Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012

O resgate da Madeira explicado às criancinhas (ou pelo menos, como eu expliquei ao meu filho)

Alberto João teve de negociar "de calças na mão" porque endividou a Madeira até às cuecas. E quem ficou de tanga foram os madeirenses.

publicado por Filipe Santos Costa às 16:37
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The times they are a changin'

Passei esta manhã uma hora a ouvir o povo e a comentar o acordo de resgate da Madeira no programa Opinião Pública, da SIC-Notícias.

 

Como sabe quem tem a paciência de me ir lendo por aqui, a Madeira é um tema que me interessa. Já perdi a conta às vezes que fui à SIC-N falar da minha ilha. Não é segredo para ninguém que não acho o dr. Jardim um governante exemplar (to say the least). Mas valha o contraditório: nestes programas, surgem sempre defensores do dr. AJJ, uns mais exaltados do que outros (e alguns mesmo muito exaltados, acreditem!).

 

Hoje, pela primeira vez, passou-se o programa todo e não houve nenhum telefonemazinho em defesa do dr. Jardim.

Nem um para amostra.

Nem uma palavrinha simpática ou de desagravo para o homem que está a levar a Madeira ao fundo.

 

Desconfio que as coisas estão mesmo a mudar. E não me refiro a ter faltado verba nas centrais telefónicas do Governo Regional e do PSD-Madeira para os habituais telefonemas encomendados... 

publicado por Filipe Santos Costa às 16:25
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Get real

O que é mais incrível nesta história do pacto orçamental é que nos quer fazer acreditar que NUNCA MAIS será possível adoptar uma política orçamental expansionista e contra cíclica – ou seja, a Europa ilegaliza para sempre o keynesianismo e a esquerda. Ninguém nos mercados ou fora deles, à direita ou à esquerda, acredita nisto. Até porque há uma coisa chamada ciclo eleitoral: agora é a direita no poder, amanhã será a esquerda, depois a direita, e por aí adiante…

publicado por Bruno Faria Lopes às 16:23
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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012

O que nos dizem os 18%

O que nos dizem os recordes diários dos juros da dívida pública portuguesa? Duas coisas. A primeira, uma novidade menor: Portugal precisa de mais tempo e de mais dinheiro da Europa e do FMI até conseguir convencer alguém a voltar a emprestar a juros comportáveis. A segunda, uma novidade maior dita pelo mercado: com ou sem tempo, o país corre um risco considerável de não conseguir pagar a totalidade da dívida. O último ponto irá depender da viabilidade de Portugal no euro, que por sua vez depende da vontade dos eleitorados em Portugal e na Alemanha, o que chega para assustar o investidor mais resistente (ou para animar o especulador mais ousado).

 

Portugal precisa de mais assistência da troika, algo que, apesar das garantias do governo em contrário, as pessoas agora em São Bento sabem melhor do que ninguém. São os mercados que estão a gritar esta evidência, ao fixarem a taxa de juro implícita das obrigações a cinco anos em mais de 18%. Ninguém na comunidade financeira – que lê a correr os primeiros parágrafos dos textos na Reuters e na Bloomberg e não gasta tempo a destrinçar os detalhes da conjuntura portuguesa – acredita que no final do programa da troika Portugal será um devedor mais sólido. O país chegará ao final de 2013 a acumular três anos de recessão (numa contracção total de cerca de 5%, na melhor das hipóteses), sem soluções no curto e médio prazo para crescer de forma convincente e com uma dívida pública a rondar 115% do PIB. A Europa, por outro lado, não terá ainda uma solução convincente no terreno.

