Sexta-feira, 17 de Dezembro de 2010

A culpa é da Maçonaria e do Napoleão




Sim, este é mais um post sobre a Madeira. Preferia o estimado leitor que fosse mais um post sobre os Açores, e o subsídio de compensação, e o senhor César isto, e três milhões de euros aquilo?...

Azarinho: na Madeira passam-se coisas muito mais graves, há muito mais tempo, com muito mais dinheiro, e por regra tento não me distrair com pormenores.

Ontem foi o "debate" do Orçamento Regional no Parlamento madeirense. Uma coisa em estilo cubano, com Jardim a discursar durante 1 hora e 55 minutos. O relato do "debate" pode ser lido aqui. É o delírio, como se pode provar com este naco de prosa:

"Jardim garante que a plataforma democrática, criada pelo PS-M, tem influência dos empresários ingleses que descendem, pelo que foi possível perceber do discurso, da maçonaria que veio para a Madeira depois das invasões napoleónicas no século XIX. Uma tese histórica curiosa que justifica, por exemplo, os apoios ao Jornal da Madeira."

Já agora: sabiam que Jardim gasta mais com o subsídio ao Jornal da Madeira do que César vai gastar com o imoral, o imperdoável, o demoníaco subsídio de compensação?
publicado por Filipe Santos Costa às 12:54
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Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010

Caça ao voto



Nestes tempos sombrios, de recessão e depressão, em que nada parece seguro e todas as referências parecem perder-se, é reconfortante saber que podemos sempre contar com AJJ para nos provocar uma boa gargalhada. A sua reacção ao subsídio de compensação para os funcionários açorianos, criado por Carlos César, é a anedota do ano. Como dizia alguém, o problema das anedotas políticas é quando elas são eleitas.

AJJ a acusar de César de "demagogia" e de "caça ao voto" é como o Croquete a acusar o Batatinha de ser um palhaço - parece uma crítica, mas é um elogio vindo de quem sabe. AJJ apontar a outro governante uma "ilegalidade", qualquer "incoerência" e algumas "fantasias" é como a Ciciolina a acusar a vizinha do 2º esquerdo de ser uma desavergonhada - talvez seja despeito, é de certeza falta de vergonha na cara.

Num ponto AJJ tem razão: é uma incoerência votar a favor do Orçamento em Lisboa para depois não o aplicar nas ilhas. Mais do que incoerência, é hipocrisia política do melhor calibre. O PS-Açores fez isso, o PS-Madeira propõe o mesmo. Felizmente AJJ não cai nessa de ser incoerente. Recebeu de Sócrates uma prenda de Natal antecipada no OE, que lhe dá carta branca para gastar como bem entenda as verbas da Lei de Meios. Como votou contra o OE presume-se que AJJ, em coerência, não gastará um cêntimo da verba da Lei de Meios.

Os comentários de AJJ sobre o caso dos Açores sinalizam, no mínimo, o seu incómodo. Não é difícil perceber porquê. O imbatível mestre da "caça ao voto" nas ilhas perdeu o exclusivo da patente dessa arte. A "demagogia" de César veio recordar-nos que os governos regionais têm a legitimidade do voto e a responsabilidade da escolha. E que gerir um orçamento é fazer opções. César fez a sua: vai manter o salário de uns milhares de funcionários regionais e vai reforçar certos subsídios sociais. Isso custa menos dinheiro ao orçamento regional do que aquilo que o GRM torra, por ano, com o seu jornal oficial de propaganda. E infinitamente menos dinheiro do que aquilo que vai custar a simpática oferta de um estádio ao Marítimo. A comparação incomoda.

"Caçar o voto" não tem de significar esburacar ilhas de cima a baixo e atapetá-las de cimento. Acumular calotes a fornecedores e dívida à banca. Deixar a sociedade e a economia ligados à máquina do poder regional. Inventar malabarismos jurídicos e financeiros para "fazer obra" - alguma necessária, muita inútil, toda com dinheiro que não se tem.

Pela lógica de AJJ, governar é escolher a maneira de "caçar o voto". AJJ e sus muchachos há muitos anos que fizeram a sua escolha. Tudo indica que não sabem, não querem, nem têm liberdade para fazer outra.

Artigo publicado no Diário de Notícias da Madeira
publicado por Filipe Santos Costa às 12:20
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Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

Carlos César, um grande democrata

Nas próximas eleições para o Parlamento Europeu, a abstenção deverá andar entre 60 e 70 por cento, de acordo com as sondagens.

Perante esta possibibilidade, Carlos César mostra-se preocupado com o divórcio entre eleitores e eleitos? Faz alguma proposta para que os partidos se credibilizem perante os eleitores? Disponibiliza-se para dinamizar uma análise séria e profunda sobre os motivos que levam os eleitores a mostrarem-se indiferentes em relação ao exercício do direito de voto? Nada disto.

Para combater os males e podres da democracia portuguesa, que parece atribuir exclusivamente ao desinteresse dos eleitores, o líder do Governo Regional dos Açores propõe apenas menos democracia que é aquilo a que corresponde a sugestão de tornar o voto obrigatório e de recusar aos cidadãos o legítimo direito de não votarem. Com democratas destes, vamos longe.
publicado por João Cândido da Silva às 15:21
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