Há um ano tive quase essa experiência em São Petersburgo, na Rússia, quando em Agosto ainda apanhei as românticas noites brancas. E já nessa altura fiquei impressionada.
Hoje não havia nuvens no céu e decidi ficar à espera da meia-noite. Sem relógio, sem pressas, sentidos despertos, com os olhos postos no céu.
Vesti um casaco quente, despejei café a ferver numa enorme caneca e sentei-me a contemplar.
É um azul, um cinzento, um prateado. É um rosado pingado junto ao mar. É um amarelo torrado entre as nuvens. E as nuvens mestiças cinzentas e rosa. E lá ao fundo as montanhas. Brutas, pálidas, brancas, brilhantes, imperiais, soberbas, exageradas. E a neve, delicada e sensível. E o sol da meia-noite metediço. E é o mar adormecido, contemplativo. E eu. Eu e o silêncio. E aquele sol que me espia entre as nuvens. E o mar que me escuta os gemidos. E o vento que parece querer dançar. Haverá mais bela criação da natureza?
Na primeira vez achei estranho. Chegámos a casa da Mara e do Ethan e havia um recado pendurado na porta com fita-cola: “take your shoes off before you enter!” Pensei que andavam em limpezas e assim o fizemos. Descalçámo-nos à porta. Entrámos e não havia sinal de limpezas. Coisa mais esquisita, estranhei.
No dia seguinte fomos convidados para uma festa de aniversário. Festa é festa e por isso arranjámo-nos à altura: bem vestidos, perfumados, arranjados, chegámos pontualmente e a porta estava entreaberta. Entrámos. “Hello! How are you?” Entre sorrisos e cumprimentos olho de soslaio para o chão e, no corredor da entrada, havia um mar de sapatos. Toda a gente descalça. Tivemos que tirar os nossos.
Embaraçosa situação. Gente com ar de festa, colares, perfumes, brincos, brilhos… Sem sapatos. Lá pude ver a meinha azul do dono da casa, a peúga de riscas do vizinho, a meia branca do ambientalista, os calos da juíza.
Hoje aconteceu o mesmo. Numa reunião de trabalho, um advogado recebeu-nos em casa e assim que abriu a porta, estremeci. Lá estava o raio do monte de sapatos no corredor a exigir a companhia dos nossos.
Eu até gosto de andar descalça, e até acho que tenho os pés bonitos mas como é que se consegue fazer uma entrevista ou manter uma conversa como deve ser, sem inibição ou desconforto com esta situação? Ou sem a sensação que há um cheiro típico no ar? Ou, pelo menos, sem ter a tentação de olhar para as meias dos outros, a ver quem tem o imprevisível, fatal e humilhante buraquinho na ponta do dedo?!
Assim é que se trabalha. Esta malta não brinca em serviço. Tirei esta foto há umas horas e ainda sinto o gás lacrimogéneo nas vias respiratórias (por quem hoje chorei) e um sabor amargo de químicos na boca. Não levei máscara nem capacete. Um erro. Pelo menos ninguém me deu com um cacetete na cabeça, menos mal. Os nossos sindicalistas da CGTP são uns meninos ao pé destes gregos que levam tudo ao extremo. Batem, levam, protestam, insultam os pollíticos, pedem responsabilidades, não querem as novas medidas de austeridade nem mais nenhum plano de resgate. No meio disto tudo também não parece que queiram nada. Ou cada um quer a sua coisa e não se percebe muito bem o quê. Esta sociedade está esgotada. A maioria dos gregos com quem falei está-se nas tintas para o que possa acontecer caso o seu País entre em falência. Já acham que estão tão mal que nada têm a perder. Uma mulher dizia-me: "As pessoas estão desesperadas. E os desesperados são perigosos". É verdade.
O ascensor, produto da Nova Companhia dos Ascensores Mecânicos de Lisboa, foi inaugurado no dia 28 de Junho de 1892, estabelecendo a ligação entre a Rua de S. Paulo e o Largo do Calhariz. Desde essa altura, o transporte tornou-se um verdadeiro ex-libris da cidade, atraindo milhares de turistas, para além dos lisboetas que todos os dias o utilizam. Está classificado, desde Fevereiro de 2002, como Monumento Nacional e foi o primeiro transporte de Lisboa criado para percorrer uma das encostas mais íngremes da cidade.
O Elevador da Bica – Monumento Nacional, note-se bem – faz hoje 119 anos. Há bilhetes-postais, carimbos para coleccionistas e afins. Está tudo aqui. Boas ascensões e descensões.
Duas perguntas a propósito da pomada de posse dos secretários de Estado.
1) Alguém que é contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo pode ser secretária de Estado para a Igualdade?
É evidente que não.
2) Mas para que é que serve uma secretária de Estado para a Igualdade?
Ainda pensei pedir um Obama Chili, mas como vinha com a família toda, achei melhor comer apenas um Donut. Foi no Kramerbooks de Dupont Circle (Washington DC).
As multas de trânsito por mau estacionamento em Washington custam 25 dólares.
Do que se vai sabendo da constituição dos novos gabinetes ministeriais, há um que chama particularmente a atenção.
A quantidade de aventais é tal que não parece um ministério, parece uma escola de culinária.
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