Terça-feira, 22 de Setembro de 2009

Um naufrágio silencioso

Parece que só Cavaco Silva, e mais alguns fanáticos que tentam chutar para canto e disfarçar a borrasca, ainda não percebeu que não pode adiar por mais tempo uma explicação ao país sobre o caso das escutas.

O Presidente da República jamais sairá bem desta situação e um dos motivos para este beco sem saída em que se colocou está, precisamente, no seu silêncio perante a gravidade das suspeitas. Ainda assim, se quiser preservar um mínimo de dignidade política e institucional, terá que se explicar o quanto antes.

Caso tenha na mão algo de concreto que prove ter havido escutas e vigilância ilegítimas do Governo e do PS sobre Belém, vai guardar tudo para depois das eleições, quando, de acordo com o que indica a generalidade das sondagens, tiver que reempossar um primeiro-ministro em quem não tem confiança e sobre quem alimentou a suspeita de ter armado uma operação de espionagem sobre a Presidência?

Um dos aspectos que a eleição de Cavaco Silva dava garantias era a de que a Presidência da República seria um local livre de tentações para a baixa intriga política e de vocação para se colocar no estatuto de líder da oposição. Entre outras, esta é uma das expectativas que o Presidente traiu, a não ser que aos cidadãos portugueses ainda esteja a escapar alguma coisa que Cavaco já devia ter esclarecido.
publicado por João Cândido da Silva às 12:16
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1 comentário:
De Bruno Faria Lopes a 22 de Setembro de 2009 às 13:39
Nem mais.

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