Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2013

PS: os ventos da história contra Tó Zé Seguro

 

 

Se fosse, era a primeira vez. Ainda está para nascer um homem ou uma mulher. A não ser que já tenha nascido e se chame António José Seguro. Mas os camarados do PS já estão a tratar de pôr a História no seu lugar. O primeiro da linha é sempre para queimar. É da gíria e devia estar nos manuais da malfeitoria política. Nunca desde 1974 um líder partidário dos partidos de poder (PS e PSD) que tenha sucedido ao líder de um ciclo de poder chegou a primeiro-ministro. Nunca. Vale o que vale, mas tem muita força. Isto é muito determinista: Seguro será levado pelos ventos da História?

 

Considerando que Mário Soares sucedeu a si mesmo até 1985, considerando que no PSD Mota Pinto (foi primeiro-ministro de um governo presidencial quando estava fora do partido) não passou de vice-primeiro-ministro no partido, temos a seguinte cadeia de sucessões:

 

- Sá Carneiro/Pinto Balsemão - troika/Carlos Mota Pinto - Rui Machete - Cavaco Silva

 

- Mário Soares - Vítor Constâncio - Jorge Sampaio - António Guterres

 

- Cavaco Silva - Fernando Nogueira - Marcelo Rebelo de Sousa - Durão Barroso

 

- António Guterres - Ferro Rodrigues - José Sócrates

 

- Durão Barroso/ Santana Lopes - Marques Mendes - Luís Filipe Menezes - Manuela Ferreira Leite - Pedro Passo Coelho

 

- José Sócrates - António José Seguro - ...

 

De forma intuitiva, os partidos pensam sempre assim, deixam o primeiro a seguir a uma derrota carregar com o ónus do jejum de lugares e da depressão interna da ressaca de poder, a levar pancada de todo o lado, dos adversários por causa da herança governativa, dos camaradas da mesma cor porque um líder sucessor é sempre um desgraçado que ninguém ouve, que ninguém acha que vai lá chegar... tem um destino, está fadado para perder.

 

Embora o PSD seja um partido mais efeverscente, estamos a ver o filme a repetir-se no PS. Quando cheira a poder começa a caça. Como se sabe que não é preciso muito mais do que fazer de morto sentado na cadeira certa até se chegar à cadeira do poder, estão inauguradas as hostilidades para o assalto ao Largo do Rato, e as probabilidades de a história se repetir ganham muita força. Se António José Seguro conseguir aguentar a ventania será um acidente do destino.

publicado por Vítor Matos às 16:40
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