Terça-feira, 31 de Agosto de 2010
O governo regateia com o Eurostat as décimas da taxa de desemprego. Algures entre a taxa recorde de 10,6% (diz o INE e exalta o inevitável Valter Lemos) e a taxa recorde de 10,8% (indica o Eurostat) estará a verdade do número oficial em Julho (que, como se sabe, não contabiliza os milhares que têm abandonado o mercado de trabalho). Nós seguimos, atentos, o desenrolar deste relevante – e inteligentíssimo – diferendo.
Sexta-feira, 27 de Agosto de 2010
Sá Fernandes
quer travar a abertura em Lisboa dos hipermercados ao domingo à tarde e aos feriados, para não matar o pequeno comércio, que nunca abre aos domingos nem aos feriados. O interesse dos consumidores é secundário, claro.
Se há alguma coisa que falta incentivar em vários mercados é a concorrência. A começar pelas farmácias, um dos sectores mais protegidos em Portugal mas que serve muitos interesses, entre os quais os de quem está instalado e não quer que mexam no seu queijo.
Se a história estiver bem contada, esta
farmácia, que foi ameaçada de ser encerrada de forma coerciva caso não desistisse de estar aberta 24 horas por dia, é um caso paradigmático, em que até o regulador dá sinais de desorientação ao mudar de ideias numa questão de meses.
O lóbi dos refastelados, que não quer que os outros pratiquem horários diferentes para poder manter intactas as suas "rendas", mexeu-se e com sucesso, o que é lamentável. O estabelecimento regressa aos períodos de funcionamento praticados pelos concorrentes e tudo volta à normalidade, em que estar aberto a toda a hora é um privilégio reservado às farmácias hospitalares. Os interesses dos clientes? Que se lixem.
Quinta-feira, 26 de Agosto de 2010
Quarta-feira, 25 de Agosto de 2010

A escolha de Francisco Lopes como candidato à Presidência da República demonstra que, ao contrário do que alguns possam pensar, o PCP é, de longe, o mais democrático dos partidos portugueses. No PCP todos são iguais e tratados como tal – e qualquer um pode ser o candidato do partido ao mais alto cargo da Nação.

Pouco antes do anúncio de quem seria o candidato do PCP a Belém, cruzei-me com esta patusca página no Facebook: "Apoio o candidato do PCP às Presidenciais 2011". A página, criada antes de se saber quem seria o dito candidato, contava, apesar disso, com 1200 apoiantes. Ou seja, gente que vota no candidato do partido, seja ele quem for. Saiu-lhes o "Chico Lopes", o que é perfeito para quem vota às cegas. Podia ter-lhes saído o Rato Mickey, era igual ao litro. (E daí, talvez não... O Rato Mickey ainda é "capitalista" e "imperialista"?)
Adenda: Procurei fotos de Francisco Lopes no Google e escolhi esta. Avisam-me que o do PCP não é este. Does it really matter?
Terça-feira, 24 de Agosto de 2010

O café/restaurante "Magnetic", na Conde Valbom, em Lisboa, tem detalhes de serviço hilariantes pela sua rigidez irredutível. No domingo passado, por volta das três horas da tarde, qualquer pedido a partir da lista tinha um tempo de espera de, pelo menos, vinte minutos. Em alternativa, quem não pudesse, ou não quisesse, esperar, teria que resumir a escolha a uns quantos salgados, a única oferta que estava disponível.
Havia uma greve? O fogão estava avariado? A cozinha estava em obras? O pessoal estava na praia? Não. Acontecia, simplesmente, que o cozinheiro tinha ido almoçar fora. É justo reconhecer que os cozinheiros também têm direito a tomar as suas refeições onde bem entenderem. Mas já é um pouco estranho que um estabelecimento que promete servir a toda a hora se deixe ficar descalço, e perca negócio, por não funcionar de forma a evitar vazios como este.
O mais importante, porém, está na seguinte questão: por que foi o cozinheiro do "Magnetic" almoçar fora, deixando os clientes pendurados? Se quis, apenas, variar, está tudo bem. Se optou pela concorrência ou por ir a casa é que há razões para começar a desconfiar. Se o próprio cozinheiro não aprecia aquilo que faz, quem vai apreciar?