Domingo, 14 de Novembro de 2010
Das
declarações de Sócrates em reacção à entrevista de Luís Amado, também se podem retirar algumas conclusões.
1. Um mentiroso, mente sempre. José Sócrates alega que tentou fazer coligações. Formalmente, tem razão. Na substância, onde habitualmente o primeiro-ministro cai no alçapão em que se revela a sua reserva mental, limitou-se, após as eleições legislativas de 2009, a fazer convites para coligações sem qualquer vontade de as concretizar. Se não fosse assim, teria escolhido previamente os parceiros a quem propor negociações para um projecto de Governo e não se teria limitado a convidar todos e qualquer um, sem critério, nem seriedade, com o único objectivo de receber sucessivos "nãos" como resposta.
2. Quando afirma que o PS tem que assumir, sozinho, as responsabilidades de fazer face às dificuldades do país, Sócrates persiste em fazer o papel de vítima, provando a quem ainda tivesse dúvidas que a sua prioridade não é encontrar uma solução mas, apenas, a de segurar-se no poder. Não pode deixar de saber que as principais culpas pelo desastre em que o país está são suas mas tem a maioria do PS comprado e isso afigura-se-lhe como fonte de legitimidade suficiente para teimar numa fuga em frente. Não admira que gente que lhe deve os lugares que ocupa actualmente, como Vital Moreira e Ana Gomes, apenas defendam a "remodelação" de Fernando Teixeira dos Santos, quando uma pequena dose de honestidade intelectual bastaria para sacudirem a sua pusilanimidade e reivindicarem, também, a "remodelação" do primeiro-ministro. Sócrates rodeou-se de dependentes e não só o sabe bem, como também lhe sabe bem.
Terça-feira, 2 de Junho de 2009
"O 'banco do PSD' (resposta a José Manuel Fernandes)", por Vital Moreira, no "Público", em que o candidato do PS ao Parlamento Europeu mete os pés pelas mãos e mistura alhos com bugalhos, para tentar explicar por que defende que a liderança do PSD deve dar explicações ao país sobre o "caso BPN".
Pelo fino recorte populista, assinala-se apenas o argumento de que o silêncio dos laranjas os impedirá de "elidir a alcunha popular do BPN como 'o banco do PSD'". Hilariante se não fosse lamentável, vindo de alguém de quem se esperava elevação e dignidade no combate político. Parece que o estilo do chefe contamina com mais velocidade do que a Gripe A.
Sexta-feira, 29 de Maio de 2009
A Maria de Belém ficou tão bem a
demarcação das declarações de Vital Moreira como ao candidato socialista ficou mal ter descido às profundezas da demagogia e da política mais rasteira quando decidiu que seria boa ideia
confundir o PSD com militantes do partido que, na sua vida profissional, terão responsabilidades em actos que estão a ser investigados pelo Parlamento e pelas autoridades judiciais.
Vital Moreira, que entrou na campanha para as eleições europeias revelando um saudável distanciamento da ortodoxia do PS, revela-se, afinal, um companheiro adequado à ala
caceteira do partido por quem se candidata. É pena. E nem se compreende por que motivo não estende a sua exigência de explicações também ao Banco de Portugal, que não exerceu a supervisão como lhe competia, ou ao Governo, que decidiu nacionalizar o BPN e assumir os prejuízos causados pelos autores da "roubalheira". Depois, ainda vem falar em sectarismo e dar lições de ética e moral. Está bem, está.