Em apenas um mês, José Sócrates conseguiu passar de chefe de um governo sem rumo e sem programa a candidato a chefe de governo com um rumo e, desde há dias, com um programa. Sócrates, que a 19 de Março disse "Não estou disponível, da minha parte [sic], para governar com o FMI", não só está agora disponível, como recuperou um guião de campanha eleitoral e, de caminho, colocou o PSD na posição de partido sem rumo e sem programa. Se o leitor parar para pensar, é possível que tenha dificuldade em perceber como ou quando isto aconteceu. Mas aconteceu. Descontando os erros de palmatória do PSD, este milagre de transformação assenta em dois pilares: o abandono de um programa com ideias próprias e a narrativa simples e falaciosa da crise.
A liderança do PS parece ter adoptado a posição de que não vale a pena intervir no departamento das ideias para Portugal - essa é a partir de agora a coutada impopular da equipa liderada pelo FMI. Com a Europa a impor as condições do pacote de ajuda externa antes das eleições, as medidas duras de política económica e social do próximo governo serão definidas a priori pelos técnicos do FMI. Por isso, José Sócrates pode dar-se ao luxo de apresentar rapidamente um programa eleitoral praticamente vazio, mostrando que está mais preparado que o errático PSD. Das 70 páginas do documento socialista (164 em 2005 e 120 em 2009), 24 estão literalmente em branco (!) e outras 20 estão cheias de descrições do passado. Nas menos de 30 que sobram - que até seriam suficientes - só há intenções gerais. Toda a parte que falta sobre política económica e orçamental está a ser ditada pelo FMI ao ainda ministro Teixeira dos Santos - e será nas costas largas do FMI que as culpas serão deitadas. Sócrates já ensaia quando diz que teremos "saudades do PEC IV".
O meu nome é Ana Catarina Santos. Sou jornalista da TSF há treze. E orgulho-me muito disso. A minha rádio é a melhor rádio do país. O jornalismo que se pratica na minha rádio é do melhor jornalismo que se pratica no país. Os profissionais da TSF são do melhor que há no jornalismo nacional.
Está em curso uma infeliz campanha de destruição da imagem e credibilidade da TSF, num tom inaceitável. Ninguém me pediu que escrevesse esta “defesa da honra”, nem o que quer que fosse. Mas considero que se estão a ultrapassar todos os limites. Sou livre, felizmente, vivo em democracia e sou responsável pelo que escrevo e afirmo.
Quem me conhece sabe bem como sou crítica em relação ao mau jornalismo e intolerante com falta de ética e profissionalismo. Quem me conhece sabe muito bem que até sou crítica em relação a algumas decisões editoriais da TSF. Crítica e frontal e por isso sinto-me completamente à vontade para escrever estas linhas, completamente insuspeita. Muitas vezes critico o trabalho da minha rádio, o meu inclusive. Só assim, com crítica activa, vigilante e construtiva, podemos melhorar diariamente.
Conheço a minha rádio por dentro e por fora. Conheço as suas práticas, as suas rotinas, as discussões, as preocupações, as pressões (claro que há, mas alguém imagina que não?), sei bem como são escolhidos os temas do dia, o tema do Fórum.
Por isso considero a violência dos comentários inaceitável. O tom de raiva é excessivo. O nível de vocabulário é medonho. As considerações são indignas. Esta campanha repugna-me! Enoja-me! Sei que estes comentários não são de ouvintes TSF. Os verdadeiros ouvintes TSF não são assim. Reconhecem o valor da sua Rádio e a credibilidade da sua informação, respeitam-nos. Os verdadeiros ouvintes TSF sabem do que eu estou a falar.
A TSF tem 23 anos de provas dadas de isenção e rigor. Todos os dias, repito – todos os dias – recebemos queixas de ouvintes e também de partidos políticos (não sejamos inocentes). Nuns dias criticam-nos porque somos a voz do PS, noutros dias já somos a do PSD. Nuns dias, só damos CDS. Noutros, somos máquina de propaganda do PCP ou do Bloco de Esquerda. “Rádio Bagdad”, “Rádio Oficial Laranjinha”, “Rádio do PS”, “Rádio dos Camaradas”, “Gabinete do Cavaco”, etc… Tantos rótulos. Que bom. Incomodamos muita gente, é verdade.
O Fórum TSF foi uma inovação nas rádios portuguesas e foi introduzido pela TSF, como quase todas as inovações feitas na rádio em Portugal. É um espaço aberto à opinião dos ouvintes: sem filtros, sem censura, sem perguntas prévias sobre o que os ouvinte ou convidados pretender dizer em directo. E esta é a regra que existe há duas décadas.
Todos os dias há Fóruns TSF. Todos os dias há quem diga de sua justiça contra ou a favor do Governo. As pessoas inscrevem-se com o nome que querem, com a profissão que querem, apenas registamos o número de telefone no momento da inscrição, para lhes ligarmos de volta quando entram em directo. E o método de entrada no Fórum é todos os dias – repito, todos os dias – igual: as pessoas entram por ordem de inscrição. Que é o que faz sentido, aliás. Ou fará sentido passar para directo uma pessoa que se inscreveu às 11.30h, quando outra manifestou interesse em participar duas horas antes? Ou fará sentido passar para o Fórum um juiz que se inscreveu às 11h, passando à frente de um desempregado que se inscreveu às 9h da manhã? Não faz qualquer sentido, pois não? Não. A regra é sempre a mesma e tem funcionado na perfeição. A TSF não escolhe os ouvintes.
