Domingo, 31 de Outubro de 2010
Já andam aí os moralistas do costume a dizer que o jogo de ontem em Coimbra deveria ter sido interrompido porque jogar naquela piscina não é futebol e porque o espectáculo foi mau e porque os espectadores pagaram o bilhete e mereciam melhor e etc. etc. Tangas. Muitos jogos da I Liga portuguesa são uma merda com ou sem chuva: 90 minutos de faltas e lentidão. Ontem houve combate, raça e um bom golo – e quando se passar o filme da época este Académica vs. Porto vai ser daqueles momentos exóticos em que se perceberá quem teve fibra para ganhar o campeonato.
Sexta-feira, 29 de Outubro de 2010
Ao longo do seu mandato, Cavaco Silva tem parecido aqueles jogadores de futebol que fazem entradas fora de tempo.
Muitas vezes, tendo razão, ao entrar fora de tempo, não tocou na bola e foi às canelas do sujeito.
Hoje voltou a entrar fora de tempo. Fez o discurso que devia ter feito há semanas.
O momento é grave, explosivo e insustentável, mas Cavaco - que chegou a falar à nação para justificar a promulgação dos casamentos gay - intervém in extremis. Desta vez entrou tarde, mas felizmente já nem lá estavam bola nem pernas de outros jogadores. A coisa já estava resolvida. Menos mal.
São quase 21h.
Parece que Governo e PSD
chegaram a acordo para o orçamento.
É estranha esta sensação de alívio por ter acontecido uma coisa má.
De mestre: Governo e PSD anunciarem o acordo antes de Cavaco falar. Agora a Cavaco resta o quê? Cancelar a comunicação? Congratular-se? Ou reclamar parte dos louros da solução?
Ainda nem nasceu e já é um
morto-vivo, como de forma brilhante demonstrou hoje o nosso Bruno Faria Lopes no
i.
O povo não está com o MFA,
editorial do Pedro Guerreiro, no Negócios.
«Para David Schnautz, Portugal é uma linha numa folha de cálculo.
Ontem de manhã, emprestou-nos dinheiro, comprando obrigações da República. Depois, foi surpreendido: afinal não há Orçamento - os juros dispararam. Schnautz sentiu-se enganado. E ironizou, ao Negócios: "Da próxima vez que participar num leilão de dívida de Portugal, é provável que queira cobrar um prémio de juro 'contra todos os riscos'...".»
«Quando José Sócrates e Passos Coelho saem de Portugal, como saíram ontem, ficam imediatamente lúcidos.»