderoso como é, enquanto o primeiro-ministro exercer um controlo único e dado a toda a espécie de abusos sobre o Estado e a sociedade, enquanto os partidos gerarem políticos sem credenciais, prescindir do estatuto do Presidente da República e assim do semipresidencialismo pode implicar um suicídio." Nem mais.
Para um cultor juvenil de Sherlock Holmes, o filme Sherlock Holmes que vi ontem sem ter lido qualquer crítica, é como ter ido ao cinema para ver um filme que não é sobre Sherlock Holmes.
Aquele Sherlock (Robert Downey Jr.) é mais músculo do que cérebro e o filme parece-se mais com um 007 ou um western do que com as aventuras criadas por Conan Doyle. Aquilo é o que seria Holmes se fosse americano. Aliás, o vilão é mais parecido com Jeremy Brett - o mais célebre Holmes dos anos 80 - do que o próprio herói. Mas isto é o meu imaginário a debater-se com o filme.
Posto isto: diverti-me, embora tenha saído da sala sabendo que tinha visto uma história mediana. A coreografia é boa, o conteúdo é fraco.A produção é fabulosa, a sucessão de planos das lutas em que Holmes pensa mais depressa do que os seus golpes é genial, a intriga é interessante, mas o argumento não chega de perto aos calcanhares do original.
Vamos aguardar, com muita ansiedade, se os esquizofrénicos de serviço no PS vêm hoje a público dizer que o Presidente da República se
colou escandalosamente aos socialistas ao promulgar o Orçamento Rectificativo (ou "redistributivo", segundo o original entendimento do ministro das Finanças).
"EDP recusa responsabilidade de indemnizar clientes que ficaram sem luz" - título de notícia do
Jornal de Negócios.
"Este Natal dê o que tem a mais a quem tem menos" - texto de um anúncio da mesma EDP no mesmo jornal, onde aparece uma caixa de sapatos de senhora, supostamente para oferecer aos pobrezinhos.
Mas quando se trata de cumprir as suas obrigações como fornecedor praticamente monopolista de electricidade aos habitantes da região Oeste que passaram o Natal sem luz, a EDP já não dá nada a ninguém. A caridade recomenda-se. Aos outros. Até já tenho os olhos marejados de lágrimas.
Para fazer estádios e outros disparates caros há dinheiro. Mas para investir na qualidade da
água imunda dos rios portugueses não há recursos. É curioso, como se pode ler na notícia do "Público", que Leiria, um dos municípios que suporta os encargos absurdos de um vistoso estádio de futebol, tem sob a sua responsabilidade dois dos 12 locais do país em que a água é de pior qualidade. Mais palavras para quê, quando os factos revelam quão demente pode ser a definição de prioridades por parte dos responsáveis políticos?
Uma vez mais,
parabéns aos basbaques que acham que Portugal deve organizar grandes eventos internacionais para mostrar aos outros que também consegue fazer coisas supostamente exigentes apenas ao alcance das nações civilizadas e que o dinheiro, como para todo o novo-rico que se preze, não é problema.
O estádio de Leiria, um dos dez construidos ou remodelados para o Euro 2004, era suposto ter custado menos de 20 milhões de euros mas já vai nos 90 milhões e, qual esponja impiedosa, absorve cinco mil euros por dia à Câmara da cidade, isto é, aos contribuintes. Com este fardo às costas, é óbvio que o município não tem dinheiro para fazer outras coisas que seriam mais importantes para os cidadãos do que terem um estádio novo e às moscas no seu concelho.
Em relação aos "elefantes brancos" herdados do Euro, este não é caso único, como se sabe. Mas é um bom retrato das consequências das decisões de governantes, e cúmplices dos mais diversos lóbis, que têm uma concepção parola do que é "fazer obra". Os estádios são uma pequena amostra do que vai suceder com o grandioso projecto do TGV e não suprreende que por detrás da persistência no investimento na alta velocidade e da candidatura ao Euro 2004 esteja a mesmíssima personagem, de nome José Sócrates.