 

Perante este cenário, parte dos investidores joga na possibilidade de Portugal não cumprir as metas do programa e de ter problemas em negociar – ainda este ano ou no início do próximo – mais tempo e mais dinheiro com a troika. Neste ponto é provável que estejam enganados. Portugal não vai cumprir as metas orçamentais irrealistas, mas há mais moedas de troca: chamam-se “reformas estruturais”. O primeiro-ministro faz avançar as reformas em massa – rendas, laboral, concorrência e insolvências – para mostrar trabalho. Se for preciso até apertará mais a consolidação (com efeitos contraproducentes), mas será com as reformas que convencerá a Europa. E a Europa quer ser convencida. Com a Grécia a reestruturar dívida, o euro não pode suportar um colapso português.

 

Onde os mercados podem estar a ler bem a situação é no momento a seguir ao prolongamento da assistência financeira. As reformas estruturais são boas para o país se servirem para eliminar obstáculos ao crescimento e os “núcleos de privilégio injustificado”, como disse há uma semana Passos Coelho (o governo tem capacidade para desproteger lóbis? Veremos.) Mas as reformas são, quanto muito, o início de uma mudança na economia portuguesa. Muitas, como a laboral, têm um efeito incerto. Todas demoram tempo a ter resultados. E a exigência por resultados é muito grande, numa pequena economia aberta que na zona euro não pode usar nenhum instrumento básico de política económica – cambial, monetária, comercial e fiscal – como estímulo.

 

A questão fulcral é a viabilidade de Portugal na zona euro – Portugal, um país mais funcional do que a Grécia, mas mais endividado (dívida pública e privada) e com um problema de competitividade idêntico. Seremos viáveis apenas se a Europa der o tempo e o dinheiro que os mercados não parecem inclinados a darem – e se continuarmos a aplicar uma dose socialmente dolorosa e politicamente desgastante de reforma e de austeridade, além desta legislatura. Por outras palavras, se o caro leitor e eu alinharmos nisso e se os alemães fizerem o mesmo. Está visto que o risco é grande – e que a possibilidade de uma reestruturação de dívida (e saída do euro?) também. É isso que os 18% nos estão a dizer.

Opinião publicada aqui.

publicado por Bruno Faria Lopes às 15:55
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Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012

Sócrates ni-ni

As polémicas declarações de Cavaco Silva durante o fim-de-semana, a propósito das reformas do Presidente, acabaram por tornar discreto o diário de José Sócrates em Paris, contado pelo Expresso desta semana.

Lendo o artigo ficamos a saber que o antigo Primeiro-Ministro de Portugal “vive num soberbo quarteirão” em Paris, onde deverá pagar uma renda mensal de “no mínimo 4 mil euros” e almoça e janta “em restaurantes inacessíveis ao comum dos mortais”. Sobre a sua actividade diária, além do jogging matinal, sabe-se que participa em think tanks, em discretas conferências, preparadas “quase com os mesmos cuidados que uma reunião maçónica”, frequenta livrarias elegantes como a La Hune, ou a Brasserie Lipp, “frequentada pelo que os franceses chamam a esquerda caviar”.

Aparentemente Sócrates não trabalha, sendo certo que foi para Paris para estudar.

Carvalho Pinto de Sousa José Sócrates (é assim, com este nome, que está inscrito) foi admitido em finais de Setembro de 2011 num dos mais conceituados Centros de Estudos de Ciência Política mundiais, o famoso Sciences-Po. É aluno do primeiro ano do Master de Estudos Avançados em Ciência Política.

Mas tem um estatuto especial: é auditeur libre, ou seja aluno livre, sem as mesmas obrigações que qualquer outro aluno. Vai a exames - se quiser, pode apresentar trabalhos - se quiser, pode ir às aulas – se quiser. E, ao que conta o Expresso, “Sócrates não compareceu aos exames do primeiro semestre”. Ou seja, aparentemente também não estuda.

Não trabalha nem estuda. Sócrates à Paris est un ni-ni: ni travaille ni étudie. Bem que podia juntar-se às manifestações dos indignados.

