Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011
As meninas afegãs são forçada a casar e
espancadas em público quando desobedecem. Saber que acontece é diferente de
ver o que acontece. O cérebro é mais sensível às
imagens do que às palavras que evocam as imagens. No fim deste vídeo fica uma sensação de
enjoo. A humanidade foi sempre injusta, violenta e sem remissão. Ainda assim, o mundo tem melhorado aos poucos. Há uns séculos queimavam-se pessoas no nosso querido Rossio. As nossas sociedades já foram como isto que vemos no
Afeganistão. Mas "ver" dá-nos a volta ao estômago e pensamos que ainda estamos na Idade Média.
O texto da reportagem do NYT pode ler-se aqui.
Domingo, 30 de Janeiro de 2011
Este
cavalheiro tenta, há uma semana, ver no discurso de vingança de Cavaco o discurso de vitória de um Presidente. Está no seu direito.
Ninguém duvida que ele, tendo estado na festa da vitória com o fervor e a bandeirinha dos fiéis, tenha ouvido no tal discurso uma ou duas banalidades a que os jornalistas não deram importância - pela simples razão de que não a tinham. O soundbite do discurso de Cavaco era um relambório sobre "a vitória da verdade sobre a calúnia" e "a vitória da honra sobre a infâmia." A exortação que tinha para fazer a alguns portugueses era que denunciassem as fontes de umas notícias. O cavalheiro em questão acha que sim senhor, isto é digno de um Presidente na hora da vitória. Tenho todo o prazer em
discordar.
Mas na sua cegueira de defender Cavaco, aparentemente também ficou surdo. E ouviu-me dizer esta noite na SIC-N não só o que eu não disse, mas o contrário do que eu disse. Ouviu-me imputar, imagine-se,
"gravitas" a Almeida Santos - talvez quando comentei que as intervenções do dito têm o mérito, se não de nos fazer pensar a política, pelo menos de nos divertir.
Oh homem, quer chafurdar nas misérias do cavaquismo, faça bom proveito. Quer discordar de mim, vamos a isso. Mas acredite, não é sobre o dr. Santos que vamos discordar. Como teria percebido, se não tivesse os ouvidos cheios de merda.
Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2011
Apesar do complicadómetro eufemístico do título marinheiro é de louvar o esforço de transparência da Marinha ao publicar as fotos do navio afundado, anunciado que daqui a meia hora terá um vídeo on-line sobre o assunto. É positivo, desde que não inviabilize a ida da imprensa do local.
Carlos Beato, presidente da câmara de
Grândola (independente eleito em listas do PS), que apoiou pela segunda vez a candidatura de
Cavaco Silva à Presidência da República, escreve hoje um artigo intrigante no
Público (sem link). Basicamente, argumenta que os 53% que o povo deu a Cavaco deviam fazer esquecer os casos SLN e casa da Coelha.
Citando: "
Os políticos portugueses continuam a enveredar pela via mais fácil, que é a de partirem do princípio - absolutamente ridículo e cabotino, diga-se - de que as suas certezas são as únicas respostas às mais legítimas e sentidas dúvidas do povo. Ora, como uma vez mais se constatou, o povo tem algumas dúvidas, mas tem também muitas certezas".
No fim do texto, citou-se a si próprio, como não poderia deixar de ser, e meteu Salgueiro Maia ao barulho, e estranho seria que não o fizesse. No dia 25 de Abril de 1974, Carlos Beato era alferes do capitão Maia. Quando contou espingardas e avaliou as forças do Quartel do Carmo, disse a Salgueiro Maia: "E temos o povo meu capitão!"
Ora a minha questão é só esta:
se Carlos Beato arriscou o pescoço no 25 de Abril para os políticos continuarem "unnacountable" ou tão "inscrutináveis" como eram no dia 24? Foi para isso? O povo dá o mandato. Mas porque o mandato é em nome do povo, o eleito tem obrigações éticas perante o povo de justificar politicamente determinados comportamentos e condutas, coisa que Cavaco se recusou a fazer. José Sócrates noutras ocasiões também se recusou a fazê-lo. Aliás, a maioria dos políticos recusa-se a fazê-lo, mas
é pena que tenha o apoio moral dos alferes de Abril...
