Deputados do Bloco de Esquerda estiveram hoje nos Centros de Emprego a distribuir jornais e a pedir aos desempregados que lutem contra a precariedade. Como diria este senhor, há algo de errado nisto. Mas o quê?
"Taxa de poupança devia passar para 15%". Os gestores da banca distribuem gratuitamente umas doses de moral e de conselhos sobre poupança e, em troca, esperam receber quase gratuitamente o dinheiro dos clientes.
Parece-me que o que José Sócrates e Fernando Teixeira dos Santos querem dizer é que estão dispostos a aplicar medidas à FMI, desde que haja garantias de que não haverá intervenção do FMI. Só falta saber se Angela Merkel se comoverá com um primeiro-ministro português que não se importa de fazer as genuflexões que forem necessárias se o objectivo for salvar a própria pele. Deve sublinhar-se que, nas declarações do primeiro-ministro, a promessa é a de que o "Estado" fará o que for necessário, quando o normal para quem assume as responsabilidades que lhe competem seria usar a expressão "Governo".

Os amigos desta virtual praia lusitana que gostam de escrevinhar insultos, insinuações e outras cobardias protegidos pelo anonimato que permite a blogosfera, devem ter agora um bocadinho mais de cuidado, uma vez que uma decisão judicial poderá fazer jurisprudência no futuro.
Um médico que assina anonimamente o seu blogue foi condenado em primeira instância a pagar uma indemnização de 40 mil euros a um jornalista especializado em saúde, depois dos repetidos insultos com que se referiu ao trabalho e ao próprio profissional que assina os seus textos e não se esconde, naturalmente, atrás de identidades falsas.
O Fernando Esteves, jornalista da Sábado (declaração de interesses: meu colega, amigo e editor) consegue uma decisão histórica não apenas em seu favor, mas em benefício da transparência num espaço que é dos mais democráticos e anárquicos (no bom sentido) que existem, mas que tem o seu lado negro. Quem quiser escrever com pseudónimos que o faça à vontade para escrever belos textos literários, mas agora cuidado com os insultos cobardes por detrás das máscaras, porque elas podem cair. Isto até dá um slogan: "Queres chamar nomes? Dá a cara!"
O Sporting é como o país. É um clube com expectativas mas sem esperança, seguido por uma massa de gente resignada. É uma organização sobreendividada e nas mãos dos bancos, sem poder para atrair para o comando as "elites" que diz ter. É uma escola que forma jovens cérebros da bola, para os ver fazer o doutoramento no estrangeiro. O SCP é mesmo parecido com o país - e por isso, porque pensar nos problemas do Sporting remete automaticamente para os problemas do país, o SCP já não oferece protecção emocional anticíclica. Ouvir o optimismo resistente de Paulo Sérgio depois da enésima derrota é como ouvir o secretário de Estado Valter Lemos depois de mais um boletim de emprego.
O Sporting e o país não crescem. O clube vive o maior período de divergência de títulos face aos rivais directos, enquanto o país passa por uma longa divergência económica da famigerada média europeia. Dos 18 títulos de campeão do SCP, 16 foram ganhos até 1982 - a democracia parece ter feito mal ao clube, que ganhou 14 campeonatos até 1974. No país, tirando a miniépoca dourada entre 1986 e 1992, como lhe chama o historiador Luciano Amaral, o período democrático foi de estagnação comparativa ou mesmo de recessão, sempre com dificuldade em controlar as contas.
O Sporting e o país estão endividados e nas mãos dos credores. O SCP tem acumulado "projectos de futuro" sobre "projectos de futuro", com erros sucessivos de gestão dentro e fora do futebol, que entregaram o clube à banca. O país tem tido a sua dose de "amanhãs que cantam", que resultaram em ganhos curtos na produtividade e subidas não tão curtas na dívida pública e privada. O país escolheu jogar na Liga dos Campeões da zona euro sem reforçar a equipa e entregou a sua sorte colectiva aos mercados e à Alemanha.
O Sporting, como o país, perde tempo. O presidente eleito pelos sócios em 2009 já tinha os dias contados, tal como o actual treinador em negação. No país, já todos perceberam que a maioria eleita em 2009 não vai durar, mas ninguém faz coisa alguma - nisso, ainda assim, José Eduardo Bettencourt foi mais rápido que Sócrates e Cavaco. As alternativas a Bettencourt parecem pouco apelativas, mas não por falta de gente boa. É que no clube fundado pelo neto do visconde de Alvalade, tal como no país, não faltam "elites", da finança à cagança - o problema é que poucos membros dessas supostas "elites" se chegam à frente para assumir seja o que for, assustadas pela lama do sistema.
