Quinta-feira, 30 de Setembro de 2010

O tempo é curvo

Andar a mexer em arquivos dá nisto: parece que o tempo passa, mas não saímos do mesmo lugar. Estas notícias são todas de uma primeira página do Expresso, em 10 de Dezembro de 1977.

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publicado por Vítor Matos às 21:20
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Quatro coisinhas sobre esta coisa

1) Sócrates marcou as más notícias para a hora em que o Benfica jogava para a Champions (em Maio, o PEC 2 também foi anunciado quando o País celebrava a conquista do campeonato). O Benfica tem costas largas, está visto. Eu, por mim, ia no carro e só queria ouvir o relato do Benfica na rádio. Não pude. Está visto, o povo tem que sofrer, como explicou o magnífico Almeida Santos, que já nem se dá ao trabalho de disfarçar.

2) "Chegou o momento de agir", anunciou Sócrates. Chegou só agora. Aqui há uns meses o mesmo Sócrates jurava que o mundo tinha mudado em duas semanas, ou em três, conforme lhe apetecia, mas isso não lhe deu nenhuma pista sobre a necessidade de agir então. "Nenhum movimento especulativo fará o Governo mudar de plano", jurava Sócrates; "mudar o PEC mina a confiança", "seria um erro" suspender o TGV e o novo aeroporto, jurava Sócrates. Agora, só agora, "chegou o momento de agir". Tarde piaste.

3) "Eu engano-me, mas não engano", dizia Teixeira dos Santos em Fevereiro, para explicar o "engano" de ter previsto para 2009 um défice quase quatro vezes (4!) abaixo do verificado. Engano é um gajo querer ligar à amante e ligar à mulher. Engano é pôr sal no café em vez de açúcar. Engano é o César Peixoto fazer uma jogada de jeito. O que se tem passado com Teixeira dos Santos, Sócrates & Cia não é engano. É incompetência, má fé, irresponsabilidade e chico-espertismo.

4)"Depois de mim virá quem de mim bom fará". Há anos que é o meu provérbio popular favorito. Aposto que também é o de Manuela Ferreira Leite.
publicado por Filipe Santos Costa às 00:32
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“O povo tem que sofrer as crises como o Governo as sofre"

Pode ser senilidade. Pode ser falta de vergonha na cara. Eu diria que acumula.
publicado por Filipe Santos Costa às 00:06
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Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010

Eu que me comovo por tudo e por nada

No momento em que posto este texto é meia noite de 30-09-10. Passaram 4 horas sobre o anúncio de José Sócrates de que "chegou o momento de agir". Esta rapaziada ainda nem piou. É comovente. Por momentos quase acredito que eles pensam mesmo aquilo que têm andado a escrever este tempo todo.
publicado por Filipe Santos Costa às 23:53
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Dei-te quase tudo e quase tudo foi demais

O ministro das Finanças diz que "tudo fará" para cumprir as metas orçamentais.
O secretário de estado do Orçamento diz que "tudo fará" para não deixar fugir o défice.
O PS diz que está disposto "negociar tudo o que for necessário" para ver aprovado o OE/2011.
O Presidente da República pede "todos os esforços" aos partidos para passarem o OE/2011.
Os sindicatos dizem que vão "fazer tudo" para combater estas políticas.
publicado por Bruno Faria Lopes às 17:03
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O ministro das Finanças suíço



É muito bom até aos 50 segs – e é ainda melhor depois dos 1:05 mins. Pode ser uma inspiração para a apresentação das metas de 2011 por Teixeira dos Santos. Versão com tradução está aqui.

publicado por Bruno Faria Lopes às 12:40
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Segunda-feira, 27 de Setembro de 2010

Um governo sem programa

No verão de 2009, o PS apresentava um programa de governo, coordenado por António Vitorino, em que a palavra “apoio” aparecia 136 vezes – mais do que “despesa”, com oito singelas aparições. O buraco orçamental já galopava a caminho do recorde de 9,4% do PIB, mas isso não travou o “programa com ambição de futuro”. Nele estavam “as três prioridades muito claras” do segundo mandato de Sócrates: “relançar a economia e promover o emprego”, “reforçar a competitividade” e “desenvolver as políticas sociais”. Havia obras públicas, havia “confiança”, havia um choque social. É verdade que ninguém lê estes programas, mas nós, jornalistas, pegamos neles e, com mais ou menos sentido crítico, filtramos as ideias principais para as massas.

O PS acabou por perder a maioria absoluta, mas ganhou as eleições. Mas logo depois veio a Grécia. E veio a revelação de que o défice orçamental português tinha explodido para 9,4%. E veio a crise da dívida, com os mercados malvados. Sócrates explicou: “O mundo mudou”. E o seu governo – com um elenco de segunda linha montado para não desafiar a autoridade do chefe – ficou sem programa. Ironicamente, a mesma crise que forçou Sócrates a descer à realidade, terreno onde não tem rumo, funciona como o seu seguro de vida - é a crise que trava a demissão do ministro das Finanças, que trava uma moção de censura da oposição inexperiente, que impede o fim anunciado de um governo minoritário cada vez mais paralisado. Até quando?
Crónica publicada hoje no i
publicado por Bruno Faria Lopes às 22:51
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O exemplo irlandês

Quando a Irlanda crescia, exortava-se Portugal a seguir-lhe o exemplo - deixando de lado o facto de os irlandeses terem uma grande diáspora (com dinheiro e influência) em países ricos e, sobretudo, de estarem a crescer às costas de uma grande bolha imobiliária.

Agora que o governo irlandês corta o défice orçamental (com um acordo inédito com os sindicatos) há quem não tenha o esforço em grande conta. Argumento? Tanto esforço para nada, dizem: a Irlanda está em recessão e tem um défice a caminho de 25%. O problema do argumento? Ignora que o país tem nas mãos um buraco chamado Anglo Irish Bank, um gigante da banca que ruiu com o fim da bolha especulativa, e que vai custar um mínimo de 25 mil milhões de euros. Ignora, de uma forma geral, que o colapso repentino de uma bolha no imobiliário deixa inevitavelmente uma economia de rastos durante alguns anos - a Irlanda, tal como a Espanha, está a pagar esse preço.
Uma grande diferença para Portugal? Visto daqui, parece-me que em Dublin há quem tenha percebido mais depressa do quem em Lisboa o alcance desta crise da dívida. Vamos ver quem consegue pôr primeiro a economia a crescer.
publicado por Bruno Faria Lopes às 19:47
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Novas Oportunidades


Carolina Patrocínio, a mandatária do PS para a Juventude nas legislativas de há um ano - mas mais conhecida por só comer melancia e uvas se a empregada lhes tirar as pevides - está de volta. Aqui se transcreve a notícia do Jornal da Região (Oeiras):

"Afastada do pequeno ecrã há já algum tempo, Carolina Patrocínio dedicou-se nos últimos meses a concluir o mestrado em Media e Jornalismo, em que desenvolveu uma tese sobre 'Comunicação Política'. Um tema 'escolhido em conjunto com a orientadora' do curso e depois de ter tido várias aulas sobre a matéria."
(itálico meu)

José Sócrates faz escola. Diz que ele também se licenciou em engenharia depois de ter "várias aulas sobre a matéria".
publicado por Filipe Santos Costa às 15:26
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Quinta-feira, 23 de Setembro de 2010

Não há fotos grátis em São Bento

publicado por Filipe Santos Costa às 17:32
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