Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2013

A boa moeda


Franquelim Alves, empossado pelo Presidente da República Cavaco Silva, no cargo de secretário de Estado do  Empreendedorismo, Competitividade e Inovação.

Deve ser esta a boa moeda que Cavaco Silva tanto aprecia.
publicado por Filipe Santos Costa às 10:59
link do post | comentar | favorito

A boa moeda e a má moeda

Para memória futura - e porque a memória dá sempre jeito -, aqui fica na íntegra o famoso texto de Cavaco Silva sobre a degradação da qualidade, credibilidade, competência e capacidade de quem conduz os destinos do país. Ou sobre como a má moeda expulsa a boa moeda. Texto publicado no Expresso de 27.11.2004 (negritos meus)

 

 

Os políticos e a lei de Gresham

Aníbal Cavaco Silva*
 
Nos anos recentes, muito se tem falado de uma certa degradação da qualidade dos agentes políticos em Portugal, da sua credibilidade, competência e capacidade para conduzir os destinos do país. Independentemente de ser de facto assim, o certo é que há hoje uma forte percepção da parte da opinião pública de que, em geral, a qualidade dos agentes políticos tem vindo a baixar.
Para isso tem contribuído, entre outros factores, o afastamento crescente das elites profissionais, dos quadros técnicos qualificados da vida político-partidária activa. Os políticos profissionais de valor, com uma carreira seriamente estruturada, ficam, assim, mais mal acompanhados.
Num documento da Associação para o Desenvolvimento Económico e Social (SEDES), de Fevereiro de 2002, falava-se da «centrifugação de alguns dos melhores valores do pessoal político e da gestão superior do Estado e incapacidade de atrair novos valores, nomeadamente entre os mais jovens» como um dos sinais preocupantes da deterioração do nosso sistema político.
Três razões podem ser avançadas para explicar a atitude de afastamento das elites profissionais da vida político-partidária.
Por um lado, a sua convicção de que, fazendo Portugal parte da União Europeia, não há risco de retrocesso do regime democrático de tipo ocidental em que vivemos.
Por outro, o convencimento das elites de que a participação activa na actividade política tem custos elevados - custos materiais e de exposição pública - e de que podem influenciar as decisões políticas de outra forma - através de contactos pessoais, associações ou corporações de interesses.
Mas talvez a razão mais forte do afastamento das elites resida na ideia de que, nos dias de hoje, o mercado político-partidário não é concorrencial e transparente, de que existem barreiras à entrada de novos actores, de que não são os melhores que vencem porque os aparelhos partidários instalados e os oportunistas demagógicos não olham a meios para garantir a sua sobrevivência nas esferas do poder.
A ser assim, a lei da economia, conhecida pela lei de Gresham, poderia ser transposta para a vida partidária portuguesa com o seguinte enunciado: os agentes políticos incompetentes afastam os competentes. Segundo a lei de Gresham a má moeda expulsa a boa moeda.
O afastamento das elites profissionais (e também das elites culturais) da vida político-partidária, ao contribuir para a deterioração da qualidade dos agentes políticos, prejudica a credibilidade das instituições democráticas e a ética de serviço público, aumenta os erros dos decisores políticos face aos objectivos de bem-estar social definidos e favorece os comportamentos políticos em função de interesses particulares ou partidários, em lugar do interesse nacional. Daqui resulta menos desenvolvimento e modernização do país, mais injustiças sociais e maior desencanto dos cidadãos em relação à democracia.
Já em Outubro de 2001, num documento divulgado pela Associação Empresarial de Portugal, se manifestava preocupação pelos custos da «mediocridade na actividade política».
Sendo assim, uma questão que tenderá a assumir relevância crescente para a qualidade da nossa democracia e para o desenvolvimento e modernização do país será a de como trazer de volta à vida político-partidária pessoas qualificadas, dispostas a servir honestamente a comunidade. Nesse sentido, interessaria desenvolver acções visando o reforço da transparência e democraticidade na actividade partidária, o aprofundamento da educação para a cidadania activa e a melhoria da informação sobre a actuação dos agentes políticos. Tal como interessaria promover debates sérios e aprofundados sobre as políticas públicas e ter a coragem de aumentar a remuneração dos agentes políticos, por forma a atrair quadros de reconhecido valor e que vivem dos rendimentos do trabalho.
Se nada for feito, é provável que a situação continue a degradar-se e só se inverta quando se tornar claro que o país se aproxima de uma crise grave. Então, algumas elites poderão chegar à conclusão de que está em causa o seu próprio futuro e dos seus familiares e que os custos de alheamento da actividade político-partidária são maiores dos que os custos de participação. Mesmo assim, haverá que contar com a resistência à mudança dos aparelhos partidários instalados, o que pode levar ao arrastamento da situação.
Do ponto de vista nacional, seria desejável que o país não descesse até ao ponto de crise e que a inversão da tendência ocorresse o mais cedo possível.
Face aos sinais preocupantes que têm vindo a emergir nos mais variados domínios, do sistema educativo ao sistema de justiça, da administração pública à economia, penso que é chegado o momento de difundir na sociedade portuguesa um grito de alarme sobre as consequências da tendência para a degradação da qualidade dos agentes políticos, de modo a que os portugueses adoptem uma atitude mais participativa e exigente nas suas escolhas eleitorais e as elites profissionais acordem e saiam da posição, aparentemente cómoda, de críticos da mediocridade dos políticos e das suas decisões e aceitem contribuir para a regeneração da actividade política.
Por interesse próprio e também por dever patriótico, cabe às elites profissionais contribuírem para afastar da vida partidária portuguesa a sugestão da lei de Gresham, isto é, contribuírem para que os políticos competentes possam afastar os incompetentes.
Recordo que Portugal, desde 2001, tem vindo sistematicamente a afastar-se do nível de desenvolvimento da vizinha Espanha e da média da Europa dos quinze e que esta tendência irá manter-se no futuro, de acordo com as previsões para 2005-06 recentemente publicadas pela Comissão Europeia. Até quando?
*Ex-primeiro-ministro

