No túnel de entrada no parque de estacionamento do Largo de Camões, em Lisboa, qualquer automobilista pode reparar numa placa que assinala ter sido esta estrutura inaugurada por Sua Excelência, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, João Soares. É apenas um exemplo, entre milhares, da obsessão que os titulares de cargos públicos têm pela sua própria eternização e glorificação.
Não basta mandar fazer a obra e deixar que os seus beneficiários se apercebam da sua utilidade. É necessário deixar marcado, de forma indelével, quem "fez" e inaugurou. Desde parques de estacionamento a fontanários e rotundas, não faltam casos elucidativos sobre como a vaidade supera toda e qualquer noção do ridículo.
Agora, é Manuel Pinho que vai ter em Paços de Ferreira o seu nome inscrito numa
avenida. Só falta a estátua, ficando a expectativa de saber que pose irá o respectivo escultor escolher, quando se sabe que há uma em que se nota, incontornavelmente, que ali houve dedo(s) do antigo ministro da Economia.