O SCP e o país têm um problema de fuga de cérebros jovens. A licenciatura em bola de Futre, Figo, Ronaldo, Simão, Quaresma, Moutinho e afins são da escola leonina, mas carreira e outros graus académicos acontecem lá fora (ou no Porto, que é quase o mesmo que dizer "lá fora"). No Sporting - com excepções, como no país - vai ficando quem não tem mercado internacional ou está em fim de carreira (já faltou mais para que se ouça Deolinda no balneário). Diferenças para o país? Dos 700 mil portugueses que emigraram na última década, e que constituem uma diáspora de luxo, podem sempre voltar alguns que limem a cultura nativa. Mas não em Alvalade. Aqui quando os emigrantes voltam é para brilharem nos clubes rivais.
Perante este retrato benevolente podíamos esperar indignação em Alvalade. Mas é aí que o Sporting está mais parecido com o país. O clima é de anestesia geral e, tal como no país, piorou muito desde 2004/05 (quando a equipa de Peseiro quase ganhou tudo). Lembro-me de ir a jogos com o meu pai nos anos 80/90 e sentir a ventilação das fúrias contra os fracassos do clube e as arestas da vida. Havia alma nas bancadas de cimento do José Alvalade, talvez porque ainda havia artistas no relvado. Agora há um estádio modernaço, mas já não há heróis nem indignação verdadeira. Como no país, o conforto é maior, mas as pessoas parecem ter perdido referências e esperança. Como no país, há menos sócios pagantes, menos público e menos craques. Sporting, talvez não seja por acaso que te chamas Sporting Clube de Portugal - o teu nome nunca pareceu mais apropriado.
"O mais deprimente, pá, o pior, é que os gajos acreditam, pá. Os gajos acreditam que estão a jogar bem!"

Não se sabe muito bem quantas pessoas já morreram na Líbia. Os cidadãos estrangeiros estão a ser retirados em navios gregos de passageiros, enquanto o Reino Unido e a Holanda mandam fragatas que vão demorar dias a chegar, com os riscos que isso implica. Tudo isto se passa, enquanto a NATO tem a sua força naval permanente no Mediterrâneo, a chamada Stanavformed, que estará muito provavelmente a fazer o enésimo exercício sobre uma crise humanitária e salvação de refugiados, enquanto o mundo real avança com a matança às mãos de um ditador paranóico.
O secretário-geral da NATO, Jaap de Hoop Scheffer, já garantiu hoje que a Aliança Atlântica não vai mexer uma palha. Imagine-se: porque não tem mandato das Nações Unidas. Por acaso pediu um? Da última vez que a OTAN interveio por aquelas bandas foi no Adriático, contra a Sérvia, sem mandato na ONU, invocando exactamente razões humanitárias e a possibilidade de genocídio.
Para quem passou anos a ouvir militares (portugueses, ingleses, americanos) a perorar sobre as operações de intervenção humanitária e de emergência, para quem perdeu tempo em conferências de imprensa inúteis sobre os meios empregues em exercícios navais internacionais, para quem cobriu essas jornadas militares da boa vontade onde dezenas de navios e centenas de marinheiros fingiam salvar civis de países imaginários, tudo isto é de uma hipocrisia gigantesca. Quando as coisas se passam no mundo verdadeiro, a realidade esmaga, a realidade política trava a fundo toda a acção. É deixá-los morrer e matarem-se uns aos outros e depois lamentar, lamentar porque nada se fez.
O MNE português, Luís Amado, disse ontem esta piada: que se a violência continuar haverá sanções. Sanções? Que tipo de sanções? Só se forem sanções ao contrário, com a queda de Kadhafi. Eles deixam de comprar dívida portuguesa e de contratar empresas de construção nacionais?
... o Elevador está hoje de serviço nesta casa acolhedora, serviçado por este guarda-freio.
Gin! Gin! A glass of Gin! What magnified monsters
encircle therein! Ragged and stained with filth and
mud, Some plague-spotted, and some with blood,
Shapes of misery, shame and sin! Figure that
makes us loath and tremble, Creatures scarce
human, that more resemble Broods of diabolical
kin, Ghoul and Vampire, Demon and din. Gin!
Gin! A Glass of Gin! THE DRAM OF SATAN!
THE LIQUOR OF SIN! Distilled from the fell
Alembic of hell. Guilt and Death, his own
brother and twin! That man might fall Still
lower than all The meanest of creatures with
scale and fin. Gin! Gin! A Glass of Gin!
When darkly adversity's days set in, And
friends and peers, Of earlier years, No
longer can trace, A familiar face, Because,
poor rat! He has no cravat; A seedy
coat, and a hole in that! No sole
to his shoe, and no brim to
his hat; No gloves, no vest -
Either second or best; No
credit, no cash, No cold
mutton to hash. No
bread - nor even po-
tatoes to mash;
Till weary of
life, Its worry
and strife,
Black visions
are rife,
Of a razor or knife!
Gin! Gin! A
Glass of Gin! Oh!
then its tremendous
temptations begin. To take
alas! To the fatal Glass - And
happy the wretch that it does not
win, To change the black hue, of his ruin
to blue, While Angels sorrow and Demons
grin, To see him plunge into the Palace of Gin.
Punch, 1843 (tirado daqui)
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.