 

 

publicado por Filipe Santos Costa às 10:52
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 11 de Janeiro de 2011

Cavaco e BPN: com a verdade me enganas

Na entrevista de hoje à RTP Cavaco Silva continuou sem clarificar a sua relação com o BPN. Do meu ponto de vista, neste momento o mais grave pode nem ser a compra das acções a €1 que estavam reservadas a Oliveira e Costa (a não ser que venha a perceber-se que essa venda foi estatutariamente ilegal). Do ponto de vista da avaliação política do candidato, o mais grave é:

a) Cavaco nunca ter dado explicações, contribuindo para a opacidade e para as dúvidas sobre o caso; é um erro político grave, mas é sobretudo um contributo para a falta de transparência em democracia;

b) remeter sempre para um comunicado manhoso, sem informação objectiva (nada diz sobre as acções da SLN), ao melhor estilo de "com a verdade me enganas", para iludir os jornais e a opinião pública;

c) remeter sempre para as declarações no Tribunal Constitucional, que nada explicam nem adiantam à informação avançada pelo Expresso em 2009;

d) sugerir na entrevista à RTP (como se fôssemos parvos), que o BPN comprou as acções da SLN sem lhe dar cavaco. Parece-me inverosímil que um gestor de conta lhe comprasse voluntariamente acções da SLN, uma sociedade fechada que detinha o próprio banco, e nada lhe dizer, sabendo-se a relação próxima que tinha com algumas figuras de proa. Mais um buraco nesta narrativa: é uma grande coincidência o gestor ter comprado os papelinhos de €1 da SLN ao pai, ao mesmo tempo que se lembrou de comprar para a filha. Foi em pacote familiar e sem avisar. Mas foi amigo.

Conclusão: com a informação que temos até ao momento, Cavaco nada fez de ilegal, talvez até tenha sido usado. Mas há leituras políticas que se podem fazer: numa eleição unipessoal coisas destas contam, porque a pessoa é a instituição; um PR não pode ser ingénuo ao ponto de se deixar usar por bandidos (ele já conhecia o perfil do Oliveira e Costa e não o evitou...); fez um mau julgamento, até porque nessa época já muita gente desconfiava do BPN, mas um PR não pode fazer muitos maus julgamentos (embora 140% de lucro não seja um julgamento tão mau...). Só uma estratégia de vitimização ou a arrogância de achar que ninguém lhe pode pedir explicações pode justificar esta atitude. Da maneira como o caso foi gerido, ficará sempre no ar que ele tinha algo a esconder.
publicado por Vítor Matos às 00:46
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Cavaco esclarece, mas tarde

