Eu. Eu. Eu. Eu. Eu. Eu. Eu. Eu. Eu. Poderia até dizer alguma coisa sobre o momento do jornalismo português numa cerimónia dedicada a premiar o jornalismo? Não. Eu. Eu. Eu. Eu. Eu. Eu. Eu. Eu. Eu. No final, a promessa sempre é cumprida: Calimero Silva não diz realmente coisa alguma.
O primeiro a ir ao Algarve na sequência do tornado foi (pasmem-se!) Marco António Costa. Não foi o Ministro da Solidariedade, mas o Secretário de Estado, garantindo prontidão nas ajudas. Mas eis que um Ministro iria entrar em cena.
O segundo a ir ao Algarve foi, assim, Miguel Macedo. Foi lá ver, foi lá falar, foi lá ouvir, foi lá espreitar. E que mais? Ofereceu uma mão cheia de nada: "Ninguém sabe falar neste momento de dinheiro, não vale a pena estar a atirar valores para o ar um pouco ao calhas. Não faz sentido que seja assim".
Poucas horas depois, a partir de Cádis, entra o terceiro protagonista em cena, Pedro Passos Coelho, para dizer: esqueçam tudo! O que o Macedo disse foi mal dito, não era nada daquilo. O Governo vai ajudar sim senhor. E até admite declaração de estado de emergência.
O Primeiro-Ministro passa publicamente um atestado de inabilidade política ao seu Ministro da Administração Interna: "lamento que o Sr. Ministro não tenha sido mais esclarecedor". Diz Passos de Macedo.
O temporal não se fez sentir apenas no Algarve. Há mau tempo, sim senhor. Na Rua Professor Gomes Teixeira. Mesmo.
Lê-se e não se acredita: "Os poucos manifestantes que permaneciam, ora de cócoras, ora de joelhos, a arrancar pedras da calçada em frente à Assembleia da República faziam-no com a ambição de um operário que gosta do seu trabalho."
É a entrada de uma "reportagem" com que me deparei no site do Público. O tom geral é este. Era mesmo o que faltava - o elogio do empenho dos bárbaros, com a chancela do que já foi um dos jornais de referência de Portugal.
A coisa prossegue: "Estabeleceu-se ali, a 15 metros do cordão policial, uma autêntica e espontânea linha de montagem, em que as pedras da calçada, prontamente arrancadas do chão, eram entregues a outros que as atiravam em direcção ao cordão policial e à Assembleia da República. Adequava-se a pergunta, com a dicção arrastada de Sérgio Godinho com José Mário Branco ao lado: “Que força é essa, que força essa, que trazes nos braços?”"
Bem sei que o Público já teve melhores dias. E digo-o com a amargura de quem começou a fazer jornalismo na redação do Público e sente, a cada edição, a decadência e o desnorte a que o jornal foi condenado por quem o dirige.
Apesar disso, nunca se está realmente à espera de ver, mesmo neste Público, tamanho desvelo de um "repórter" embevecido perante aquela rapaziada com "ambição de operário" em "autêntica e espontânea linha de montagem".
Como é que este texto me escapou na edição em papel?, questionei-me. E percebi depois que a "reportagem" foi publicada apenas online, não tendo chegado à edição em papel. Desconheço a razão. Mas oxalá tenha sido por vergonha.
Há umas semanas, num debate quinzenal, o primeiro-ministro deu sinal da sua argúcia política fazendo um ataque descabelado e despropositado ao PCP. Acusou, então, o PCP de ser "cúmplice, para não dizer instigador, de atitudes de maior violência que possam ocorrer em Portugal".
Será que o ministro Miguel Macedo já lhe explicou que atacar o PCP e a CGTP (nem perderei tempo com distinções) é atirar ao alvo errado?
Hoje é um bom dia para isso.
imagem retirada de Portugal Daily View
É mais um exclusivo do Elevador da Bica: o homem da Troika, o etíope Abebe Selassie, já está em Portugal. O senhor chegou a Lisboa ontem, quarta-feira, ao final da tarde, uma semana antes da restante equipa do FMI.
O repórter do Elevador da Bica tentou captar o momento da chegada de Selassie ao Hotel de luxo onde ficará instalado nas próximas duas semanas, mas o aparato de segurança inviabilizou esse acto.
Abebe Selassie vem ver como páram as modas e aferir discretamente a aplicação das medidas. Oficialmente não tem agenda, mas o Elevador da Bica sabe que o homem forte do FMI que é o responsável pelo acompanhamento do programa de ajustamento da economia portuguesa, tem encontros não oficiais já agendados.
O "olheiro do FMI" vinha com uma mochila vermelha às costas, ténis e calças desportivas. Disse boa noite e sorriu (sim, ele sorriu. Os robôts do FMI às vezes sorriem). Pena que a indumentária e atitude descontraídas não estejam a fazer pandan com o chicote que traz na mochila vermelha.
Cospem verbos. Vomitam palavras que nem conhecem. Espumam insultos. Salivam raivas. Chutam ódios. Batem. Agridem. Ácido. Fecho os olhos. Tapo os ouvidos. Sai, sai, sai daqui! Saiam! Saiam todos. Caras feias. Olhos raiados de podridão. Parasitas. Ocos. Veias eriçadas que querem sair daqueles corpos moribundos. Maldade. Inveja. Poder nojento. Poderzinho autoritário. Sangue podre. Nojo. Ferrugem nas artérias. Mofo. Bolor. Rugas de maldade. Mau hálito. Bafo de tédio. Infelizes. Cadáveres de gente. Almas tristes. Insignificantes. Complexados. Pequeninos. Mentecaptos. Vazios. Mentirosos. Falsos. Desapareçam. Evaporem-se. Vão brincar aos poderzinhos para o crematório. Desapareçam, ditadores! Morram, morram todos. Matem-se uns aos outros. Pestilentos. Morram, velhacos. Gritaria. Párem! Caiam. Acéfalos. Medíocres. Estúpidos. O mundo não vos merece. Adeus.
Os States têm o Obama-Care.
Nós temos o Refunda-Care.
E ainda dizem que os americanos são estúpidos.
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