Sexta-feira, 30 de Abril de 2010

Gente em museus - 1

Foto: VM

A mulher que tinha saudades de estar dentro de uma foto do Bresson. Exposição no Art Institute of Chicago, 2008.
publicado por Vítor Matos às 23:39
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Descubra as diferenças

Manuela Ferreira Leite, em Novembro de 2008: "[As grandes obras públicas ajudam ao] desemprego de Cabo Verde, desemprego da Ucrânia, isso ajudam. Ao desemprego de Portugal, duvido".

Cavaco Silva, hoje: "Eu entendo que faz sentido reponderar todos aqueles investimentos, públicos ou privados, na área dos bens não transaccionáveis, que tenham uma grande componente importada, isto é, que utilizem pouca produção nacional e que sejam capital intensivo, ou seja, que utilizem pouca mão-de-obra portuguesa".

Cavaco Silva, em Janeiro de 2006, num debate das presidenciais com Francisco Louçã: "[Se a imigração não for controlada] a certo momento os portugueses, aqueles que aqui nasceram, poderiam estar em minoria" face aos estrangeiros

Cavaco Silva, Junho de 2006: "Talvez Portugal tenha que fazer uma análise da política de imigração que lhe interessa. E que talvez possa contribuir - é algo que deve ser estudado - para inverter este ciclo de envelhecimento e de desertificação".
publicado por Vítor Matos às 23:12
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Banda sonora para os caminhos tortuosos do euro

publicado por João Cândido da Silva às 20:54
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Até em esperma somos deficitários, pá

Está tudo estragado – mais uma cavaca (salvo seja) para a fogueira do endividamento externo. Diria que há aqui potencial para o florescimento das indústrias criativas.
publicado por Bruno Faria Lopes às 19:19
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De resto, tudo bem

1. O Ministro das Finanças, no espaço de uma semana, passa de afirmar que o contágio grego "é temporário" para afirmar que estamos num "momento decisivo".

2. Ontem, perante este "momento decisivo", e questionado sobre que medidas iria o governo tomar além das que estão previstas no PEC, o mesmo ministro respondeu que tomará "todas as medidas que forem necessárias se se vier a revelar que são necessárias".

3. O mesmo ministro abre ainda a porta para a reavaliação dos projectos de obras públicas. Deixa um eventual anúncio para o colega das Obras Públicas.

4. Horas depois o colega das Obras Públicas diz que afinal é tudo para continuar e que o Estado "é uma pessoa de bem que honra os seus compromissos". Esta "pessoa de bem" é a mesma que – apenas para citar dois exemplos – antecipou o compromisso que tinha com a função pública para a penalização das reformas e rompeu em 2005 o compromisso do Estado com os pensionistas.

5. À noite ouço António Costa, do PS, dizer na SIC que a culpa é dos mercados, dos especuladores e da chanceler Merkel, que não se apressa a pagar as contas em atraso dos gregos porque há eleições na Renânia do Norte/Westfália.

6. Continuo a ouvir o PSD a manifestar-se contra as reduções dos benefícios fiscais. E a defender os cortes nos consumos intermédios como contributo essencial para resolver o problema.

Entretanto, mesmo com sinais de suavização, os juros mantêm-se em níveis muito elevados e o olhar da Medusa ainda não se desviou um milímetro.

De resto, tudo bem.
publicado por Bruno Faria Lopes às 13:13
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Quinta-feira, 29 de Abril de 2010

Um recorte mais nítido

Agora começamos a ter um recorte mais nítido (como dizem os espiões) do que se está a passar. O Governo foi rápido a antecipar as decisões que penalizam os mais frágeis entre os que já estão frágeis. E teve a anuência do PSD. Mas 48 horas depois, anuncia que o TGV é para manter, o troço Poceirão-Caia é para manter, o aeroporto é para manter, a terceira ponte é para manter... Vá lá, adia-se uma autoestradazita. Isto é um sinal forte que o País vai ter dificuldade em compreender tendo em conta os sacrifícios que são pedidos às pessoas.

