Domingo, 28 de Fevereiro de 2010

O problema da memória

O Público traz hoje um artigo em que fala da longevidade de Marcelo Rebelo de Sousa como comentador político. Imagine-se que ele consegue manter-se nessa qualidade há 15 anos, desde o célebre Exame da TSF emitido nos longínquos tempos do cavaquismo. Nem jornalista nem comentadores se lembraram que foi Marcelo quem de certo modo "inventou" a análise política no jornalismo português, no Expresso, há 37 anos, na célebre Página Dois; que foi nessa coluna que se tornou "criador de factos políticos" até ir para o Governo de Balsemão; depois, com o fim da AD rompeu com Balsemão e fundou o Semanário onde manteve a sua crónica de análise até 1987 (mas ainda passou fugazmente pela Renascença). É um caso de longevidade ainda maior do que o Público nos faz crer.
publicado por Vítor Matos às 12:19
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Sábado, 27 de Fevereiro de 2010

Coisas incompreensíveis

Esta entrevista ao advogado Ricardo Sá Fernandes ao i merece ser lida: não apenas sobre o caso Face Oculta, mas também por outro aspecto em particular. Foi ele que denunciou o construtor de Braga Domingos Névoa como corruptor, e agora está acusado por ele e o MP acompanha incompreensivelmente a acusação. Ele diz:

"Denunciei o sr. Domingos Névoa e aceitei colaborar com o Ministério Público, como cidadão. Acho verdadeiramente incompreensível que o mesmo Ministério Público, mas em Braga, me acuse porque disse que Domingos Névoa era um corruptor. O sinal que é dado é que os corruptores têm mais poder e quem denuncia, se não tem todos os cuidados, é aniquilado. Não acredito que em Portugal se queira combater a corrupção."
publicado por Vítor Matos às 18:24
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Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010

O candidato inter-planetário

Eis o candidato Fernando Nobre a confessar à Maria Henrique Espada e à Sara Capelo que acredita em extraterrestres.

publicado por Vítor Matos às 10:14
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Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010

O dia está a acabar assim



Deuses da guitarra: Joe Satriani, Steve Vai e Eric Johnson. Grande som para debater o PEC.

publicado por Bruno Faria Lopes às 19:23
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Isto anda tudo ligado

Era uma vez um polícia a investigar um caso de lixeiras e sucatas...

Um sucateiro fala com um amigo banqueiro que também é amigo do PM e esse sucateiro também fala com outro amigo que é filho do presidente da REN amigo do PM e este filho de amigo do PM também é amigo de um administrador da PT que por sua vez é amigo do PM e todos os amigos do PM falam do que o PM sabe e não sabe, gosta e não gosta, dos negócios que o PM gostava ou não gostava de ver feitos, mobilizando para isso meios semi-públicos e privados, e, no fim da linha, já toda a gente se esqueceu de que estava a investigar um sucateiro e o PM está debaixo de fogo, coisa que em Portugal só aconteceu com este PM e nunca com outro, apesar de nem sempre todos eles terem amigos recomendáveis.

Esta manhã o meu café estava uma merda. Isto anda tudo ligado.
publicado por Vítor Matos às 12:15
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Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010

Ouvido hoje na Brasserie Flo

"Tens que ver que o povo não gosta de pobreza"
publicado por Bruno Faria Lopes às 16:02
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Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010

As catástrofes e os regimes - corrigido

Em situações dramáticas como as que a Madeira está a viver e quando o País está de luto, seria de evitar polémicas como esta. São procedimentos próprios das ditaduras e foi exactamente isso que a censura do Estado Novo fez durante as graves cheias de 1967 na região de Lisboa. Deixar de contar os mortos não abona a favor dos vivos.

ADENDA: a propósito disto, é obrigatório ler a Coluna Vertebral do João Paulo Guerra no Diário Económico que conta exactamente o que se passou nas cheias de 1967, quando o SNI mandou para o RCP a mensagem: "A partir deste momento não morreu mais ninguém".
publicado por Vítor Matos às 20:39
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Entrevista sem chama

Em Sinais de Fogo, novo programa de Miguel Sousa Tavares, o primeiro-ministro deu ontem uma entrevista sem chama, previsível, treinada e artificial. Apesar dos bons esforços de Sousa Tavares, José Sócrates manteve e repetiu aquilo que era suposto dizer e repetir, sem esclarecer as dúvidas que têm recaído sobre si. Mesmo que todas as evidências e a lógica apontem para o contrário, Sócrates continuou a dizer que nenhum administrador da PT o informou da intenção de comprar a TVI. Como é óbvio, mantém-se a questão anterior: não saber oficialmente não é o mesmo que não saber. E se Sócrates não sabia da intenção da PT (a 24 de Junho) um dia depois de terem saído as notícias do i e depois de a CMVM ter sido informada, então, devia tirar a confiança à administração da empresa por não ter informado o accionista Estado de uma decisão tão estratégica para a empresa.