A dedicatória "aos jovens" da vitória eleitoral de Cavaco Silva é o exemplo supremo da hipocrisia de toda uma geração de políticos que, com palavras mansas, arruínam o presente e o futuro desses "jovens". Mostra ainda uma fantástica inconsciência da frustração acumulada por milhares de pessoas, pais e filhos, um caldo de desilusão que ferve sob o verniz da sociedade.
Cavaco Silva, o principal político português da sua geração, tem por bandeira a defesa da estabilidade. Acontece que o tipo de estabilidade que Cavaco defende - que perpetua um regime com instituições fracas, um Estado social que distorce o contrato implícito entre gerações a favor dos mais velhos e uma política laboral discriminatória - é incompatível com os interesses dos jovens a quem dedicou a sua vitória.
Para esses jovens há um choque grande entre as expectativas criadas - pela família e pela educação - e a realidade do país. A bolha especulativa no ensino superior, iniciada na era de Cavaco, significou cursos sem empregabilidade, anos e dinheiro lançados ao vento. A geração mais qualificada de sempre em Portugal não tem oportunidades de trabalho que correspondam às expectativas e é a cobaia da globalização e das mudanças no paradigma do emprego, suportando com a sua precariedade a protecção conferida aos outros. Porque não conseguem o primeiro emprego ou porque saltam entre empregos precários, este jovens não são alvo das atenções generosas do Estado social quando estão desempregados. A razão: não têm "carreira contributiva", como os que estão dentro do círculo protegido. Este é o mesmo Estado social que prolongou as generosas regras de cálculo das pensões, que atribuiu centenas de milhares de pensões sociais e expandiu os gastos da Segurança Social ao arrepio da transformação demográfica - tudo elementos da factura que, a somar à conta do despesismo público, será paga pelos mesmos jovens lá mais à frente.
Estes problemas de justiça geracional, transversais à Europa social, têm sido amortizados em Portugal pela ajuda financeira da família, pela emigração e pela anestesia da cultura de entretenimento. Mas não se pode ignorar o risco que o país enfrenta ao discriminar uma geração inteira. Estes jovens, traídos no seu enorme e muitas vezes artificial amor-próprio, não terão contemplações com a geração seguinte, nem com a anterior (mais velha). Fora da política "séria", que nada lhes dá, são uma presa fácil para populistas eficazes.
A política não é a tábua de salvação para resolver o problema. Está limitada pela vontade dos eleitores e, em Portugal como noutros países europeus, as pessoas são melhores pais e avós que cidadãos. Mas a política tem de ser o ponto de partida para mudar a lei do trabalho e a respectiva fiscalização, para alterar a lógica de protecção social ou repartir o fardo social com os pensionistas. É a política que pode reforçar instituições como a justiça ou o parlamento.
Sobre este novo enquadramento de base para os "jovens", Cavaco Silva nunca se distinguiu como Presidente da República, função em que preferiu os avisos anódinos e a exaltação dos exemplos mais cómodos de "jovens de sucesso". Terá de fazer um segundo mandato espectacular para justificar esta dedicatória na noite eleitoral, o que é pouco provável. Com raras excepções, quer a sua geração política, quer a do actual primeiro-ministro, têm-se quedado imóveis, usando os jovens sobretudo para adornar discursos demagógicos virados para "o futuro da nossa nação" enquanto tratam da vidinha. São, também eles, melhores pais e avós do que políticos.
Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2011
Em defesa das campanhas negativas
"A honra venceu a infâmia", proclamou Cavaco Silva, este domingo, no seu discurso da "vitória da verdade sobre a calúnia". Acusou os adversários: "Nunca se tinha visto os candidatos a descer a tão vil baixeza". Insinuou urdiduras: "Eles [os jornalistas] sabem quem meteu a campanha de calúnias e insinuações". Fez pedagogia: "Numa democracia debatem-se ideias e linhas de rumo". E concluiu: "Uma vez mais o povo não se deixa enganar"
Cavaco é como todos os outros políticos: não aceita que uma campanha negativa sobre si possa ser positiva para a democracia. Afinal o mau é bom? O mau não é bom, mas é positivo que os eleitores conheçam o lado negativo dos políticos que se dizem melhor que bons. Não foi Cavaco Silva a declarar que alguns tinham de nascer duas vezes para serem tão honestos quanto ele?
Falhou a Cavaco Silva um artigo de um professor de Harvard que José Sócrates também nunca leu, pois ambos partilham o discurso quando são alvo de notícias negativas em campanhas eleitorais.
William G. Meyer escreveu em 1996 um artigo na Political Science Quarterly com o título "In Defense of Negative Campaigning", onde defende que "as campanhas negativas são uma forma necessária e legítima de qualquer eleição". O artigo foi recentemente divulgado no twittter por Pedro Magalhães, investigador do ICS.
Segundo Meyer, a campanha negativa foca-se nas "fraquezas e defeitos" dos adversários, nos "erros que fizeram, nas falhas no seu carácter ou desempenho, nas más políticas que iam promover". Uma campanha negativa fornece aos eleitores "uma quantidade de informação que eles definitivamente precisam de conhecer quando decidem em que votar". Assim, escreve Meyer, "precisamos de saber os pontos fortes dos candidatos mas também precisamos de conhecer as suas fraquezas: as capacidades e as virtudes que não têm; os erros que cometeram, os problemas com que não lidaram; os assuntos de que preferem não falar."
Se um candidato "é desonesto, os eleitores precisam de ser informados", escreve o politólogo. No caso português, se um candidato diz que é duplamente mais honesto, deve ser duplamente escrutinado. O problema é que Cavaco não aceita o escrutínio público e só isso diz muito sobre ele. Até hoje, nunca respondeu com clareza a nenhuma questão sobre as acções da SLN nem sobre a permuta das casas no Algarve. Não se trata de insinuações: são factos publicados na imprensa e que levantam questões sérias e legítimas.
Ninguém na campanha de Cavaco leu Michael Pfau e Henry Kenski para decidir usar a tempo a técnica da "inoculação", e não deixar escorrer o fio viscoso da suspeita para o mandato presidencial. Estes dois investigadores fizeram experiências de campo e estudaram o efeito da "inoculação" para neutralizar campanhas negativas. É quando os candidatos tentam antecipar os ataques que provavelmente o seu adversário vão fazer, respondendo aos ataques antes de serem levantados pela oposição.
A campanha negativa foi muito positiva: deu-nos a conhecer melhor Cavaco. Se dúvidas persistem, a responsabilidade é inteiramente dele porque nunca as esclareceu.
O ponto de partida para saber se um gestor público ganha demasiado não é a comparação com o salário do primeiro-ministro, do Presidente, da chanceler alemã ou de Obama - isso é demagogia. Para avaliar há que começar por comparar o que é comparável: o pacote remuneratório total desse gestor com o equivalente para a mesma função noutras empresas, públicas (de outro país) ou privadas, olhando ainda para o desempenho. Assim, o facto de o presidente da TAP ganhar x vezes mais do que o Obama nada me diz - mas se ele ganhar 20% mais do que o CEO da Iberia já é de estranhar. Topam?
Um guarda-freio ouve a Antena 1...
Outro guarda-freio ouve a RR...
:-(
Vou ter que ligar à minha mãe, é?

Será que vi bem? Será que me enganei no site? Não. É mesmo no
site da Rádio Renascença que aparece uma rapariga decotada com este anúncio a dizer assim: "Ela: Olá. estás aí? Entra online e conversa comigo no chat!" Não havia nexexidade... tss...tss...