Portugal parece uma família que corta na despesa da mercearia para a alimentação, tira a mesada aos filhos, toda a vizinhança percebeu que está quase falida e nenhuma mercearia do bairro se arrisca a vender-lhe fiado por saber que os seus rendimentos não vão crescer, mas vai comprar o BMW, fazer a viagem às Maldivas e pedir o empréstimo para a nova moradia, porque já se comprometeu com os vendedores e não vai desistir para eles não ficarem com as cauções, mesmo prejudicando o futuro dos filhos, pois vai ficar endividada para o resto da vida.

Em conformidade, o PSD não poderá concordar com a manutenção destas opções e aqui não há margem para blocos centrais mitigados. Com as sondagens a caminhar neste sentido, tudo poderá precipitar-se mais depressa. A Marktest dá o PSD a ultrapassar o PS pela primeira vez. É outro sinal ao qual certamente Sócrates não será insensível, embora Passos não tenha qualquer vantagem em chegar lá em plena crise.
publicado por Vítor Matos às 23:54
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Incompatibilidades ao contrário

Estamos habituados a olhar para as incompatibilidades na óptica dos políticos que prejudicam o interesse nacional em benefício do interesse próprio. O caso de António Nogueira Leite (conselheiro de Passos Coelho) é exactamente o contrário. Este post no Albergue Espanhol devia pôr Vasco Mello com os cabelos em pé. Nogueira Leite está cheio de razão ao pedir a suspensão da adjudicação provisória da linha de TGV Poceirão-Caia, mas o que lhe dirão os accionistas da Brisa onde é administrador sobre as suas livres opiniões? A questão faz sentido, mas do ponto de vista político esta posição só abona a favor dele. Nem todos podem...
publicado por Vítor Matos às 17:42
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Soares no seu melhor

"Soares avisa sindicatos para pensarem duas vezes antes de fazerem mais greves"

Se os sindicalistas pensarem três vezes, talvez se recordem dos tempos em que Mário Soares acenava com o direito à indignação. Convinha-lhe, na sua luta cega contra Cavaco, como agora lhe convém defender Sócrates e o PS e atacar os sindicatos.
publicado por João Cândido da Silva às 13:21
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Lido no Elevador

Helena Matos, no Público (sem link) - escreve um texto interessante sobre o discurso de Aguiar-Branco no 25 de Abril e a apropriação dos símbolos, recordando que Zeca Afonso chegou a escrever para as redacções em 1974 a indignar-se com o "despudor" de o PPD cantar a sua canção Grândola Vila Morena num comício. Aí também lembra Cavaco Silva a cantar o Grândola, exactamente em Grândola, nas presidenciais de 2006. Ora sobre a valorização errada dos símbolos, também a minha mãe me contou uma história o outro dia (nós somos de lá): as pessoas de Grândola, que naqueles anos tinham de viajar para o norte do País, quando passavam o Mondego tiravam das suas carrinhas a plaquinha a dizer Grândola (lembram-se dessas plaquinhas?), porque houve quem tivesse más experiências por andar com um símbolo, de parecer um símbolo, de ser de um lugar simbólico e, no entanto, não ter culpa de nada, muito menos o carro.
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publicado por Vítor Matos às 12:18
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Defender também é dar espectáculo

Mourinho à chegada a Milão (Reuters)
Quem acha que defender é só estacionar o autocarro à frente da baliza ou plantar seis ou sete bonecos na retaguarda viu com fúria a eliminação do Barça pelo Inter do Mourinho. Quem acha que o Barça é a melhor equipa que Deus já juntou na Terra e que só isso chegava para limpar a segunda final da Champions grita injustiça.

Por mim, defender muito bem é uma arte que dá prazer ver. Isso nada tem a ver com não gostar de futebol bonito ou de ataque – não me venham dizer que são coisas mutuamente exclusivas. Defender é uma arte que requer o nível de inteligência que se viu ontem em Barcelona. O Inter secou o Barça do Messi, do Xavi, do Ibrahimovic, do Piqué & Cª durante a maior parte do jogo. Mourinho conhece a equipa que tem – que é pior que a do adversário – e jogou o melhor possível dentro desses limites.

O homem teve engenho e ajuda do árbitro na primeira mão. Teve só engenho na segunda. Em Campo Nou foi, uma vez mais, o mestre fora de campo. O resto – o estilo, as provocações, o mau perder do Barça – é só conversa.
publicado por Bruno Faria Lopes às 12:14
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