Domingo, 3 de Fevereiro de 2013

O tal do Estado Social

O Senhor Santos tem 91 anos. Trabalhou desde os 9. Já aprendia o ofício de sapateiro quando fez o exame da quarta classe. 

 

Nos dias de semana acordava às 6 da manhã e fazia quatro quilómetros a pé para ir trabalhar. Estivesse chuva, frio ou sol. Não sabia o que era tomar o pequeno almoço. Logo se via, durante a manhã, se conseguia comer um bocado de pão.

Aos fins-de-semana não descansava nem brincava como qualquer criança de nove anos. Ia para o campo, pois ao fim de semana não ia trabalhar para o sapateiro. Trabalhava sete dias por semana. 9 anos e muitos dentes de leite. 

 

O Senhor Santos teve vários ofícios e profissões. Trabalhou a vida toda. 

 

No ano passado, aos 90, ficou viúvo. Esmoreceu. Decidiu que, finalmente, ia deixar de trabalhar. Arrumou os livros e entregou as escritas que ainda fazia dos vendedores de fruta na praça ou dos cafés que só vendem bicas a um gabinete de escritas organizadas. Parou de trabalhar aos 90. 

 

O Senhor Santos trabalhou dos 9 aos 90 anos. O Senhor Santos trabalhou 80 anos sem parar. Descontou para a reforma a vida toda. Tem uma reforma de miséria, como quase todos os velhos deste país.

 

Na semana passada o Senhor Santos teve um AVC. Foi de ambulância para o Hospital. Um hospital público, sem direito a regalias ou atenções especiais (no caso, o Hospital de São Bernardo, em Setúbal). Entrou, foi atendido e assistido. Umas horas depois foi mandado para casa com uma receita para aviar na farmácia, que mais parecia uma lista telefónica. 

 

Além da receita passaram-lhe outro papel: uma conta para pagar. 

 

O Senhor Santos teve um AVC e teve de pagar 90 euros no Hospital Público que ajudou a pagar a vida toda. 90 euros! Noventa euros, por extenso. Meia reforma para umas taxas de urgência e para uns exames complementares de diagnóstico. Azar, logo teve que fazer duas TAC's. 90 euros. Quase toda a reforma de um velho a morrer... E a do mês seguinte para os comprimidos que não lhe deram no Hospital. Meses de reforma ao ar para pagar os cuidados básicos de saúde a que tinha direito. Mais que direito. Mais de 80 anos a trabalhar e a descontar para o Estado. 

 

Filhos da Puta!

 

Matam quem os criou. Matam quem construiu este país. Matam quem lutou pela vossa democracia, que esta não é a dele. Esta está apodrecida, anémica, doente, moribunda. 

 

Matem as vossas mães, filhos da puta! 

 

Matem os vossos pais, filhos da puta!

 

Desculpem o desabafo...

 

Sim, o Senhor Santos é meu avô. E sim, o Senhor Santos está um pouco melhor, obrigada.

 

Está a recuperar. Não havia vaga no Hospital para o internamento. Está a recuperar em casa dos meus pais, que estão a faltar ao trabalho para poderem assisti-lo. Está em casa, à custa dos meus pais que também pagam os seus impostos. 

 

Mas ainda bem que voltámos aos mercados. O Senhor Santos também está feliz por isso. Talvez por essa boa notícia tenha tido o AVC, que está a pagar em prestações mensais. 

 

publicado por Ana Catarina Santos às 22:14
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Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2011

Um murro no focinho

 

 

E se o Sócrates me aparecesse hoje à frente... levava um murro no focinho, de certeza.

publicado por Filipe Santos Costa às 12:47
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Segunda-feira, 3 de Janeiro de 2011

O Estado Social e o estado do social

Estado Social
Preço do bilhete de eléctrico aumenta 70%, de €1,75 para €2,5. (Aqui)

Estado do social
"Vou mudar de sexo", decisão de Ano Novo de José Castelo Branco, na capa da Flash (Sem link)
publicado por Vítor Matos às 16:49
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Segunda-feira, 26 de Julho de 2010

Ai, ai, ai, minha machadada

O Governo vai apertar as regras do Rendimento Social de Inserção, consequência do novo regime de condição de recursos que promete - espera-se que cumpra - um escrutínio mais rigoroso sobre quem recebe prestações sociais provenientes dos bolsos dos contribuintes.

Cortar apoios a quem não aceite emprego, apesar de estar em condições de trabalhar, parece uma medida de elementar bom senso. Mas aguarda-se, com expectativa, se isto vai desencadear algum clamor por ser interpretado como mais uma machadada no Estado social.
publicado por João Cândido da Silva às 18:07
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Sexta-feira, 23 de Julho de 2010

Gratuicidade tendencialmente cara

A minha avó pagou €200 há duas semanas para ser transportada numa ambulância para o hospital da vila alentejana mais próxima a 30 km. A minha avó tem 85 anos e não tem mobilidade, anda de cadeira de rodas e tem uma saúde frágil. Sentiu-se mal, estava realmente mal, e por isso a minha prima chamou uma ambulância. Tem uma pensão de uns €300 e picos. A factura dos bombeiros que o meu pai me mostrou indignado cobrava €95 par ir e outro tanto para vir do hospital. Alguém me explica se isto é consititucional?
publicado por Vítor Matos às 14:00
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