Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Vitória, vitoria, morreu a vaquinha...

O PS ganhou perdendo. José Sócrates fragilizado, criticado, acossado, no meio de uma crise profunda e a cometer erros sucessivos, susteve a sua queda com uma grande colaboração dos seus adversários directos.

O PSD de MFL teve apenas mais 7 mil votos que PSL. Isto diz tudo. Prova que uma má campanha e uma má estratégia nunca é boa, mesmo que a candidata quisesse parecer boa por ser tão má.

O CDS capitalizou finalmente a fraqueza do PSD, que desguarneceu todas as frentes à esquerda e à direita. Portas é a prova, tal como Sócrates e Louçã, de que o profissionalismo em política compensa.

O Bloco tem na fraqueza do PS a sua força. O mistério é saber: dadas as diferenças, o que vê no BE quem votava PS?

O PCP continua firme como um rochedo, apesar do último lugar. Outra perplexidade: porque é que os votos à esquerda não se transferem para o PC? Se não fizerem a sua autocrítica, os comunistas caminham para a exiguidade.
publicado por Vítor Matos às 13:37
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A Munch for all seasons

O ambiente registado ontem nas turmas do CDS e PS, gente que passou pelas várias fases da vida durante a campanha.


O ambiente registado ontem, na sede do PSD.
Edvard Munch
"A dança da vida" e "Morte no quarto do doente"
publicado por Bruno Faria Lopes às 01:31
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Domingo, 27 de Setembro de 2009

Números extraordinários

Em 2005, o PS teve 2.588.312 votos, correspondentes a 45,03% do total apurado, e elegeu 121 deputados.

Em 2009, quando falta apurar os resultados nos círculos da emigração, o PS teve 2.068.665 votos, equivalentes a 36,56%, e fica com um grupo parlamentar de 96 deputados.

Contas feitas, são menos 519.647 votos, uma quebra de 8,47 pontos percentuais e uma redução de 25 deputados no grupo parlamentar socialista.

Isto significa que os eleitores querem o PS no Governo, mas que não gostaram da forma como utilizou a maioria absoluta e, por este motivo, decidiram retirar-lhe das mãos o poder sem limites. Perante isto, Sócrates ainda insiste que o resultado das legislativas é uma vitória "extraordinária". Não aprendeu nada.
publicado por João Cândido da Silva às 23:48
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Vencedores e derrotados, segunda leitura

PS - Meia vitória. Ganha as eleições mas perde a maioria absoluta e perde mandatos para todos os restantes partidos. Sai fragilizado desta corrida, mas com a razoável certeza de que ninguém terá coragem para, nos tempos mais próximos, mandar abaixo um novo Executivo socialista.

PSD - Derrota pesada. Não supera a fasquia dos 30%, apesar de conseguir aumentar o grupo parlamentar. Tendo em conta o cansaço de muitos sectores em relação ao Governo de Sócrates, a persistência dos problemas estruturais do país e a forte crise internacional, Manuel Ferreira Leite passou ao lado dos eleitores.

BE - Sobe, e muito, superando o PCP e passando a liderar a extrema-esquerda, mas não consegue cumprir a expectativa criada por diversas sondagens de passar a ser a terceira força política portuguesa. A progressão no número de votos é impressionante, o que revela ter o Bloco conseguido mobilizar, à esquerda, muito do descontentamento com o PS. Deve custar a engolir, mas Portas (Paulo, não Miguel), ensombrou a alegria de Louçã.

CDS - Consegue ficar à frente do Bloco de Esquerda, posicionando-se como terceira força partidária do país e passa a dispor de um grupo parlamentar de dimensão que já não se via há muitos anos nestas bandas. Paulo Portas é um dos grandes protagonistas da noite e um claro vencedor. Terá conseguido desviar muitos votos que, à direita, não se entusiasmaram com o PSD.

CDU - Derrota. Passa para o último lugar entre os "cinco grandes" e perde a liderança da extrema-esquerda. Ainda assim, sobe o número de votos e de deputados. Curto consolo para quem, no campeonato das forças políticas de menor dimensão, se vê ultrapassado pelo Bloco e pelo CDS, o que já não se via desde os distantes anos de fundação da democracia portuguesa.
publicado por João Cândido da Silva às 22:50
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Vencedores e derrotados, primeira leitura

O que se pode concluir para já a partir das projecções dadas pelas televisões:

PS - Meia vitória. Ganha as eleições mas perde a maioria absoluta e, por isso, sai mais frágil desta corrida.

PSD - Derrota pesada. Pode nem sequer superar a fasquia dos 30%.

BE - Sobe e muito, superando o CDS e o PCP. Uma vitória.

CDS - Não consegue ficar à frente do BE mas ultrapassa a CDU. Meia vitória.

