Eu dissolvo. Tu dissolves. Ele dissolve. Nós dissolvemos. Vós dissolveis. Eles... O último a sair, que apague a luz.
Era uma vez um homem vulgar, sem nada (mas mesmo nada, nadinha), que o distinguisse. Até que um dia escreveram um livro (um livro!, senhores, um livro inteiro, 190 páginas inteiras, quase 200 páginas!...) sobre ele.
E assim se tornou um homem invulgar.

Eu vi. Dois dias em Atenas bastaram. Não foi preciso mais do que falar com gente ao acaso na rua. Em Portugal, as pessoas ainda não estão a ver o filme. Quando a UE/FMI aterrar na Portela, meus amigos, a vossa vida vai mudar e vocês nem sabem como. Habitem-se. Comecem a fazer contas à vida. Isto vai doer muito mais do que imaginam. A verdadeira austeridade ainda não começou.
Na Grécia, os funcionários públicos deixaram de ter subsídio de férias e de Natal. Não foi só uma suspensão. Acabou. Não se sabe quando voltarão a ter essa "regalia". Tiveram cortes salarias mensais na ordem dos 15% (os mais simpáticos). Outros funcionários tiveram cortes cumulativos superiores. Aqui em Portugal, se o Estado nos tirar só o subsídio de Natal por inteiro não será péssimo, vai ser só um aborrecido. Vi famílias de classe média alta que não sabem como vão viver nos próximos meses. Famílias de classe média baixa que passaram a pobres. Pobres que deram em miseráveis. A única alternativa para os jovens é emigrar. Muitos que compraram casas tiveram de as vender. Quem não vendeu a tempo, agora não vende porque ninguém compra a preços razoáveis. Quem arrenda (sim, porque lá existe arrendamento) tem a simpatia dos senhorios que baixam a renda porque não querem perder os inquilinos. E em Portugal não só não há arrendamento, como os juros vão subir...
Vem aí uma catástrofe social. A Maria Henrique Espada foi para Dublin e conta o mesmo. Amanhã na SÁBADO vejam o que nos espera e encomendem já os antidepressivos...
A Grécia viveu tempo demais sob a égide de Dionísio. Portugal também. Agora não há Guronzan que nos alivie a ressaca
Parece que o PR se "inclina" para marcar as eleições para 5 de junho. Ou seja, vai marcar eleições no período de férias mais cobiçado deste ano. Parece estúpido. Diria mesmo mais: é estúpido.
Com feriados (o Dia de Portugal, mas também o 13 de junho, que ao contrário do que muitos julgam, não é feriado "só" em Lisboa, pois muitas empresas na área metropolitana adotam esse feriado, apesar de se localizarem noutros concelhos - é o meu caso e trabalho em Oeiras), basta pôr 4 dias de férias para ficar 10 dias fora do trabalho.
Muita gente já fez essas contas. Portugal é o país onde os jornais, mal o ano se aproxima do fim, fazem a conta a todas as "pontes" do ano seguinte... E essa gente quer lá saber das eleições: pira-se mal saia do trabalho, na sexta-feira, 3, e volta na terça-feira, 14. Não perceber isto é não perceber nada.
Ah, pois é, mas parece que o PR tem um problema com o dia 29 de maio, porque são as Festas do Senhor Santo Cristo, nos Açores... Só mesmo nessas cabeças. Só mesmo nessas cabeças...
Esta revisão em baixa - que nos deixa um metro acima do lixo nos mercados de dívida - significa que os investidores institucionais que ainda têm dívida portuguesa e que têm um mandato para apenas manter dívida de países acima de "junk" estão a esta hora a fazer as malas para sair. Por outras palavras, os juros vão evidentemente continuar a subir. No FMI, no BCE e na Comissão Europeia já há quem esteja a pôr os calções de banho e os bikinis na mala, ao lado da tesoura e do desfibrilhador - o verão vai ser bem quente.
Porque um blogue também serve (ou só serve?) para o auto-elogio: esta, escrita há seis meses, foi mesmo na mouche.
I had hoped to work for National Geographic. I even called up one photo editor there and told him where I was going, looking for an assignment, but of course, they did not work that way… My travels never “paid” for themselves in any economic way, but I never really tried very hard to do so. I think of them more like my higher education. And for the amount of time I spent there, and what I learned, it was the cheapest education ever. [Aqui.]
"O acto da eliminação da avaliação dos professores é não só grave como tem um enorme valor simbólico. Vale mais do que milhares de análises sobre pelo menos duas décadas perdidas de tentativas de reformas estruturais. Os grupos de pressão em Portugal, principais responsáveis pelo estado em que o país se encontra, têm nos partidos os seus grandes aliados. Da construção que conseguiu que se fizessem estradas desnecessárias até à banca, justiça, saúde e educação, todos os protagonistas destes sectores manipulam com grande sucesso partidos políticos recheados de militantes anónimos que, na sua maioria, vivem à mesa do Orçamento do Estado e fazem tudo menos pensar nos interesses do país."
Estavam à espera disto, não é?
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