Só nos resta ansiar que a candidatura ao Mundial de futebol seja chumbada e que as mentes alucinadas que querem ter uns Jogos Olímpicos em Portugal jamais consigam concretizar o seu sonho delirante.
Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009
"
Uma imprensa robusta e desinibida". Grande texto de opinião de Pedro Lomba.
Lamento muito mas, embora compreenda que o
local está de cheio de história e que, por isso, o acidente puxa ao sentimento, acho que o incêndio que atingiu o Hot Clube, em Lisboa, é uma oportunidade para que esta instituição do jazz em Portugal seja reinstalada num sítio com boas condições para quem toca e para quem escuta. Já há muitos anos que aquela cave exígua se tinha transformado num anacronismo, alimentado por nostálgicos incapazes de aceitarem a passagem do tempo.
Terça-feira, 22 de Dezembro de 2009
Lá vêm
estes senhores com a magna missão de defender esse mítico conceito que dá pelo nome de
centros de decisão nacional. Portugal até tem uma competitiva e fabulosa economia do betão, convenientemente financiada pela banca - deve ser por isso que para a Caixa o cimento é um activo estratégico nacional que vale a pena defender com unhas e dentes. Haja paciência.
Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009
Ele quer um congresso no PSD e diz que não se candidata...
por enquanto;
Ele é vereador na câmara municipal;
Ele fez um tabu sobre a vereação do PSD na CML;
Ele candidatou-se à CML e perdeu;
Ele candidatou-se à liderança do PSD e perdeu;
Ele foi líder da bancada parlamentar;
Ele foi deputado;
Ele culpou Cavaco e Marcelo quando escreveu um livro sobre quando o céu que lhe caiu em cima;
Ele regressou à CML e deu um chega para lá em Carmona;
Ele viu uma maioria absoluta dissolvida e não percebeu o que lhe aconteceu;
Ele foi primeiro-ministro e líder do PSD sem saber como;
Ele abandonou a CML para cobrir a retaguarda de Barroso e do partido no Governo;
Ele debatia com Sócrates na RTP;
Ele quis ser Presidente da República;
Ele era o número dois do PSD;
Ele ganhou a câmara de Lisboa a João Soares e empurrou Guterres para o pantanal;
Ele candidatou-se a líder em Coimbra contra Barroso e Mendes;
Ele ganhou a Figueira da Foz;
Ele era o enfant-terrible, mas nunca foi a votos nos congressos com Marcelo;
Ele deixou a presidência do Sporting para se candidatar ao PSD;
Ele pediu ao PR para o receber porque ia abandonar a política por causa do João Baião;
Ele foi presidente do Sporting;
Ele comentou na televisão;
Ele foi candidato a líder no congresso do Coliseu, mas não foi a votos com Durão e Nogueira;
Ele zangou-se com Cavaco por causa do tabu;
Ele foi secretário de Estado da Cultura de Cavaco;
Ele foi secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros de Cavaco;
Ele apoiou Cavaco na Figueira da Foz;
Ele era da tendência Nova Esperança liderada por Marcelo contra o Bloco Central;
Ele era dos Críticos a Balsemão e conspirava com Cavaco para o derrubar;
Ele era colaborador de Sá Carneiro;
Ele era amigo de Barroso e falavam do dia em que seriam primeiros-ministros;
Ele era um estudante de direita;
Ele nasceu para isto e nunca deixará de voltar a isto, mesmo que diga que não voltará para o PSD, se um dia sair do PSD. Agora pode candidatar-se a líder. Mas também pode apenas ser uma reserva moral para ajudar o partido a pensar, porque ele faz parte da derrocada. Parece-me que desta vez PSL vai tirar o pulso ao partido e quem sabe se não provocará a cisão que se desenha há tanto tempo: elitistas para um lado e populista para o outro. Um partido novo que retira definitivamente ao PSD a possibilidade de ser poder sem ser em coligação com uma ala perdida ou com o CDS. Será isso?