CDU - Derrota. Passa para o último lugar entre os "cinco grandes" e perde a liderança da extrema-esquerda.
publicado por João Cândido da Silva às 20:02
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Para mais tarde recordar

Resultados nas legislativas de 2005

PS
Número de votos
2.588.312
Percentagem
45.03%
Número de mandatos
121

PSD
Número de votos
1.653.425
Percentagem
28.77%
Mandatos
75

CDU
Número de votos
433.369
Percentagem
7.54%
Número de mandatos
14

CDS
Número de votos
416.415
Percentagem
7.24%
Mandatos
12

BE
Número de votos
364.971
Percentagem
6.35%
Mandatos
8
publicado por João Cândido da Silva às 19:23
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Abstenção sobe

A projecção para a abstenção divulgada pela SIC coloca-a acima de 2005 e o mesmo sucede com os números anunciados pela RTP. Previsível principal prejudicado será o PSD que não terá conseguido mobilizar o descontentamento com o Governo e combater a indiferença em relação ao único partido que poderia liderar uma solução alternativa aos socialistas.

De qualquer forma, na análise ao comportamento do abstencionismo será necessário ressalvar eventuais problemas com duplas inscrições e eleitores ainda registados apesar de já terem falecido.
publicado por João Cândido da Silva às 19:02
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Cansaço ou falhas da burocracia?

Até às 16h00, a afluência às mesas de voto foi inferior à que se verificou em 2005. Cansaço dos eleitores, mesmo perante uma eleição que encerra incerteza, apesar daquilo que dizem as sondagens? Efeito de cadernos eleitorais desactualizados, onde figuram registos de eleitores já falecidos e duplas inscrições?
publicado por João Cândido da Silva às 18:21
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Domingo, 6 de Setembro de 2009

Por onde vai o PS

O esforço do PS vai ser todo concentrado na conquista de eleitores à esquerda, nas águas em que navegam o PCP e o Bloco de Esquerda. Daí que José Sócrates, no debate com Jerónimo de Sousa, tenha levado bem preparada a lista de medidas que podem soar bem nestes terrenos.

Não será fácil ao líder do PS conseguir descolar-se do rótulo de ter seguido "políticas de direita" durante a legislatura, que o BE o PCP lhe atribuem. Sobretudo porque a táctica é demasiado descarada e o discurso cordato que Sócrates tem ensaiado é pouco verosímil e natural.

O verdadeiro Sócrates é aquele que fica crispado e que dá largas à sua truculência quando ouve expressões como ser "mais papista que o Papa", como sucedeu no debate de ontem quando Judite Sousa introduziu o tema da suspensão do "Jornal Nacional de Sexta". Pelo menos os eleitores do PCP são capazes de ainda se recordar que, quando confrontado com as greves e manifestações de professores, Sócrates identificou a contestação com meras orquestrações dos comunistas.

A verdade é que este é o género de acusações que reforçam a fidelidade dos eleitores do PCP e a sua autoestima, como parte integrante de uma força política a quem, implicitamente, Sócrates reconheceu um apreciável potencial de mobilização. E até para os professores que não se revêem no PCP, para os muitos que nunca tinham sequer participado numa manifestação, a generalização usada pelo primeiro-ministro para desvalorizar a contestação será difícil de apagar da memória.

A segunda peça da estratégia é a do voto útil, manifestada por Mário Soares na entrevista que deu ao "i" - "dar a vitória à direita, por ser contra o PS, é um erro que a esquerda pagará muito caro" - e agora retomada por António Costa. Será necessário acenar com o fantasma de um Governo à direita para tentar convencer os recalcitrantes a passarem uma esponja pelas críticas ao PS e darem o seu voto aos socialistas, optando por um mal menor. Uma espécie de reedição do voto de olhos fechados em Soares nas presidenciais de 1986 que foi decisivo para erguer a coligação negativa que derrotou Diogo Freitas do Amaral na segunda volta.
publicado por João Cândido da Silva às 19:18
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Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

Todos diferentes, todos iguais

O programa eleitoral apresentado hoje por Manuela Ferreira Leite vem confirmar que, tendo em conta as linhas gerais de política do PSD e do PS, seria perfeitamente possível chegar a acordos parlamentares ou mesmo a um entendimento mais alargado do bloco central.

O que salta à vista naquelas 39 páginas (onde o lugar comum marca proporcionalmente a mesma presença face às 120 do PS) são as semelhanças em vários domínios entre sociais-democratas e socialistas: justiça, política fiscal, apoio às PME, opção de modelo económico, reforço dos apoios sociais e segurança social são apenas alguns domínios de coincidência bastante razoável.

Numa altura em que as figuras do regime vão clamando pela necessidade de um entendimento de bloco central – caso não haja maioria absoluta – este alinhamento em várias políticas públicas (que será, na aparência, imediatamente combatido pelos militantes dos dois campos) ilustra bem onde estão os principais obstáculos: a personalidade incompatível de Ferreira Leite e de Sócrates e as divergências nas obras públicas (mas veja-se como MFL ontem dobrou a língua e falou em "reavaliação" do TGV). Veremos o que nos reserva o resultado de 27 de Setembro.
publicado por Bruno Faria Lopes às 21:15
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