Divertidíssimo: ir ao Ronnie Scott's, no Soho, um dia depois de saber que estava esgotado um concerto do Brad Mehldau com a Anne Sophie von Otter e apanhar estas velhas glórias do Ghana e dos seventies.
O suplemento especial do jornal inglês Sunday Times sobre o Mundial de Futebol prevê que Portugal não passe da fase de grupos na África do Sul. Esquecem-se os ingleses que nos últimos dois campeonatos finaram-se aos pés dos portugueses. Mas podem estar cheios de razão.
Depois do curioso sinónimo que o PS arranjou para o verbo "furtar", tendo-o transformado na expressão "tomar posse", eis que saiu uma nova actualização do dicionário socialista publicado pela "Largo do Rato Editora". Para a recorrente palavra "mentira", a expressão agora adoptada é "erro de transmissão". Cada vez me sinto mais apreensiva com estas actualizações da língua portuguesa. Mas não duvido que o acordo ortográfico foi tema de conversa entre José Sócrates e Chico Buarque. A pedido deste último, claro!
Foi lançado esta manhã em Londres e ninguém me ofereceu um no dia de anos :( The Evening Standard tinha um título espectacular sobre os 800 metros de fila à porta da Apple com 1200 ifãs à espera: "igot it!"
Deve ser (é de certeza) por estar no Brasil, a acompanhar uma visita de José Sócrates. Esta noite, enquanto escrevia, a playlist do meu i-pod trouxe-me esta canção da Marisa Monte. De repente, a letra pareceu-me feita à medida do tango que Sócrates quer dançar com Passos Coelho...
"Eu só não te convido pra dançar Porque eu quero encontrar com você em particular Há tempos tento encontrar um bom momento Alguma ocasião propícia Pra que eu possa pegar sua mão, olhar nos olhos teus Seria bom, quatro paredes, eu, você e Deus
Procuro explicar o meu sentimento E só consigo encontrar Palavras que não existem no dicionário Você podia entender meu vocabulário Decifrar meus sinais, seria bom..."
Naquele seu estilo de quem não parte pratos, Mário Soares disse ontem que "acha" duas coisas sobre as próximas presidenciais.
À pergunta sobre se vai apoiar Manuel Alegre, respondeu: "Acho que não, porque eu também tenho uma coisa que é importante, que é a minha consciência."
À pergunta sobre se Fernando Nobre seria um bom Presidente da República: "Eu acho que sim, mas isso é outra questão.”
"Achar" isto é achar muito. É "achar" pela própria cabeça o que é mais do que faz a generalidade dos dirigentes do PS, que estão à espera que Sócrates decida o que hão-de "achar" sobre as presidenciais.
À chegada ao aeroporto internacional de São Paulo sou recebido por Stephanie, funcionária dos serviços de imigração e, tudo indica, mastigadora profissional de chicletes.
"Vem em negócios?... Business?"
"Não, mas venho em trabalho. Sou jornalista e vou acompanhar a visita ao Brasil do primeiro-ministro de Portugal."
Mentira, drogas e política No caso PT-TVI, Sócrates fumou mas não inalou.
Acreditar num político pode ser um acto de fé, mas crer num político que mentiu sobre um passado com drogas só se justifica por uma crença profunda. Bill Clinton mentiu quando disse “fumei mas não inalei”. O primeiro-ministro britânico David Cameron fumou e inalou quando na adolescência esteve envolvido num escândalo de drogas no seu colégio de elite, mas recusou comentar o assunto. José Sócrates não mentiu. Fez uma manobra de evasão quando disse: “Fui um jovem do meu tempo”. A mentira em política não é um escândalo: é uma arte. Sobrevive-se na política embrulhando com mestria a verdade. Foi o que Sócrates fez. Nem todos porém são assim: George Bush admitiu ter sido viciado em drogas e Barack Obama assumiu ter consumido cocaína.
Já Clinton voltou a mentir no escândalo Lewinsky: “Não tive sexo com aquela mulher!” Sexo oral não era considerado pela lei um acto sexual. Mais uma vez, fumou, mas não inalou.
No caso que podia derrubar o Governo, José Sócrates repete à exaustão que o Governo não foi informado do negócio PT-TVI. Mas admitiu que soubesse informalmente através de amigos. Aqui Sócrates também fumou mas não inalou. Não fez sexo com aquela mulher. Foi outra vez um jovem do seu tempo. As escutas enviadas à comissão de inquérito seriam a prova definitiva. Pacheco Pereira, que as viu, disse serem "avassaladoras". Se pudessem ser usadas na comissão de inquérito, funcionariam como um teste para detectar metabolitos de drogas no sangue de um adolescente que mente.
A estratégia de Sócrates no caso PT-TVI, como na questão inócua das drogas, foi uma manobra de evasão. Desta vez, embrulhou com mestria a mentira. Mas hoje o problema político da mentira já não é a mentira em si, porque a comissão não vai conseguir provar se Sócrates "fumou e inalou" na tentativa de controlo da TVI. O problema é o de saber em cada momento quantos continuam dispostos a acreditar.