Quem anda na política sabe bem que os Fóruns são escutados muito atentamente nos gabinetes. Mas não é preciso andar na política para se saber que os aparelhos partidários mobilizam militantes ou simpatizantes para participarem nos Fóruns, seja o da TSF ou quaisquer outros, que copiaram o modelo. Os partidos pedem às pessoas da sua confiança para que se inscrevam no Fórum. Isso é ainda mais evidente em períodos eleitorais. Mas a regra existe para todos. Quem conhece melhor as regras do jogo, joga melhor.
Não vou falar em concreto sobre o Fórum em que o PM esteve como convidado. Mas se algum aparelho partidário funcionou no dito Fórum para “promover” o entrevistado; outros aparelhos estão agora a promover a campanha anti-TSF. Estão a desperdiçar munições… O alvo não é o mensageiro, que é sempre o mais fácil de abater.
E a prova de que a TSF é um gigantesco (e cada vez mais raro) espaço de liberdade, é o facto de a antena da TSF continuar a aberta diariamente aos ouvintes no Fórum para dizerem o que quer que seja; é o facto de o mural do Facebook da TSF estar totalmente aberto a comentários (comparem com outros órgãos de comunicação social, só para tirarem a prova); é o facto de o site da TSF ser totalmente livre nos comentários (mais uma vez, comparem com os outros o.c.s.); e é o facto de continuarmos a fazer o nosso melhor jornalismo todos os dias.
Não gosto que digam mal da minha Rádio sem justificação. Não gosto que enxovalhem o meu nome, porque sou TSF, sem fundamento. Não gosto que atirem lama em cima de Profissionais com letra maiúscula. Não gosto que cuspam no meu nome, porque sou TSF. Não aceito que venham grafitar de calúnias na minha porta. É uma vergonha, sim, esta manipulação, esta campanha difamatória anti-TSF. Quem ganhará com isto? Era interessante que reflectíssemos todos sobre o assunto.
Não são só os Fóruns TSF que incomodam. A informação TSF incomoda. O jornalismo da TSF incomoda. A TSF incomoda. Que bom. Que orgulho. Que luxo, nos dias de hoje.
Ana Catarina Santos
29 Abril 2011
"Ainda pode haver alguns portugueses que querem ser enganados, mas a maioria já não quer ser enganada", diz Miguel Relvas ao Público de hoje.
Claro, a culpa é do povo.
Corre-se sempre o risco de que seja estúpido.
Isto promete.
Posso estar completamente enganado, mas parece-me que anda tudo a engolir sem espinhas - e sem dúvidas - esta alegada zanga entre José Sócrates e Teixeira dos Santos.
Para os observadores mais atentos, o come back do Telmo do Big Brother era uma notícia esperada.
Mas ao contrário do que julgavam esses observadores, não foi no Perdidos na Tribo. Foi nas listas do PS.
Vai dar ao mesmo. É a novela da vida real.
Ontem fui ao lançamento de um livro - "Como salvar a minha reforma" - feito por dois jornalistas financeiros com quem já tive o privilégio de trabalhar: David Almas e Joaquim Madrinha. Mais do que a boa estratégia de poupança que eles aconselham, ou do que a crítica fundamentada aos PPR, para mim o mais interessante é isto: dois jornalistas da minha idade (30's) escrevem um livro partindo do pressuposto que a pensão pública que vamos receber no futuro será residual ou mesmo nula. Mais: escrevem o livro pedindo às pessoas (sobretudo às da minha geração) que percebam que o valor da sua pensão de reforma está essencialmente nas suas mãos.
Este é, por isso, um livro muito importante. Primeiro porque assenta na responsabilização individual, um conceito raro na cultura portuguesa. Segundo, porque nos previne contra coisas como a música que o ainda secretário de Estado do Orçamento nos deu hoje - "No longo prazo podemos garantir sustentabilidade financeira à Segurança Social".
Entre a fé para acreditar nas promessas infundadas desta classe política - que não estará cá daqui a 30 ou 40 anos para prestar satisfações - e a vontade para seguir o aconselhamento bem informado deste livro não há margem para dúvidas.
Ora digam lá se não gostavam de trabalhar numa redacção destas. Levei o M., que aos cinco anos pensa que uma redacção é um lugar onde se escreve, telefona e onde vão umas pessoas cantar. No fim perguntava-me: pai, o que é um camarada?
Billie Holliday, Warpaint
Este é um argumento central na análise à crise europeia. O problema é que Portugal conta muito pouco para as exportações alemãs - como contam pouco a Grécia e a Irlanda. É no crescimento da China - e no efeito positivo que tem no Brasil, na Rússia, no Médio Oriente, etc. - que a Alemanha está a ganhar nas exportações. Por outras palavras, a Alemanha pouco precisa dos países periféricos da Europa para crescer - o que precisa é que esses periféricos não lhes dificultem a vida, adiando/cortando os pagamentos de dívida aos seus bancos, agravando a crise do euro, criando problemas e crises.
Esse é um dos nossos maiores riscos - podemos arder em fogo lento durante anos sem que ninguém na Europa se preocupe muito com isso.
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