Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2012

Cinco pontos para o Artur da ONU

Há um "ahhhh" de indignação colectivo que varre o país por causa de um tal Artur da ONU que afinal não era da ONU. As filhozes e as rabanadas foram salpicadas pela surpresa e pelo repúdio colectivo contra a atitude de uma pessoa, um homem - um único homem, que encheu as primeiras páginas dos jornais porque "enganou toda a gente". O país insurgiu-se, até já há piadas sobre o assunto - anedotas (engraçadas, aliás) sobre o tal Artur da ONU. 

 

Em primeiro lugar quero dizer claramente que não estou a defender a atitude de Artur Baptista da Silva. É condenável a todos os níveis. Este não é, por isso, um post em defesa do senhor ou dos seus actos. 

 

Em segundo lugar quero dizer que isto acontece todos os dias. Quem recebe, por exemplo, currículos de candidatos a empregos sabe-o bem. Quem está conectado nas redes sociais, como o Linked In, sabe bem que os currículos são muito "maquilhados", com upgrades que roçam (às vezes ultrapassam) a escandalosa mentira. Em alguns países isto até é crime. 

 

Em terceiro lugar considero que o episódio ganha contornos gigantescos porque os "enganados" foram os jornalistas. Há uma histeria para provarmos uns aos outros (nós, jornalistas) que o erro não aconteceu por inépcia ou displicência. Aconteceu. Ponto. Há que assumir os erros sem pejo.  E, sim, devíamos ter despistado o currículo do senhor antes de o entrevistarmos. Acontece aos melhores (e é o caso: Expresso, Sic-Notícias e TSF). 

 

Em quarto lugar penso que o caso teve tamanho destaque por estarmos na silly season natalícia que é também uma silly season informativa. Tudo é notícia porque há poucas notícias. 

 

O quinto aspecto que queria destacar, e que é o mais importante, é irónico e triste. Estamos indignados com o Artur da ONU. Mas continuamos impávidos e serenos com aqueles que todos os dias nos enganam e fazem de nós parvos. Como se nada fosse. Ó vil cretinice! Acordai, Acordai! Antes todos os males de Portugal fossem este. Ai Portugal, Portugal, como diz o Palma... Do que é que tu estás à espera?

 

 

 

publicado por Ana Catarina Santos às 18:32
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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

Cinismo e hipocrisia

Sobre a questão da credibilidade, ou falta dela, de que acusa Manuela Ferreira Leite, José Sócrates revela grande descaramento. Não é preciso fazer um especial esforço de memória para recordar a guinada do primeiro-ministro quando decidiu desistir do novo aeroporto na Ota para adoptar a localização em Alcochete. Isto só para ilustrar, de acordo com os próprios critérios do primeiro-ministro, que a sua credibilidade no campo das decisões sobre grandes obras públicas também deixa muito a desejar.

Quando à alusão aos ataques da líder do PSD aos jornalistas, alegadamente apenas porque as notícias não lhe agradam, trata-se de puro cinismo e hipocrisia. O actual Governo está muito longe de ser caso único. Mas, em matéria de manifestações de desagrado pelo tratamento de assuntos que envolvem o Executivo, pressões, sistema de castigos e prémios a órgãos de comunicação e a jornalistas, a forma de estar de Sócrates e dos seus fiéis em circunstância alguma poderia ser apelidada como correcta e, muito menos, como exemplar. Neste terreno, o primeiro-ministro não tem qualquer autoridade para criticar comportamentos alheios.
publicado por João Cândido da Silva às 12:56
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