Sexta-feira, 3 de Junho de 2011

Não há nada para festejar domingo

Na segunda-feira acabou-se. Podem fazer a festa toda no domingo, discretamente, porque não há muito a festejar. As sondagens indicam com clareza que o próximo governo será do PSD com o CDS. Fechou-se o ciclo de José Sócrates e mais um do PS. Para a semana começa aquilo que o país andou a adiar: o que podia ter sido uma evolução com tempo será uma revolução dolorosa à pressa que agora será realizada da pior maneira, com sangue, suor, lágrimas e tudo hipotecado, da soberania, à vida das famílias. O próximo Governo tem o programa mais difícil de executar de sempre em Portugal. Um programa que não é seu, com timmings rígidos quase impossíveis de cumprir. 

 

Na segunda-feira acabou-se a brincadeira, mas a democracia não pode ser suspensa. A troika que emana de países democráticos, dos países mais democráticos do mundo, esteve-se nas tintas para a democracia. Impôs um programa de governo a um país desgovernado e sem governo. Não quis avançar com um empréstimo intercalar e esperar pela legitimidade democrática de um novo Executivo com quem negociar. E agora não há tempo, mesmo que  ministros e secretários de Estado sejam todos novos e ainda não conheçam os cantos à casa. Há medidas que têm de estar prontas em Julho e Agosto... Há provavelmente medidas que chocam com a constituição e se a Constituição for suspensa para aplicar o programa da troika por não haver tempo de a rever segundo os parâmetros democráticos, passamos a viver em ditadura. No domingo, nem os vencedores deviam fazer a festa. Não há nada para festejar.

publicado por Vítor Matos às 16:07
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 4 de Maio de 2011

Baralhar as contas - um exercício

Vamos supor que a estratégia de comunicação de José Sócrates funciona e que no próximo mês consegue encurtar a distância para o PSD nas intenções de voto. E que no final até consegue ganhar as eleições por uma pequena margem ao PSD, de dois a três por cento.

 

Imaginemos este cenário, até porque o PS precisa de mais votos para eleger deputados do que o PSD:

 

PS - 34%-36%

PSD - 32%-35%

CDS - 11%-13%

 

O PS vai a Belém e diz que quer formar Governo mas não tem parceiros.

 

O PSD e o CDS - apesar de nenhum ter ganho as eleições -, apresentam ao PR uma coligação maioritária no Parlamento.

 

A Constituição diz que o PR nomeia o PM com base nos resultados eleitorais, depois de ouvidos os partidos com assento parlamentar. Não diz que o PM é o líder do partido mais votado.

 

O que deve fazer Cavaco?

publicado por Vítor Matos às 17:07
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Na sala onde Obama votou há um ano


A América é um lugar estranho. Cheguei a este sítio menos de duas horas depois de Barack Obama ter aqui votado. Entrei na sala de voto, tirei fotografias, conversei com toda a gente, andei à vontade. Aqui pode-se falar de política junto às urnas. Os cidadãos não são tomados por parvos.
A máquina que está ao lado da larga Charletta Tibbs tinha engolido o boletim de voto de Barack Obama e de Michelle Obama hora e meia antes de eu fazer foto (em baixo). "Um dia de sol tão bonito como este é óptimo para um novo começo", disse-me quando lhe perguntei sobre Obama, as eleições e o clima que o país vivia naquele momento.


Barack e Michelle votaram nestas duas cabines.
Naquele momento já não havia movimento. Os jornalistas que ali estavam entrevistavam-se uns aos outros. O do Times de Londres tirava notas de uma conversa com uma equipa de três jovens jornalistas chineses, com idade de estagiários - um redactor, uma fotógrafa e uma câmera. Não devia haver nos Estados Unidos mais ninguém com tantos leitores: eles cobriram todo o processo eleitoral para a agência noticiosa oficial chinesa, cujas notícias são reproduzidas em todos os jornais da China e da diáspora. Tinham milhares de milhões de leitores.


À entrada da escola deparei com um facto insólito, impensável para um português. Um membro do partido Democrata, negro, distribuía papéis com as indicações de voto do partido aos cidadãos que se dirigiam para a sala de voto.
Naquele bairro de Chicago, o boletim tinha 24 itens, se bem me lembro. Votava-se para o Presidente dos Estados Unidos, para o senado e congresso estaduais, para juízes de círculo, para o ministério público and so on and so on...



Não se vota de cruz. Pinta-se uma bolinha de negro e depois os boletins são enfiados numa máquina que faz imediatamente a leitura dos votos. Logo a seguir ao fecho das urnas, a contagem é feita automaticamente.



No fim desse dia, a América havia de eleger o seu primeiro presidente negro, com excessivo optimismo, como aliás se tem visto. A festa foi rija nessa noite no Grant Park de Chicago. Esse portefólio publiquei-o neste post.






publicado por Vítor Matos às 15:35
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Dias felizes com lágrimas

Aos casamentos e baptizados não se vai sem ser convidado, mas a todas as outras iniciativas, tais como funerais, missas do sétimo dia e campanhas eleitorais vai quem querManuela Ferreira Leite

E velórios – aos velórios também se vai sem convite. O mesmo para apedrejamentos públicos (excepto na versão dos Monty Phyton, na qual as mulheres não podem entrar e têm de comprar as pedras e uma barba postiça ao vendedor ambulante). E para jogos amigáveis e gratuitos, no estádio do Algarve, da selecção treinada por Queiroz.

