Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007

O mesmo filme

A aproximação dos regimes de penalizações, nos casos de reforma antecipada, entre o que vigora na função pública e aquele a que estão sujeitos os restantes contribuintes foi adiada. O Governo, que não se cansa, nas suas acções de propaganda, de clamar contra os privilégios e as corporações, cedeu à pressão dos sindicatos. E aquilo que estava previsto para 2008, foi mandado mais para a frente, lá para 2015, quando Sócrates tiver cumprido o seu eventual segundo mandato.

O ímpeto reformista do Governo quando se trata de enfrentar o insaciável sorvedouro dos recursos do país em que, ano após ano, se foram transformando as administrações públicas, afrouxa de modo preocupante. Começa a parecer claro que o ligeiro arrebitar do crescimento está a fazer com que o Executivo confie que não será necessário curar as doenças graves como a da Função Pública, porque o aumento das receitas fiscais permitirá cobrir as despesas e a subida do produto interno bruto possibilitará baixar o peso daquelas sobre a riqueza gerada pelo país.

O país já assitiu a este filme e também já sabe como acaba, mais dia menos dia. Estaremos à beira de mais uma oportunidade perdida? Será uma estratégia para que fiquemos todos mais pobres, mas capazes de, finalmente, competir com os salários chineses?
publicado por João Cândido da Silva às 15:02
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