A sua defesa sem pestanejar de Rui Pedro Soares também é reveladora. É preciso segurar as peças todas e cerrar fileiras, porque em política quando cai a peça de uma ponta pode haver um dominó que não se sabe onde vai acabar. Mais: Sócrates podia não saber do negócio da Taguspark com Figo, mas a verdade é que foi a mesma pessoa a tratar do contrato com o Taguspark (Rui Pedro Soares) e do encontro com o líder socialista. E mesmo que ele não soubesse, devia mostrar preocupação em relação aos contornos aparentes da coisa. Não o fez.

ADENDA: Depois, cometeu um erro crasso nas datas, ao dizer que o apoio de Figo manifestado numa entrevista ao Diário Económico foi anterior à questão do contrato com o Taguspark: como o DN hoje revela, a entrevista de Figo é de 7 de Agosto e as escutas entre Penedos e Perestrello a comentar o assunto são de Junho... Aqui houve falta de profissionalismo do staff que ajudou a preparar o PM. E a questão não só se mantém, como o argumento de Sócrates reforça as suspeitas.

Quanto à economia, temos uma nova teoria do oásis e quem oiça José Sócrates pensará que não há País do G20 ou da OCDE melhor para morar do que este pequeno rectângulo à beira mar plantado, com números tão favoráveis face ao descalabro que vai por esse mundo fora. É que os ricos estão menos ricos. E nós somos pobres e estamos mais pobres. A diferença é essa.

Mas Sócrates é um mestre da comunicação e temos de concordar que ele é bom, muito bom naquilo que faz. Sobretudo na forma. Se lhe soltaram o Miguel Sousa Tavares e foi assim, acho que nem com técnicas de waterboarding ele mudava uma linha ao que disse, na maneira como disse. O homem, reconheça-se, tem uma carapaça invejável. É um rijo.
publicado por Vítor Matos às 10:53
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Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2010

O silêncio e o ensurdecedor

O momento não podia ser pior, mas as pessoas revelam-se nos piores momentos. Apesar de neste caso a surpresa ser pouca, não deixa de ser surpreendente. Alberto João Jardim estava ao lado de José Sócrates, quando apelou para que houvesse cuidado com as notícias sobre a Madeira (via Cibertúlia). O democrata sr. Alberto disse isto:

«Cuidado com as dramatizações, não se pode esquecer que a nossa economia depende muito do exterior, vamos resolver os problemas internamente, não dramatizar muito lá para fora e deixar as instituições funcionar e fazer esquecer nos mercados externos os problemas que houve aqui».

Preferia o silêncio, como fez o salazarismo, quando a censura ordenou às redacções nas cheias de 1969 que a partir daquele momento não tinha morrido mais ninguém. AJJ queria ensurdecer-nos, perante uma tragédia daquelas. Ele sim, é o ensurdecedor. Pior do que isso, não percebe nem conhece o mundo em que vive. É mais uma tristeza a juntar a tudo aquilo que é triste.
publicado por Vítor Matos às 19:03
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Silêncio Ensurdecedor

Há já uns tempos que me incomoda o facto de ter passado a ser moda não ficar calado quando se respeitam minutos de silêncio. Este fim-de-semana, por causa dos trágicos acontecimentos na Madeira, mais uma vez me deparei com tal estupidez...

Não sei se as pessoas se lembram, mas os momentos de silêncio - que normalmente têm a duração de 1 minuto no nosso país - deviam ser períodos de contemplação, memória, meditação e oração. Normalmente, baixavam-se as cabeças em sinal de humildade, tiravam-se os chapéus em sinal de respeito, tentava-se permanecer imóvel e calado.

Hoje em dia batem-se palmas, passam-se filmes com banda sonora a condizer, faz-se tudo menos silêncio. E porquê? Bom, a minha aposta principal é que as pessoas, para além de terem pânico do silêncio, não sabem rezar. E como não sabem rezar - nem sequer imaginam que se pode -, também não sabem o que fazer nestes momentos.

É triste, muito triste...
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publicado por Luis Afonso às 00:37
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