Cavaco explicou hoje, com toda a clareza, a questão das acções da SLN. Parece-me que a questão fica esclarecida, depois destes dois posts a criticá-lo. Só é pena que o Presidente não o tenha feito antes. Quem está na sua posição política, deve ter presciência, e tem de se presevar, preservando a instituição presidencial - a única referência de jeito que ainda há hoje neste país. Se o Presidente tivesse dito mais cedo o que disse hoje, poupava-se a uma polémica desnecessária. Devia tê-lo dito há uma semana ao Expresso ou revelado os mesmos factos com a mesma límpida clareza logo em Setembro de 2008. Continuo a achar que fez um comunicado cheio de manhas, quando a limpidez só o beneficiaria.
publicado por Vítor Matos às 21:53
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Um tiro de pólvora seca contra Cavaco

Confesso que fiquei com uma certa azia depois de ter lido a notícia do Expresso sobre o envolvimento de Cavaco Silva na SLN. Pareceu-me uma tentativa - quiçá bem sucedida, mais à frente se verá - de trazer o nome de Cavaco, que tem estado na periferia do tema BPN, mais para o centro da questão.

O problema é que, pelo menos por enquanto, o Expresso não tem nada - e, nestas condições, parece que está a mencionar de forma gratuita o nome do Presidente, misturando ainda ao barulho o facto de a filha de Cavaco também ter investido em acções do BPN (ainda mais gratuito, dentro da vacuidade da história).

Cavaco disse aqui nada ter comprado e vendido ao BPN, facto que resiste à história do Expresso (comprar acções é investir no banco, e não comprar ao banco; de resto, tudo se passou quando ainda não estava em Belém).

Face aos rumores que para aí andam nos jornais sobre Cavaco e o BPN - muito devido às amizades do Presidente... - percebe-se a tentação do Expresso. Mas queimar um cartucho desta forma - e levar para o lamaçal, sem factos concretos, uma instituição política - parece, no mínimo, bastante precipitado.
publicado por Bruno Faria Lopes às 00:10
link do post | comentar | ver comentários (7) | favorito
Terça-feira, 26 de Maio de 2009

Jogo de sombras - 3

Perante tudo isto , mentiras, ameaças e chantagens, que Oliveira Costa está a dizer no Parlamento, que fará Cavaco Silva? Mantém Dias Loureiro como conselheiro de Estado? Pede-lhe o favor de se demitir? Deixará que todo este caso acabe por também o atingir a si, e à Presidência da República, sem qualquer necessidade? Afinal, tanto Oliveira Costa como Dias Loureiro cresceram à sombra de Cavaco. Como é que Manuela Ferreira Leite pode exigir a saída de Lopes da Mota do Eurojust e recusar pronunciar-se sobre Dias Loureiro e o Conselho de Estado? Como é que Cavaco pode um dia referir-se ao caso Freeport, deixando que o seu órgão político também se pantanize? Tudo nesta vida é política.
publicado por Vítor Matos às 18:15
link do post | comentar | favorito

Jogo de Sombras - 2

Basicamente, agora Oliveira Costa diz que Dias Loureiro não trabalhava muito. Começava as reuniões e quem as acabava era Lancastre Bernardo. Acusa Dias Loureiro de se ter feito passar por administrador do BPN...
publicado por Vítor Matos às 18:07
link do post | comentar | favorito
Domingo, 5 de Abril de 2009

Um tiro certeiro

"Tenho quase a certeza de que [a regulação e supervisão] não é das coisas que ele [Vítor Constâncio] gosta. Do que ele gosta e sabe bastante é de política monetária."

A opinião é de Jacinto Nunes, economista, ex-ministro das Finanças e ex-governador do Banco de Portugal, numa entrevista ao "Expresso". Do meu ponto de vista, trata-se de uma avaliação lúcida e certeira que explica os falhanços do banco central e de Constâncio na vigilância e prevenção de casos como o BCP, BPP e BPN. Da citação, eu só retiraria o "quase".
publicado por João Cândido da Silva às 17:18
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

O sono do Banco de Portugal

"O ex-director de operações do BPN, António Franco, afirmou que o Banco de Portugal não fez as perguntas suficientes para descobrir o Banco Insular, uma vez que em regra se 'contenta com meias respostas' que fazem 'desaparecer os problemas'."

Ler aqui mais algumas informações que, no mínimo, aumentam a desconfiança de que a supervisão Banco de Portugal esteve aquém do que se exigia no "caso BPN".
publicado por João Cândido da Silva às 16:26
link do post | comentar | favorito

apresentação

Tudo o que sobe também desce

Conheça a história do ascensor aqui.

autores

pesquisar

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

arquivos

subscrever feeds