Sexta-feira, 26 de Outubro de 2012

Prioridades

O objectivo de cortar no limite mínimo do subsídio de desemprego é orçamental (poupar uns milhões para chegar à soma que a troika pede) e económico (ampliar o fosso para o salário mínimo e empurrar as pessoas no fundo da cadeia de rendimentos para aceitarem o que o IEFP ou a vida lhes oferecer por 485 euros). Poderíamos discutir aqui os méritos, as éticas e o resto sobre esta medida. Mas o que conta, a meu ver, é isto: um governo que não abre guerra a estivadores cujo salário médio está no topo de 5% dos rendimentos do trabalho em Portugal, um governo que aumenta os médicos em troca do "castigo" das 40 horas de trabalho semanal, um governo que tira o tapete a Van Zeller porque este não é hipócrita sobre os sindicatos e a mão de obra dos Estaleiros de Viana, um governo que quando era oposição (não soa bem, mas isto é um blogue, what the fuck) falava dos institutos e das fundações e dos observatórios e das gorduras e que quando é governo deixa intacto 70% do financiamento ao Instituto Nacional para o Aproveitamento dos Tempos Livres dos Trabalhadores (vulgo INATEL) e para a Fundação Soares e etc. etc., um governo que se deixa comer pelo lóbi da energia, um governo que mete na gaveta a reforma autárquica, um governo que planeia gastar 80 e tal milhões de euros em consultoria no próximo ano, um governo que tem como ministro um tipo que ganhou o curso num pacote de farinha Amparo, um governo cujos ministros não percebem que-não-interessa-se-os-carrões-em-que-se-fazem-locomover-não-são-"o"-problema-das contas-públicas mas que o que conta é o lado simbólico no "país em emergência", um governo que não toca nas pensões mínimas que não vão na maioria para os "mais pobres", enfim poderia continuar com isto mas acho já perceberam, este governo, dizia eu, não tem força moral para cortar seja o que for no seguro laboral de uma pessoa que recebe hoje 420 euros. É simples. É isto.  

 

publicado por Bruno Faria Lopes às 02:33
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