Mas a ideia de acabar com o circo das comezainas e da música pimba nos comícios é boa. Veremos como corre.
publicado por Bruno Faria Lopes às 20:43
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 31 de Julho de 2009

Como desatar o nó: cenários

Com o PSD e o PS empatados, teremos um Outono mais quente do que os calores do Verão eleitoral. Embora hoje as sondagens... enfim... a verdade é que o estudo da Eurosondagem SIC/Expresso/RR deixa antever uma grande dor de cabeça para Cavaco Silva. É preciso não esquecer que Cavaco não poderá dissolver a AR nos seis meses seguintes às Legislativas, ou seja, até Abril de 2010; e também não a poderá dissolver a partir de Agosto de 2010, seis meses antes das eleições Presidenciais. Portanto, poderemos vir a ter vários governos com base na mesma composição parlamentar. Os resultados são estes:

PS - 33%
PSD - 31%
BE- 10%
CDU - 9,4%
CDS - 8,5%

Com um resultado mais ou menos assim, podemos ter cenários estranhos, mesmo muito estranhos. Os partidos irão a Belém na segunda-feira, 28 de Setembro, comunicar as suas posições ao PR e depois o tabuleiro é de Cavaco. Convém não esquecer que, segundo a Constituição, o PR nomeia o PM com base nos resultados eleitorais, depois de ouvidos os partidos com assento parlamentar e isso dá-lhe uma grande margem de manobra.

Cenário 1 - O PS assume um Governo minoritário, fazendo acordos pontuais com o CDS, o Bloco e por vezes o PSD. O CDS e o PS adoptarão uma táctica de "tenaz" para entalar e diminuir o PSD, que terá toda a pressão do PR para manter a estabilidade e a governabilidade - sobretudo se a líder continuar a ser Manuela Ferreira Leite.

Cenário 2 - O PS assume que fará um governo minoritário, mas uma coligação pós-eleitoral PSD-CDS reclama o Governo junto do PR, por ter mais deputados ainda que não a maioria absoluta. Cavaco tem de decidir. Mas se der o Governo à direita terá toda a esquerda a precipitar uma crise rapidamente. O PR tem de usar de toda a sua influência junto do PS para lhe amansar os ímpetos.

Cenário 3 - PS coliga-se ou faz um acordo de incidência parlamentar com o BE. Terá o PSD e o CDS do outro lado da barricada e será o PCP o fiel da balança.

Cenário 4 - Bloco Central. Pode assumir duas formas: coligação governamental ou acordo parlamentar, com Cavaco a funcionar como pivot do diálogo entre as duas forças políticas. é muito improvável com as actuais lideranças.

Cenário 5 - Cavaco dá posse a um governo suportado pelo PS e pelo PSD com um primeiro-ministro à cabeça que ambos os partidos aceitem e que não é nenhum dos líderes partidários.

A fantasia daria para muito mais, mas temo que a realidade venha a ser mais fértil do que a minha modesta imaginação.
publicado por Vítor Matos às 15:20
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Post para um engenheiro técnico reflectir

Sócrates ganhou as legislativas de 2005.
Sócrates perdeu as autárquicasde 2005.
Sócrates perdeu as presidenciais de 2006.
Sócrates ganhou as intercalares de Lisboa em 2007.
Sócrates perdeu as europeias de 2009.

Se Sócrates não percebe que está sintonizado no tom errado, que os portugueses não gostam de ver políticos a rejubilar com triunfalismos exagerados quando à sua volta tudo arde, se não entende que só pondo de lado a sua insuportável arrogância e dos seus ministros, pode evitar outro desastre nas legislativas.
publicado por Vítor Matos às 10:18
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

Portismo de malas aviadas

Paulo Portas precisava de vagar lugares no seu grupo parlamentar para, nas legislativas, colocar algumas caras novas na bancada e refrescar as faces mais evidentes do portismo. Mandar Nuno Melo, Diogo Feio e Teresa Caeiro para Estrasburgo e Bruxelas é o preço a pagar: recompensa-os pelo trabalho feito ao longo dos últimos anos, mas nas europeias não fugirá à crítica de serem sempre os mesmos, sempre os mesmos portistas de sempre (pelo menos não é o próprio Paulo Portas e só isso já não é mau)... Daqui a uns meses, terá oportunidade de abrir o CDS à novidade nas listas para as autárquicas (Lisboa, sobretudo), para depois lançar nomes mais frescos nas legislativas. Veremos se cumpre, ou se este CDS não tem emenda.
publicado por Vítor Matos às 19:33
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

Veto bem-vindo

Cavaco Silva vetou a lei que iria obrigar ao voto presencial dos eleitores residentes no estrangeiro. Para justificar a decisão, o Presidente da República utilizou argumentos que só para a maioria socialista não são óbvios. Trata-se de uma proposta que apenas incentiva a abstenção, quando esta já é um problema com uma dimensão alarmante. Nota positiva para Cavaco Silva. Aguarda-se que o PS caia em si e desista das suas intenções.
publicado por João Cândido da Silva às 16:57
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

autores

pesquisar

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

arquivos

subscrever feeds