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publicado por Ana Catarina Santos às 02:20
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Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012

Censura numa espécie de democracia

Vale a pena ouvir esta crónica do Pedro Rosa Mendes na RDP sobre o Prós e Contra em Angola. Se não tivesse sido banido da rádio pública por delito de opinião - e não é difícil perceber porquê - eu e muitas outras pessoas jamais teriam ouvido este magnífico texto. O poder é estúpido: a censura em democracia não aproveita, volta-se contra o censor, sublinhando o censurado. Tenham medo. A entrada em força dos angolanos na comunicação social vai acentuar isto. Tenham medo. Os euros estão à frente, mesmo que seja preciso censurar para não melindrar a família dos Santos e sua corte. Aliás, nem devia ser legal a entrada de empresas na comunicação social portuguesa provenientes de países sem liberdade de expressão. O Governo português mostra que manda, tal como dos Santos manda nos seus, torna-se respeitável aos olhos das ditaduras com quem faz negócios. Mas se isto ainda é uma espécie de democracia, aquela gente não quer saber. Os daqui estão-se nas tintas...

publicado por Vítor Matos às 15:06
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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012

A mentira de Cavaco

Deixa cá ver o cheque da reformazinha...

 

Está tudo maluco. O sr. Presidente diz que os 1300 euros de reforma da Caixa Geral de Aposentações não lhe permitem pagar as despesas, coitadinho. O sr. Presidente nesta triste declaração - que os portugueses que estão a passar dificuldades vão adorar -, omite deliberadamente o valor da sua pensão do Banco de Portugal. Diz que prescindiu do vencimento de Presidente, que supera os sete mil euros. Mas, como é evidente, só o fez porque a soma das suas reformas supera este valor. Uma pequena omissão, uma grande mentira. Não estamos em tempos de andar a brincar com coisas destas. O sr. presidente devia pintar a cara de vergonha e pedir desculpa aos portugueses, não pela ofensa, pobrezito, de não ter dinheiro para pagar as despesas. É porque mentiu.

 

Correcção: Afinal Cavaco diz que não sabe quanto vai receber do Banco de Portugal. Mas devia ter dito quanto era o valor total das suas pensões (140 mil euros/ano), para as pessoas perceberem a ordem de valores de que estamos a falar. Se optou pelas reformas em vez do vencimento, era porque totalizavam mais do que os 7 mil euros mensais que recebe em Belém. O choradinho não lhe fica bem. Há uns anos, Cavaco já tinha omitido, voluntariamente, a questão das acções do BPN, numa resposta ardilosa ao Expresso e num comunicado. Foi como mentir. Esta explicação, se não for a mentira de que o acuso acima, trata-se de uma omissão grave, e de uma ofensa aos portugueses que estão no desemprego (com menos prestações), que são funcionários públicos e perderam os subsídios. Agora percebemos porque é que não se devia pedir mais sacrifícios aos portugueses.

 

ADENDA: O Público diz aqui que Cavaco recebia cerca de 10 mil euros mensais de pensões.

publicado por Vítor Matos às 17:02
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Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012

Os loucos que querem dominar o mundo

"Eu queeeeero goverrrnar o muuundo!", gritava hoje de braços abertos um dos loucos mais evidentes que frequentam o meu bairro. Achei comovente, porque o homem não deseja mais do que muita gente por aí, mas isso não me sossegou. Normalmente, os loucos que querem dominar o mundo, o país, a junta, não trazem etiqueta, escondem-se nas capas de respeitabilidade que ocultam toda a loucura que a ambição pelo poder às vezes provoca.

publicado por Vítor Matos às 15:02
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Domingo, 15 de Janeiro de 2012

Portugal 2012

Foto: VM
Cabo Sardão: jogando futebol nas falésias.
publicado por Vítor Matos às 15:12
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Câmara Clara

Os "portugueses pobres vergastados". Um primeiro-ministro que manda nomear como o ditador da Síria manda matar. E quantas horas vai trabalhar o senhor Catroga? Clara Ferreira Alves - sempre a bater recordes.

publicado por Bruno Faria Lopes às 00:31
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