Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2013

Cavaquês para totós

O discurso de Ano Novo Cavaco Silva foi mais uma proclamação de falta de poder do PR, pouco coerente. Vejamos: 

  

“Temos urgentemente de pôr cobro a esta espiral recessiva”

Pois temos, mas como? Eu por mim punha. Só que não há "massa" para novos keynesianismos e baixar impostos é impossível cumprindo as metas... Aqui é: dead end.

 

"São muitos, e cada vez mais, os que se interrogam sobre a razão dos sacrifícios que lhes são exigidos e se esses sacrifícios serão realmente necessários e úteis."

E pelos vistos Cavaco é um deles ou não diria esta frase. O PR acha que estes sacrifícios não vão servir para nada, ele lá saberá porquê. Esta frase é preocupante, não me deixa nada descansado, já não durmo há duas noites... (mas a primeira não vale, foi da Passagem de Ano...)

 

"Deixar de honrar os compromissos internacionais que subscrevemos não é uma opção credível. (...) Tentar negociar o perdão de parte da dívida do Estado não é uma solução que garanta um futuro melhor."

O PR assume a inevitabilidade de tudo o que está a ser feito pelo Governo embora sem concordar com o que o Governo está a fazer. É pungente ouvir as palavras de um Presidente de mãos atadas num País ocupado. Não podemos fazer nada. Então como é que pomos cobro à espiral recessiva? Incoerente.

 

"A austeridade orçamental conduz à queda da produção e à obtenção de menor receita fiscal. Segue-se mais austeridade para alcançar as metas do défice público, o que leva a novas quedas da produção e assim sucessivamente. É um círculo vicioso que temos de interromper."

É verdade. Temos de o interromper. Então suavizamos a austeridade: não cumprimos as metas, passamos a gregos e é preciso austeridade a dobrar ou somos expulsos do clube. Há, mas há outra solução: baixamos a receita fiscal e acontece o mesmo. O PR também está com um problema de círculo vicioso...

 

"O País não está em condições de se permitir juntar uma grave crise política à crise económica, financeira e social em que está mergulhado."

Apesar de subscrever a maioria dos argumentos do PS, acha que o PS deve continuar quietinho e sossegado em nome da "estabilidade". Afinal, apesar de tudo, é melhor que tudo fique assim... Mais um círculo vicioso.

 

Sei que temos a solidariedade de vários países da União Europeia, países que reconhecem o nosso esforço e consideram que, para bem de toda a União, Portugal deve e merece ser ajudado.

É a zona chave do discurso. O PR sabe coisas. Mais: sabe coisas que nós não sabemos. Quem são os líderes dos países que entendem que Portugal deve ser ajudado? Com mais subsídios? Juros mais baixos? Mais dinheiro, mais tempo? As condições da Grécia? Mistério... Não creio que o PR tenha ouvido a srª Merkel nos últimos tempos. Isso dos “vários países” é coisa do passado. Quem manda é a nossa chanceler e Cavaco não pode dissolver o Bundestag...

publicado por Vítor Matos às 17:03
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